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Alongar ou não?

Gisele Blasioli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma grande polêmica foi estabelecida a partir da publicação de uma matéria que coloca o alongamento em questão. Qual seria a melhor alternativa: alongar o corpo ou não? A partir da informação retratada, muitas pessoas podem tirar conclusões precipitadas e, como fisioterapeutas, nosso papel é explorar os recursos que existem para a melhoria do corpo em todas as suas condições e necessidades. Por isso, queremos defender os potenciais e os benefícios do alongamento. Como qualquer outra atividade, essa prática tem suas indicações, sua estratégia e sua metodologia, não podendo ser generalizada como boa ou ruim, pura e simplesmente. Começamos observando que o alongamento é um tipo de exercício físico que tem por objetivo trabalhar os músculos, deixando-os com a forma mais alongada e, portanto, menos encurtada, menos enrijecida e mais flexível.
Flexibilidade é sinônimo de mobilidade e entre os principais fenômenos físicos que acompanham o envelhecimento está justamente a diminuição dessa característica humana: a capacidade de ser flexível. Quanto menor é a flexibilidade do indivíduo, mais sujeito ele está a sofrer contusões, lesões (incluindo as decorrentes da repetição de movimentos), dores, dificuldade de utilização normal dos membros do corpo, diminuição da velocidade e dos ritmos corporais. Quem não trabalha em prol de manter sua própria flexibilidade, ficará enrijecido, "enferrujado", tenso e dolorido, muito antes da terceira idade bater em sua porta.
Concluindo, o alongamento deve ser uma prática regular, realizada sem outro objetivo principal a não ser aumentar ou manter a flexibilidade saudável e natural do corpo. Portanto, o recomendável e o ideal é que, para o ganho de flexibilidade, as pessoas pratiquem o alongamento como opção individual de exercício físico, sem condicioná-lo a outras práticas, como musculação, exercício aeróbico, dança ou outros esportes.
A polêmica gira em torno da realização do alongamento antes ou depois do exercício físico. Antes de falar sobre isso, é importante que não radicalizemos a prática, sob pena de levar algumas pessoas a acreditarem que ela não é necessário ou útil para a saúde e a estética.
No que diz respeito à utilização desse recurso fisioterapêutico, como pré ou pós requisito de uma prática outra qualquer, como por exemplo, a musculação, temos que levar em consideração que, quando alongado, o músculo responde com menos capacidade de gerar força. Portanto, se o praticante pretende realizar exercício que envolva carregamento de carga (ou peso), o alongamento não é uma obrigatoriedade anterior e quando realizado deve ser feito com pouca intensidade, sob pena de diminuir a capacidade muscular de levantamento de peso.
Quando a prática da musculação encerra, o alongamento passa a ser benéfico e extremamente importante para o relaxamento do músculo sobrecarregado com a carga. Isso deve ser feito para evitar o encurtamento muscular permanente e excessivo que gera a dor e o aspecto de membro congelado. Nenhuma atividade física pode ser radicalizada. Por isso é tão importante o acompanhamento e avaliação de um profissional.
Quem abandona o alongamento, deixando de lado a importância de cuidar desse aspecto muscular, acaba gerando o encurtamento de seus músculos, o que resulta em uma desestabilização da postura, uso inadequado de outras fibras musculares que são acionadas para compensar a falta de flexibilidade, aumento das incidências de câimbras e dores de repouso e prejuízo na performance corporal, como um todo - tanto nas práticas esportivas quanto na movimentação do corpo em geral.
Pense em uma pessoa dançando. Há quem tenha ginga e jogo de cintura e há aqueles durões, que parecem bonecos movidos a pilha. A relação é a mesma entre o indivíduo devidamente alongado, que quer praticar esportes, e a pessoa encurtada, que resolve realizar atividades físicas. A tendência do segundo se machucar ou desistir do esporte é muito maior.

A autora é fisioterapeuta

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