João Rosan |
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Nível da lagoa do Batalha caiu 10 centímetros em 24 horas, produção já é menor e reservatórios também são afetados; problema afeta toda a cidade
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O aumento do consumo de água provocado pelas temperaturas recordes dos últimos dias, associado à ausência a de chuvas regulares, traz à tona, novamente, o temor da falta d’água em Bauru. Cerca de 40 dias após o fim do rodízio, voltou a cair, ontem, o nível da lagoa de captação do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de 150 mil pessoas. A queda levou o índice a 2,5 metros, sendo que a marca ideal é de 2,6 metros.
O nível adequado vinha sendo mantido desde o mês de novembro, mas redução de 10 centímetros se deu em apenas 24 horas, segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE).
O rebaixamento da represa já afeta a produção e o volume de água tratada caiu de 530 para 430 litros por segundo. Até o fechamento da edição, a autarquia ainda não sabia se a rápida chuva registrada em alguns pontos da cidade na tarde de ontem havia ou não colaborado para reverter a situação.
O rio Batalha abastece os bairros da zona Sul, do Centro e das regiões da Bela Vista e da Vila Falcão. Contudo, de acordo com o DAE, toda a cidade pode ser afetada pela falta d’água.
Isso porque o aumento do consumo, provocado pelas altas temperaturas, está comprometendo também os níveis dos reservatórios de águas subterrâneas. Além disso, ontem, a produção de seis poços foi interrompida momentaneamente por conta de quedas de energia. (Leia mais abaixo)
Diante de todos esses fatores, ao longo dessa terça-feira, o DAE recebeu 107 reclamações por desabastecimento. Os pedidos de caminhão-pipa chegaram a 26. As demandas partiram, prioritariamente, das regiões da Vila Universitária e Jardim Infante Dom Henrique e do Geisel e Redentor.
ALERTA
Giasone Cândia, presidente do DAE, diz que o problema é sério e, por esse motivo, logo no início da tarde sobre os riscos de desabastecimento. “Não estamos conseguindo fornecer água conforme a demanda. Em um calor de 38 graus [temperatura recorde em 27 anos], o consumo aumenta demais”.
Como forma de evitar um novo rodízio, ele ressalta que o uso consciente e racional da água se faz necessário, evitando-se hábitos ainda comuns, como banhos longos, lavagem de carros e calçadas com mangueira e lavagem de louças com a torneira aberta initerruptamente.
O presidente da autarquia lembra ainda que, nas residências nas quais não há caixas d’água, o desabastecimento pode durar ainda mais. De acordo com a recomendação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o volume de água reservado para uso doméstico deve ser, no mínimo, o necessário para 24 horas de consumo normal.
“A maioria das residências não têm. E, em muitas onde há caixas d’água, elas não são suficientes para o número de pessoas que vivem nelas”, pontua Giasone.
Lei Antidesperdício recebe só 7 denúncias
A população de Bauru parece estar pouco atenta ao uso irracional e exagerado da água. É que, desde dezembro, quando entrou em vigor a lei municipal antidesperdício, apenas sete denúncias de munícipes foram registradas pelo DAE.
Do total, três culminaram em notificações aos infratores, medida que antecede à aplicação de multa de 50% referente à conta pelo consumo de água: uma lavagem de calçada, na Vila Universitária; uma lavagem de telhado na Vila Independência; e um vazamento em caixa d’água, na Bela Vista.
Quanto às demais denúncias, o DAE alega que fiscais foram enviados aos locais, mas não houve tempo hábil para o registro dos flagrantes.
A autarquia informa, porém, que, durante a vigência do rodízio de água, entre os meses de setembro, outubro e novembro do ano passado, recebia dezenas de denúncias por dia sobre casos flagrantes de desperdício.
O presidente Giasone Cândia pondera que o zelo e o consumo racional devem ser constantes, até mesmo pelo fato de o desabastecimento não ser um problema pontual de Bauru. “Infelizmente, está atingindo todo o Estado”.
Por outro lado, o DAE tem sido alvo constante de críticas, especialmente por conta dos problemas com vazamentos. As perdas, em Bauru, chegam a 49% do total produzido.
Em curto prazo, a autarquia pretende entregar mais seis poços profundos. Em médio, há a expectativa de implantação das medidas previstas pelo Plano Diretor de Águas (PDA), que incluem um novo ponto de captação no rio Batalha, setorização da rede e a reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA).
Seis poços param por queda de energia
Se não bastasse a queda do nível da lagoa de captação do rio Batalha e o baixo nível dos reservatórios abastecidos por água subterrânea, seis poços deixaram de produzir durante a terça-feira por conta de quedas de energia na cidade. (Leia mais na página 4). As interrupções duraram, em média, cerca de uma hora, segundo o presidente do DAE, Giasone Cândia.
“Infelizmente, ocorrem esses problemas que também fogem da nossa alçada. Sem dúvida alguma, essa situação também afetou a oferta de água à população de alguns bairros”, confirmou.
A queda de energia nos poços Lotes Urbanizados/Vargem Limpa e Zona Norte prejudicou o abastecimento na Vila São Paulo, Bauru 1 e Jardim Ivone.
Vânia Maria, Distrito Industrial 3, Roosevelt e Gasparini também foram afetados pela interrupção de operação dos poços Caic e IPA.
O problema também atingiu o poço Cruzeiro do Sul, prejudicando o Geisel e o Redentor. Outra parte do Geisel, bem como a região próxima ao Bauru Shopping, foi afetada pela queda da energia no poço Niceia.
Serviço
O DAE disponibiliza caminhões-pipa, caso necessário, através do 08007710195, que recebe só ligações de telefone fixo, 24 horas por dia, ou pelo 3235-6140 e 3235-6179 para ligações feitas por aparelho celular, apenas em horário comercial.
Para denúncias contra a Lei Antidesperdício, o telefone é o 3235-6123 ou o 0800 da autarquia. Podem ser punidas as pessoas que lavam calçadas ou molham ruas com uso contínuo; mantêm torneiras, canos, conexões, válvulas, caixas d’água, reservatórios, tubos ou mangueiras eliminando água continuamente; lavam carros em vias públicas.
