Tribuna do Leitor

Feliz Enem Novo


| Tempo de leitura: 3 min

    A tela maldita, também conhecida como televisão, exibiu por um bom tempo o Show do Milhão, um programa apresentado pelo Homem do Baú, não se trata de Johnny Depp metamorfoseado em Jack Sparrow, mas de Sílvio Santos, o dono do SBT! No programa, pessoas batalhavam, sonhavam, ridicularizavam-se pela quantia de vil metal prometida: Um milhão de reais!
Entretanto, se um milhão de reais é dinheiro alegórico, eufórico, categórico, o que  dizer de meio milhão de pessoas tirando nota zero na prova de redação do Enem? Sim, imaginariamente, a população de Bauru, Agudos, Piratininga Pederneiras e Jahu (agora com H) foi  declarada "um zero à esquerda!". O que a Esquerda tem a ver com isso? Muito, segundo José Simão, "No Brasil, nem a Esquerda é direita!". O Governo, que se declarou à esquerda em dias não tão distantes, não quer saber de Educação, aliás, como a maioria dos governos desta Pindorama Macunaímica! Será que um dia veremos livros livres? Pessoas a ler por todas as partes, um brasileiro receberá um Nobel? "Deus me Livro!", diria o raro e caro Padre Ricci, ou decretaria: "Fica conosco, Senhor!", em suas missas que são verdadeiras aulas de interpretação!

  A verdade, se é que ela existe, é que não é interesse dos homens públicos que o público se torne público, o livro é privado, a privatização do leitor é de longa data, jogaram o povo na privada e não lhe desejaram a ?Merda? do teatro de Paulo, Thiago e Talita Neves, deram descarga e o povo se foi no esgoto escroto sem educação! "Um país se faz com homens e livros!", mas não esta terra, Monteiro Lobato, seu sítio virou site e seu pica-pau amarelo foi trocado pela Peppa, Patati Patatá, desculpe-me, escriba de Taubaté, o Visconde de Sabugosa foi visto no Rancho da Pamonha, mas segundo Criolo vociferou: "Pois o mundo real não é o Rancho da Pamonha e, pode crer, mais de quinhentos mil manos, pode crer também, o dialeto suburbano..." É, Criolo, não existe redação em BR, só Lava-Jato, os "mais de quinhentos mil manos" tiraram zero no texto, bróder, texto sem pretexto totalmente fora do contexto!
A pergunta que não quer calar é: de quem é a culpa? Das escolas? Dos professores? Dos alunos? A culpa não tem desculpa, a leitura é, enganosamente, tortura e o caminho do inculto é a sepultura. O zero do Enem é culpa de todos, minha, que não escrevi e nem li mais, das escolas que não exigem livros, dos games que se tornaram "jogos vorazes", dos celulares, que criaram Homo Celularis, a "culpa é das estrelas", que se vendem em novelas, BBB, funks, pseudomúsicas, stand-up, dos professores que não querem ensinar com medo de educar! A culpa é das livrarias que cobram "os olhos da cara" por livros, com isso, os cidadãos passam a não ter olhos na cara para lerem!
Mestre José Saramago disse que "somos todos escritores, a diferença é que uns escrevem e outros, não! " 
Não se escreve mais, copia-se, fotografa-se, googleia-se! Por isso, você já cobrou seu filho hoje? O que ele leu? O que ele escreveu? O zero na redação do Enem não foi preocupante, foi trágico, caótico, catastrófico, que as mal traçadas linhas sejam substituídas por introdução, desenvolvimento e conclusão! O mundo já foi Millor, por isso um poema:
Poemeu Nulo
Vocês acham que sou zero.
Não me zango,
Sou sincero.
Se pra vocês o zero é zero
Eu ponho o zero onde eu quero.

Prof. Sinuhe Daniel Preto - sentindo-se um zero à direita, à esquerda!

Comentários

Comentários