Malavolta Jr. |
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A rodovia Bauru-Iacanga foi bloqueada no início da noite de anteontem, durante um protesto |
Uma reunião realizada ontem, na regional de Bauru do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) discutiu alternativas de segurança para as marginais construídas junto à obra de duplicação da rodovia Bauru-Iacanga, que liga a região norte da cidade ao aeroporto Moussa Tobias. Ainda não existem, no entanto, soluções concretas para parte das demandas apresentadas por moradores dos bairros no entorno da via.
A mobilização ganhou força após a morte de uma garota de 6 anos, na última terça-feira, quando foi atropelada por um caminhão no Jardim Ivone, nas proximidades da estrada, e desencadeou no protesto de anteontem, que reuniu 200 pessoas e bloqueou os dois lados da pista da rodovia.
Participaram do encontro de ontem representantes da população, do DER, da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e o vereador Natalino da Pousada (PV), cuja base de atuação se concentra na região do acidente.
O parlamentar explica que os moradores cobram a instalação de lombadas e de dispositivos de iluminação na via. A principal reivindicação, no entanto, gira em torno da passarela no quilômetro 347 da Bauru-Iacanga.
Na obra de R$ 91,1 milhões, projetada e contratada pelo DER, ela se sobrepõe apenas às vias expressas da rodovia, sem contemplar as marginais, que recebem a maior parte do fluxo de tráfego gerado a partir de bairros, como a Vila São Paulo e o próprio Jardim Ivone.
É justamente neste ponto que surgem as divergências. Em nota, o DER, órgão vinculado à Secretaria de Logística e Transportes do Estado de São Paulo, ressalta que o atropelamento aconteceu fora de sua jurisdição.
O órgão explica que construiu as marginais por meio de convênio com o município, que, após a conclusão das obras, receberá as vias e será responsável pelas benfeitorias, como a implantação de passarela e sinalização.
Questionado pela reportagem, Rodrigo Agostinho (PMDB) afirma, por sua vez, que a prefeitura não construirá as passarelas sobre as marginais. “Elas só vão sair se o DER pagar por elas. De maneira equivocada, eles construíram essas obras de arte apenas sobre as vias expressas. A obra acabou de ficar pronta. Não faria sentido algum eu demolir as passarelas já existentes para fazer outras. Acho inviável”, argumenta o peemedebista.
Melhorias
O vereador Natalino admite que a demanda pela passarela, dificilmente, será atendida. Garante, no entanto, que cobrará da prefeitura e da Emdurb a implantação de outras benfeitorias nas marginais da rodovia: lombadas, sinalização e iluminação.
Ele explica, porém, que nenhuma intervenção poderá ser feita pelo município antes que as obras contratadas pelo DER sejam oficialmente concluídas. “Só quando isso ocorrer, é que a prefeitura receberá essas vias”.
Tragédia
Para Natalino da Pousada, o acidente que matou Kevellyn Eduarda de Oliveira, na última terça-feira, não teve qualquer relação com as obras da Bauru-Iacanga ou com a implantação de suas marginais, mas reconhece a indignação e a relevância das reivindicações apresentadas pela população.
“Foi uma grande fatalidade. Não dá para apontar responsáveis. Acontece que o Jardim Ivone, como outros bairros da região, foi asfaltado e recebe muitos veículos que vêm da rodovia. Além disso, pela inexistência de equipamentos de lazer, as crianças brincam nas ruas, o que gera um risco maior de acidentes”, observa o parlamentar.