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Na contramão da gestão empresarial

Sidney Aguiar
| Tempo de leitura: 2 min

OBrasil tem vivido dentro da gestão empresarial alguns contrapontos que têm causado muitas turbulências corporativas na gestão dos negócios empresariais. Vivíamos, até pouco tempo, um padrão corporativo local e de relacionamento próximo. A inserção do padrão americano de gestão empresarial tem ocasionado certos desconfortos e, em alguns casos, desequilíbrios na gestão empresarial. Quando praticava-se a política regionalista ou "bairrista", as empresas tinham profissionais mais comprometidos e mais dinâmicos na resolução dos problemas. Isso, de certo modo, era o principal motivo do crescimento e expansão destas. Entretanto, as empresas que decidiram implantar o padrão americano de gestão têm encontrado dificuldades de gerir seus negócios de forma eficiente como antes.
O padrão americano de gestão empresarial consiste em estabelecer dentro das organizações empresariais um sistema de governança corporativa independente. Dessa forma, o conselho de administração delega a uma diretoria a responsabilidade de gestão das empresas. Geralmente, essa diretoria independente é formada por executivos (CEOs) ou gestores vindos de origens diversas, sem ser das bases funcionais das companhias.
No padrão local, a governança é atribuída a executivos oriundos dos níveis de bases das organizações, que, para os padrões das empresas brasileiras, seria o mais indicado, pelo nível cultural.
Em uma comparação entre os dois modelos, precisamos levar em consideração, entre outras coisas, o nível cultural da estrutura funcional da empresa e das comunidades do entorno. Em muitos casos, o padrão americano tem deixando empresas sólidas em "confusão" ideológica no tocante às políticas corporativas. Por outro lado, algumas que resistem à tendência e ainda mantêm sua velha política regionalista, têm conseguido manter-se forte e consolidada com grande êxito na gestão corporativa. Exemplos dessa antiga e boa política corporativa podemos observar em duas grandes empresas da região, a Duratex S/A e a Lwarcel Celulose, que ainda mantêm viva essa prática, onde seus principais executivos veem das bases funcionais dessas organizações e conhecem todo o sistema tecnológico e funcional delas. Na Duratex, pela primeira vez desde sua fundação, o presidente da companhia é um profissional de carreira da própria empresa que iniciou suas atividades na região, trabalhando nas unidades florestais de Lençóis Paulista e Agudos. A Lwarcel Celulose é outra companhia cujo principal diretor é um profissional de carreira da própria empresa com vasto conhecimento dentro da corporação.
Os controladores de grandes conglomerados empresariais estão optando em não deixar seus empreendimentos nas mãos de profissionais voláteis e em alguns casos inexperientes e aventureiros. Estão entendendo que é muito mais vantajoso promover seus executivos de carreira da própria empresa do que arriscar-se em uma tendência altamente instável para os padrões brasileiros. É controverso aplicar uma metodologia americana, que incorpora uma cultura totalmente diferente da brasileira em um sistema de gestão empresarial ainda em fase de desenvolvimento e com uma cultura corporativa regionalista.

O autor é especialista em sustentabilidade corporativa, autor técnico e colaborador do JC

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