João Rosan |
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Domingos Malandrino disse que foram questões pontuais em grandes empresas |
O ano de 2014 foi crítico e bastante preocupante para a indústria na região de Bauru. O setor extinguiu aproximadamente 2 mil postos de trabalho, segundo pesquisa publicada ontem pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Este foi o pior desempenho no nível de emprego dos últimos oito anos, desde que o estudo foi iniciado.
A queda em relação a 2013 foi de 6,69%, abaixo da média – de 4,9% - registrada pelo Estado. Das 36 regionais do Ciesp, a de Bauru, que abrange 20 municípios, teve o 10º pior resultado. Além do momento econômico ruim que, por si só, já cria um cenário desfavorável à manutenção dos empregos, as demissões anunciadas por algumas das grandes empresas da cidade foram determinantes para que este resultado se concretizasse.
“Por ter um parque industrial diversificado, normalmente a região vinha obtendo um desempenho acima da média do Estado. Porém, problemas pontuais, mas significativos, em empresas de grande porte alteraram esta lógica”, analisa o diretor regional do Ciesp em Bauru, Domingos Malandrino.
De acordo com ele, outros municípios maiores que integram a região, como Pederneiras e Agudos, também enfrentaram situação semelhante, com demissões em empresas que contratavam número representativo de funcionários. Além da queda na produção provocada pela diminuição do consumo, dificuldades internas das empresas – financeiras e de gestão – também favoreceram a extinção dos postos de trabalho.
A situação do emprego industrial em 2014 foi ainda pior que a de 2009, auge da crise financeira mundial, quando o setor, em Bauru, aumentou o nível de vagas em 1,5%. “Estamos assistindo a um processo de desindustrialização, com a falta de investimentos no setor e a concorrência desleal de importados, em especial os oriundos da China”, comenta o economista Reinaldo Cafeo.
Perspectiva
O diferencial entre os cenários de 2009 e 2014 é a recuperação dos empregos ocorrida no ano da crise, um movimento que não deve se repetir em 2015, segundo Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp. “Entramos em 2015 com a indústria muito fragilizada e não vemos a menor possibilidade de ser um ano de recuperação como 2010 foi para 2009”, projeta.
Parte da falta de perspectiva de recuperação para o ano deriva do ajuste proposto pelo governo federal, com redução dos gastos públicos, aumento da carga tributária, elevação da taxa básica de juros, retirada de alguns subsídios como os concedidos à energia, e o seu impacto no consumo. Além disso, o salário real do trabalhador não deve apresentar crescimento significativo.
Por este motivo, os especialistas consultados pela reportagem acreditam que 2015 poderá ser um ano em que o nível de emprego terá desempenho ainda pior do que o de 2014, ao menos durante o primeiro semestre. “O crescimento econômico foi colocado em segundo plano com o objetivo de atacar a inflação e recuperar o nível de confiança no País. Se o governo fizer a parte dele, pode ser que, a partir do segundo semestre, comecemos a observar alguma mudança”, avalia Cafeo.
Setores
Se considerados apenas os dados de dezembro, a queda no nível de emprego industrial na região de Bauru foi de 0,8%, o que representou a extinção de aproximadamente 250 postos de trabalho. O índice foi influenciado pelas variações negativas dos setores de produtos alimentícios (-1,82%); máquinas e equipamentos (-1,54%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (-1,98%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-1,26%).
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