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Educação política no ensino médio

Rodolpho Pereira Lima
| Tempo de leitura: 3 min

João Doria Jr, empresário e jornalista, publicou no jornal Folha de São Paulo (5/1, pág. A3), artigo intitulado "O maior desafio de 2015". Inicia o autor afirmando que, anos de convívio com políticos de quase todo o espectro partidário e empresários dos três setores da economia, em foros para encontrar medidas adequadas à aceleração do desenvolvimento, o levaram a convicção de que as reformas políticas e tributárias não podem ser realizadas de forma estanque. Ressalta que, para quem acha que o bloco da economia precisa liderar o desfile, refleta sobre a pequena lição que Maurice Duverger, renomado estudioso francês, nos ofereceu em uma de suas históricas passagens pelo Brasil: "O Brasil só será uma grande potência no dia em que for uma grande democracia; e só será uma grande democracia no dia em que possuir partidos em sistema partidário forte e estruturado".

Daí a inferência: as democracias contemporâneas devem garantir a promoção da cidadania, tarefa indissociável de padrões políticos regulados por princípios éticos e morais. Pois a elaboração do nível de vida das populações precisa ganhar correspondência na melhoria de práticas políticas, que requer um sistema político depurado dos vícios que herdamos. Esclarece também: "A decolagem do Brasil depende, portanto, do impulso a ser dado pelas duas reformas. Elas se integram na perspectiva de arejamento e dinamismo da vida social pelo conforto econômico e pela ampliação do nível de conscientização política.

A leitura desse artigo, me fez evocar o meu livro "Câmara Municipal de Bauru/SP - Meus dois mandatos de vereador". No prefácio, informo que o objetivo da publicação do livro não foi registrar apenas os acontecimentos ocorridos durante os mandatos, mas também encampar a defesa que o saudoso professor Sólon Borges dos Reis fazia sobre a necessidade da educação política das novas gerações.

Afirma o professor Sólon, que, no complexo da educação integral, a educação política entre nós constitui uma lacuna e não pode ser negligenciada impunemente, pois, além de sustentáculos em si mesma, a educação política é também instrumental na medida em que afeta tudo o mais. Comporta acrescentar, no livro "Convite à Filosofia" (Editora Ática/ 2005), a autora Marilena Chauí, afirma: "Nos vários usos de sentidos da palavra política, não é raro ouvirmos dizer: ?lugar de estudante é na escola, na sala de aula e não na rua fazendo passeata ou que: ?estudante estuda não faz política?. Mas também ouvimos o contrário: ?os estudantes estão alienados, não se interessam por política?."

Daí a necessidade de fazer constar no currículo do ensino médio a disciplina "educação política" para a formação das novas gerações. Como dizia Sólon Borges dos Reis: "A ditadura, quando se implanta, é rápida. O governo pensa e decide, imediatamente, pelo povo. Descarta-se, desde logo, a liberdade. A participação é suprimida. O cumprimento do dever é exigido de forma autoritária. Se quisermos o aprimoramento das instituições, a implantação e a consolidação de um regime democrático, temos que organizar e dinamizar a educação política das novas gerações".

O autor, 84 anos, é professor aposentado

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