Luiz Augusto Daidone |
|
|
Preocupante: O sistema, que abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo, está em queda consecutiva desde o dia 11 janeiro |
O Cantareira foi o único sistema entre os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo a reduzir a sua capacidade. De acordo com o boletim divulgado pela Sabesp, o nível do Cantareira baixou 0,1 ponto percentual em relação ao índice do dia anterior e opera com 5,2% de sua capacidade ontem.
O sistema, que abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo, está em queda consecutiva desde o dia 11 janeiro, quando operava com 6,6% de sua capacidade - que já inclui a segunda cota do volume morto (água do fundo do reservatório que não era contabilizada).
Com a chuva de anteontem, o sistema acumulou 25,9 mm de água, mas não foi suficiente para elevar o nível. Até agora, o manancial já acumula 90,8 mm de água - o que equivale a 33,5% da média histórica para janeiro (271,1 mm)
Um dos motivos é o “efeito esponja” que deve retardar a recuperação do reservatório. Com as represas esvaziadas, parte do solo argiloso que antes ficava submersa está agora exposta e seca. Na prática, as chuvas precisam encharcá-lo antes que ele consiga armazenar a água.
“O solo exposto dos reservatórios está muito ressecado, muito trincado. Vai demorar pelo menos um mês com chuvas constantes para que essa represa comece a encher novamente”, afirma Pedro Cortês, professor de Gestão Ambiental da USP.
O Cantareira registra ainda menos chuva nesse início de 2015. A primeira metade de janeiro trouxe cenário ainda mais pessimista do que era projetado por especialistas e governo: a quantidade de chuva nas represas e a vazão dos rios que poderiam socorrê-lo ficaram muito abaixo da média histórica, enquanto as temperaturas estão elevadas, um incentivo para maior consumo.
Já o nível do reservatório Alto Tietê, que também sofre as consequências da seca, subiu e opera com 10,4% de sua capacidade. O sistema abastece 4,5 milhões de pessoas na região leste da capital paulista e Grande São Paulo.
Ar-condicionado: o novo vilão
O chuveiro elétrico ficou para trás. Agora o novo vilão da energia elétrica é o ar-condicionado, apontado como um dos responsáveis pelo apagão que atingiu dez Estados e o Distrito Federal na segunda-feira. Naquele dia, a temperatura estava alta, acima dos 35ºC em São Paulo. Por volta das 14h30, na volta do almoço de muitos trabalhadores, a demanda de energia bateu recorde e ficou bem acima do programado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Na terça-feira, o consumo voltou a ficar acima das expectativas. “Nos últimos anos, houve um incentivo muito forte ao consumo de energia elétrica”, afirma o sócio da comercializadora Enecel, Raimundo Batista. Segundo ele, ao mesmo tempo que houve um incentivo para a compra de eletroeletrônico, a tarifa de energia também caiu com a medida provisória 579 - embora momentaneamente
Além disso, com a ascensão da classe média, o uso do ar condicionado se popularizou a ponto de deslocar o pico de consumo. Antes a demanda máxima de energia ocorria quando o brasileiro voltava para a casa e ligava o chuveiro para tomar banho. Agora o pico é no meio da tarde, quando o calor é maior e os aparelhos de ar-condicionado são ligados.
Nos últimos anos, o consumo de energia do setor residencial e comercial subiu bem acima do industrial.
