Cultura

Livro reúne cartas de Carlos Drummond de Andrade & Alceu Amoroso Lima

Guilherme Sobota
| Tempo de leitura: 1 min

“Sinto pouca disposição para crer”, escreve Carlos Drummond de Andrade a um dos maiores intelectuais brasileiros católicos do século 20: Alceu Amoroso Lima - e essa conversa sobre a religião é um dos pontos mais interessantes do livro Correspondência de Carlos Drummond de Andrade & Alceu Amoroso Lima, organizado por Leandro Garcia Rodrigues, lançado pela Editora UFMG.

Na primeira carta enviada por Drummond, em janeiro de 1929, o poeta, perante o já respeitado crítico literário Amoroso Lima (que usava o pseudônimo Tristão de Athayde), revela: “Sou dos maus, dos piores católicos que há por aí. (...) admiro e quase que invejo os que como V. deram uma solução definitiva a esse problema religioso que nós carregamos como uma ferida”.

Ao que o crítico responde, uma semana mais tarde: “Pois bem, a Fé é uma ferida quase crônica. Creia, é sentir toda a falta do mundo em torno de si, se bem que será também sentir o equilíbrio profundo em tudo”. A mera sugestão de que a crença não é um estado de tranquilidade profunda incomoda o poeta, que na tréplica, no início de março de 1929, diz: “mas então não sei o que se deva procurar na religião”.

Esse é só o início da correspondência que agora vem à luz, fruto do trabalho do professor do Programa de Especialização em Estudos Literários da PUC-Rio, especialista na obra de Alceu Amoroso Lima, Leandro Garcia Rodrigues. Com olhos de águia (a caligrafia da dupla, especialmente a de Amoroso Lima, é praticamente um código encriptografado), Rodrigues reuniu as cartas trocadas entre 1929 e 1982, um total de 132 documentos, entre cartas, telegramas e bilhetes.

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