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Olhos atentos ao retrovisor

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Wagner Rodrigues Alves, que trabalha em uma concessionária local, lembra que ajustar a posição no banco faz toda a diferença antes mesmo de acertar o retrovisor

“As estatísticas demonstram que 60% dos motoristas que ocasionaram acidentes cortando a frente alegam não ter visto o outro veículo”, diz Augusto Francisco Cação, mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública e especialista em Gestão e Direito de Trânsito. 

 

A frase em questão é para ilustrar um assunto que interessa a todos os motoristas: como minimizar os problemas do chamado “ponto cego” no retrovisor do veículo na hora de dirigir. 

 

Para começar:  o que é um ponto cego? É aquele local que não vemos, devido à “obstrução de algum obstáculo”. 

 

No caso de um automóvel, os obstáculos visuais mais frequentes podem estar no próprio veículo, como  as colunas laterais das portas e teto, apoios de cabeça, para-choque, entre outros. 

 

Os ‘três amigos’

 

Os veículos são obrigatoriamente equipados com três espelhos retrovisores: o interno central para enxergar diretamente o tráfego que vem atrás (dá uma razoável visão traseira, mas não há como ver as laterais). E, por isso, existem os dois externos, um em cada lateral, no vértice inferior do vidro da frente. 

 

A finalidade é proporcionar relativa visão traseira, num leve movimento ocular, sem que se perca o campo de visão da frente. 

 

É justamente aí, nesse movimento, que o condutor pode ser traído pelo chamado ponto cego, se a sua posição não estiver ajustada.

 

Erro de utilização

 

“Nos espelhos laterais é que se encontra o maior erro de utilização, pois a grande maioria dos motoristas posiciona-os de modo a enxergar a lateral do próprio veículo e o tráfego atrás”, lembra Augusto Cação. 

 

“Isso aumenta a área considerada como “ponto cego”, aquela em que o motorista não enxerga o que vem atrás e na lateral”, esclarece. 

 

Ele lembra ainda que os espelhos são convexos (curvados) de forma leve, o que ajuda a aumentar a “visão perimetral, mas alteram a percepção de distância, fazendo com que os outros carros pareçam estar mais longe do que realmente estão. Por esse motivo, toda cautela é fundamental”.

 

Regulagem

 

Com ele concordam outros dois especialistas em direção consultados pelo Jornal da Cidade: o engenheiro Marcos Serra Negra Camerini, consultor do Auto Mercado do JC, e o professor de Direção Defensiva e Primeiros Socorros Wagner Luiz Rodrigues Alves. 

 

Para eles, não há dúvidas de que os retrovisores externos precisam mesmo ser regulados de forma específica, o que poucos fazem corretamente. 

 

“É comum vermos que as pessoas regulam os espelhos de forma que a lateral do carro apareça e sirva de referência visual de posição, o que dá uma falsa sensação de segurança. Isto é totalmente errado e desaconselhável. Em primeiro lugar, a lateral do carro nunca irá ultrapassá-lo e sempre estará no mesmo lugar, portanto, não precisa ser vista a todo o momento”, lembra Marcos Camerini. 

 

“Como o campo de visão do espelho é de um determinado grau e este é constante, se perdemos um espaço vendo nosso próprio carro não vemos o resto que nos circunda, não é lógico? Assim, deixamos de ter acesso à visão lateral onde passam carros, motos e pedestres. Criamos um ponto cego desnecessário e perigoso. O correto é regular o espelho do motorista estando este sentado na posição ideal de dirigir”, sentencia.

 

Forma correta

 

Para o professor Wagner Rodrigues Alves, o correto é “sempre regular o espelho do motorista com este sentado na posição ideal de dirigir”. “Muitos não dão importância, mas a posição do banco é fundamental para a regulagem dos retrovisores, e muitos também esquecem de regular o encosto de cabeça do banco.

Mas ele tem que estar bem próximo, isso é fundamental para o caso de uma colisão ou freada brusca”. 

É sempre aconselhável que cada motorista regule tanto o banco quanto os espelhos para sua posição de dirigir. Neste caso, espelhos elétricos são bem mais práticos. 

 

Uma boa dica para acertar a posição ideal e deixar o espelho em 90 graus é regular verticalmente, colocando a imagem de forma a ver paralelamente para trás. Comece fazendo o ajuste horizontal colocando a lateral do carro na imagem e depois abrindo-a para fora até que a lateral desapareça. “Nesse momento, atingimos o maior campo visual possível e aumentamos a nossa segurança e a dos outros”, diz Camerini.

 

Outra dica simples e bastante útil é regular o espelho para baixo na hora de fazer uma baliza, melhorando a visibilidade da guia. Com um espelho elétrico isso se torna mais simples e prático, e claro, evita-se com isso ralar as calotas ou as rodas. Espelhos elétricos também são práticos para carros compartilhados, usados por vários motoristas. 

 

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