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Aluno de Bauru tira "de letra" redação do Enem com nota 1.000

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Jessé da Costa Corrêa Filho bem à vontade com caneta e papel em casa: sem sair com amigos

Uma meta alcançada com muito foco, dedicação, algum sacrifício e uma pitada de sorte. Foi assim que o jovem morador de Bauru Jessé da Costa Corrêa Filho, 18 anos, conseguiu ser um dos 250 alunos em todo o País a conquistar nota máxima (1.000) na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014.

Ao todo, quase 6,2 milhões de estudantes participaram da prova, cujos resultados foram divulgados nesta semana. A façanha de Jessé foi obtida por apenas um a cada 24,8 mil candidatos.

Mas engana-se quem imagina que o adolescente sempre foi um “ás” da arte de escrever. “Eu sempre tive um pouco de dificuldade, achava chato, embora sempre tenha gostado de ler e sempre sido bom aluno. Até o dia em que descobri que redação tinha um peso importante no vestibular e no Enem. Tive que me dedicar para chegar a este resultado”, afirma.

E Jessé, de fato, batalhou. Na verdade, ele só decidiu correr atrás do sonho de ingressar em uma universidade federal de medicina quando já havia concluído o Ensino Médio.

Com o respaldo financeiro dos pais, matriculou-se em cursinho no início de 2014 e, no meio do ano, em um curso de redação.

“Escolhi um que tinha poucos alunos, para poder aproveitar o máximo o que a professora poderia me ensinar. Queria aprender todas as técnicas e não deixar brechas para que os corretores (do Enem e vestibulares) me tirassem qualquer ponto”, relembra.

Para tanto, Jessé escrevia ao menos duas redações por semana e buscava, com a ajuda da professora, identificar suas falhas e corrigi-las. Ao mesmo tempo, se esforçava no cursinho para melhorar o desempenho em disciplinas com que tinha menos habilidade.

Tanta dedicação praticamente obrigou o jovem a deixar de sair com os amigos. Ele também precisou recusar quase todas as confraternizações em família e, quando abria uma exceção para viajar, usava a maior parte do espaço na bagagem para levar seus livros.


Trunfo

Além de absorver todos os “macetes” de técnica redacional, Jessé também procurou escrever sobre uma grande variedade de temas - estratégia que, no fim, acabou representando um grande trunfo. Apenas duas semanas antes da prova, ele havia redigido um texto sobre publicidade infantil no mundo, tema quase idêntico ao do Enem, que foi sobre publicidade infantil no Brasil.

“Tive que adaptar um pouco, mas tinha a estrutura de argumentação toda pensada, porque tinha lido textos sobre o assunto muito recentemente para escrever a outra redação. Gostei do texto que entreguei e saí da prova bastante confiante”, comenta.


E agora, jessé?

Ao todo, ele alcançou 810 pontos no exame, incluindo seu desempenho nas 180 questões objetivas. Ele espera que o resultado seja suficiente para credenciá-lo a uma vaga na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que utiliza apenas o Enem para selecionar seus alunos.

No ano passado, segundo o adolescente, a nota de corte da faculdade de medicina foi de 815 pontos, mas a expectativa é de o índice seja menor neste ano, já que a média brasileira do Enem também caiu – de 504,3 pontos em 2013 para 499 em 2014, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).

“É minha esperança. Quem sabe não dá certo?”, acredita. A resposta só descobrirá no dia 23 de janeiro, quando saem os resultados.

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