Éder Azevedo |
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Estudantes fizeram seus bandejões e reivindicaram número maior de refeições |
Após mais de 20 anos de reivindicação estudantil, finalmente o Restaurante Universitário (RU) do câmpus da Unesp de Bauru virou realidade e entrou em funcionamento no final da manhã de ontem.
O prédio, que foi erguido em um terreno na frente do Anfiteatro “Guilherme Ferraz”, já estava pronto desde 2012, mas ficou parado por três anos devido à falta a licitação dos fornecedores e laudos de vistoria da Secretaria da Vigilância Sanitária Municipal e Corpo de Bombeiros.
De acordo com o diretor administrativo da Administração Geral, Cláudio De Martino, inicialmente serão servidos 300 almoços diários para estudantes, professores, servidores técnicos administrativos e visitantes, no caso palestrantes.
“O número de refeições foi uma sugestão da reitoria e pode aumentar, mas depende da situação orçamentária e a demanda ser comprovada para a reitoria”, afirmou.
O valor da refeição para alunos de graduação é de R$ 3,00; para os de pós-graduação e servidores técnicos é R$ 5,00. Já os técnicos administrativos pagam R$ 7,00, e docentes e visitantes, R$ 8,70. “O preço foi estabelecido pela comissão e houve um estudo de todos os câmpus da Unesp em relação aos valores que eram comercializados. Discutimos e chegamos em um consenso para ser esses preços”, informou o diretor.
O pagamento é feito diretamente no Departamento de Finanças da Unesp e cada um recebe um cartão magnético. “O cartão possui um cadastro e a pessoa recarrega o valor que corresponde a um determinado número de refeições. Há uma catraca no RU e a entrada é mediante a aprovação do cartão”, explica.
Cardápio balanceado
Segundo a nutricionista da Unesp Thayane Carla Rodrigues Costa Caobianco, que participará do planejamento e execução do cardápio, além da realização do controle nutricional, o cardápio é balanceado. “Tem arroz, feijão, salada, uma guarnição, uma mistura, uma fruta, uma sobremesa e um suco. Hoje, no primeiro dia, servimos strogonoff de frango, arroz, feijão, batata palha, alface, tomate, pepino, bolinho de chocolate e suco de abacaxi”, disse.
Os almoços serão feitos por uma empresa terceirizada, que disponibilizou sete funcionários, entre cozinheiros, auxiliares de cozinha e mais uma nutricionista.
“Era para termos quadro próprio de funcionários, mas por questões de gestão da reitoria foi sugerido que o serviço fosse terceirizado. Fizemos licitação e contratamos essa empresa por um contrato de um ano, passível de ser prorrogado por cinco. Esperamos que tudo aconteça da melhor forma e que os alunos gostem”, finaliza Martino.
Um marco
Para a professora Dagmar Hunger, diretora da Faculdade de Ciências e presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), o início das atividades é um marco histórico para a universidade. “Depois de anos esperando, nós começamos as atividades do restaurante e esperamos atender toda a comunidade do nosso câmpus, sejam professores, estudantes, e técnicos administrativos, como parte da política de permanência estudantil. Espero que a empresa terceirizada corresponda às expectativas. Estaremos avaliando e analisando para pensar em perspectivas”.
O estudante de biologia Rafael Ottonicar, de 19 anos, elogiou o fato de ter o RU na universidade. “Uma iniciativa ótima e quero aproveitar bem. Já tínhamos o restaurante terceirizado, mas é muito bom saber que podemos pagar barato por uma refeição oferecida pela universidade. Comprei para a semana toda e vou avaliar a comida.”
'Queremos mais refeições'
Antes da abertura do restaurante, estudantes de diversos cursos colaram cartazes na fachada do prédio e entregaram panfletos para reivindicar um número maior de refeições.
Segundo eles, existem 6.693 pessoas envolvidas no câmpus de Bauru e as 300 refeições atenderiam apenas uma pequena parcela.
“Iremos fazer um trabalho de conscientização enquanto os alunos vierem almoçar, pois acreditamos que o restaurante universitário é uma conquista do movimento estudantil. Lutamos pelo aumento das refeições e somos contra a terceirização dos funcionários que estão trabalhando. Além disso, queremos um restaurante noturno, o café da manhã e somos contra as punições”, afirmou a estudante de psicologia Júlia Ferreira, de 22 anos.
O estudante de jornalismo Lucas Zanetti, de 19 anos, é do período noturno e disse que se sente prejudicado com o número limitado de almoços.
“A maioria dos cursos é noturno e lutamos para que se possa ter refeição para os noturnos também. Foram feitas pesquisas de demanda que mostravam um número maior que 300 refeições”.
O diretor Cláudio Martino alega que para ter jantar teria que abrir outro processo licitatório. “Além da licitação, precisamos de comprovação da demanda dos estudantes noturnos. Tudo depende da autorização da reitoria e o orçamento suficiente para subsidiar”.
Ele também informou que, apesar de tanto solicitarem o aumento do número das demandas, as 300 refeições não foram vendidas no primeiro dia. “Questionam o número de refeições, mas não foram vendidos todos os almoços.”
