Geral

Média final de 2014: Civil registrou mais de cem boletins/dia

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr./Arquivo

O delegado seccional Ricardo Martines: melhoria no atendimento é colocada como prioridade

Lesão Corporal, roubo, furto, acidentes, perda de documentos, ameaça, danos, desaparecimento, entre outros. Nesta ordem, estas são as principais ocorrências que viraram registros na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru em 2014.

Dados divulgados pela Delegacia Seccional apontam que um total de 38.386 boletins de ocorrências (BOs) foram registrados na Polícia Civil da cidade, no ano passado, uma média de 105 BOs por dia.

Deste montante, 81,1%, 31.130, respectivamente, resultaram de atendimentos físicos realizados nos guichês de atendimento da própria CPJ e, 3,1%, 1.190, foram em outras unidades da Polícia Civil e remetidos, posteriormente.

Outros 15,8%, 6.066 BOs, foram registrados online pela população, através do site da Secretaria de Segurança Pública, o www.ssp.sp.gov.br/nbo/, uma ferramenta considerada cada vez mais essencial no atendimento.

Com a demanda considerada alta, a qualidade do atendimento ao público, inclusive, tornou-se a principal preocupação do atual delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines, que é responsável pela CPJ e já projeta alternativas para, como ele mesmo diz, “desafogar” o atendimento.

Outra forma

Inaugurada há menos de dois anos na quadra 23 da avenida Rodrigues Alves, Vila Cardia, a CPJ chega a registrar em dias de pico, como segunda-feira, esperas de até quatro horas para o registro de ocorrências, conforme a reportagem apurou. 

“A melhoria do atendimento é uma meta da minha gestão. Sabemos que a diminuição da espera depende de mais agentes, mas temos algumas alternativas. A Delegacia Eletrônica precisa ser mais utilizada pela população, temos um terminal só para isso na CPJ, mas que a maioria não usa ou desconhece. O BO eletrônico tem o mesmo valor que o presencial”, ressalta Martines.

Apesar disso, vale destacar que houve um pequeno aumento no número de ocorrências registradas via Delegacia Eletrônica em 2014, já que em 2013 esse tipo de ocorrência representava 14,7% do total e, no ano passado, o índice fechou em 15,8%.

Entre as ocorrências que são passíveis de registro online estão as não criminais, como perdas ou extravios de documentos e de crimes eu não demandam perícia, como acidentes sem vítimas e algumas modalidades de furtos e roubos (veja mais no quadro).

Pré-atendimento

A Seccional é responsável, atualmente, por cerca de 350 policiais civis, dos quais aproximadamente 150 atuam na CPJ de Bauru, que conta com cerca de 23 delegados e 20 cartórios.

“Quero implantar lá (na CPJ) um pré-atendimento. Ou seja, disponibilizaríamos um funcionário só para tirar dúvidas e orientar o público. Muitas situações não são caso de BO e, essas pessoas acabam enfrentando uma fila desnecessária e tomando o tempo de ocorrências mais graves”, completa o seccional.

Segundo ele, no ano passado, a Seccional abriu processo contra quatro policiais por negativa de atendimento.

“Se tem algo que não tolero é a negativa de registro de BO. Seja de outra cidade ou não, se a pessoa procura uma delegacia tem direito de registrar a ocorrência, a não ser que não seja caso de polícia”, fecha questão Martines.

Mais delegados

Outra ideia elencada pelo seccional e que também pode ser colocada em prática já neste ano refere-se ao deslocamento de um segundo delegado plantonista, para facilitar o acesso à população.

“O público que vai à CPJ quase não tem acesso ao delegado plantonista que, pela alta demanda, só consegue atender as ocorrências registradas pela Polícia Militar. Com mais um no atendimento resolveríamos esse problema”, salienta Martines.


Entraves

Os crimes que dependem de representação pelos autores para serem investigados, como as ameaças, lesões corporais, injúrias e difamação, por exemplo, são considerados um dos grandes entraves na CPJ.

Segundo a Seccional, a unidade possui, atualmente, um acervo de 1.808 ocorrências “paradas”, que aguardam por representação. O prazo máximo de arquivamento é de seis meses.

“Recebemos muitos casos em que as pessoas vêm até a delegacia, registram a queixa e, depois, não voltam para representar, simplesmente desistem. Isso acaba tomando tempo de trabalho da polícia”, reforça Ricardo Martines.

Investigação

Em contrapartida, até dezembro, 1.661 inquéritos estavam em trâmite na delegacia.

“Hoje instauramos muitos mais inquéritos do que quando as delegacias eram separadas, cerca de 10% ou 20% a mais”, salienta Ricardo.

Cada um dos 20 cartórios da CPJ recebe, hoje, cerca de 55 BOs, por mês, que viram alvos de investigação.

 

Comentários

Comentários