Éder Azevedo |
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Adilson Caldeira, durante compras para a casa, percebeu que qualidade caiu e preços aumentaram: alface não é mais o mesmo |
O verão em Bauru sempre foi característico por altas temperaturas e excesso de chuvas. Porém, este ano a estação começou bem mais quente que as anteriores e houve até o registro da maior temperatura em 27 anos no dia 20 de janeiro, conforme o JC publicou.
A grande questão é que em meio a esse “calorão” a produtividade e a qualidade de vegetais, hortaliças e frutas que mais são consumidas no verão, começaram a ser afetadas. E o pior: os consumidores já conseguem notar a alta nos preços desses produtos nos mercados.
Mesmo com uma ou outra chuva recente, como a de ontem à noite, o prejuízo não muda. De acordo com o técnico operacional agrícola da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru, Augusto Remoli Filho, houve agora no início do ano perda de até 20% na produção de verduras e legumes que mais são vendidas nesta época.
“Está complicado plantar verduras por causa do calor. O produtor precisa fazer plantio no pôr-do-sol porque senão a verdura não aguenta. Antes a produção era bastante prejudicada pelo excesso de chuvas e queda de granizo. Agora, é o contrário.”
Nesta época do ano, segundo ele, o consumo de alface, chuchu, couve, rúcula e melancia, por exemplo, aumentam.
Assim, os preços acabaram oscilando no mercado devido a esse alto consumo e à baixa produtividade. “O aumento nos preços é inevitável já que a produtividade é menor, mas a procura permanece em alta. Entre a lista dos produtos que tiveram oscilação nos preços podemos citar o alface, a rúcula, a berinjela, o chuchu e a abobrinha, itens que foram afetados com as altas temperaturas. Já no setor das frutas, a melancia apresentou um aumento de 14,3%”, afirmou.
Qualidade cai
Essas mudanças na qualidade, quantidade e nos preços dos produtos já foi, sim, percebida pelos consumidores, como Adilson Caldeira, que é policial militar e faz as compras da casa.
“Semana passada percebi que o alface e a rúcula estavam piores e notei que os maços das hortaliças estão menores. Além disso, as folhas estão mais manchadas e, realmente, não estão mais bonitas. A qualidade caiu bastante e os preços aumentaram de duas semanas para cá”, relatou.
Miguel Ponce, que trabalha há mais de 20 anos como revendedor de abacaxi e melancia na Ceagesp, ressaltou a queda na qualidade e produção de seus produtos. “O calor fez com que eu tivesse perda de 25% na produção. A melancia ficou com a casca queimada e amarelada. O abacaxi também queimou e ficou uma mercadoria imprópria para o consumo. Visualmente fiquei com produtos que não serviam para o mercado devido à qualidade. Dessa forma, a safra ficou comprometida e o preço aumentou”, disse.
Consumo
Apesar do cenário apresentar prejuízos tanto para os produtores quanto para os consumidores, o engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) Regional Bauru, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, Luís César Demarchi, acredita que o calor não altera tanto o consumo desses itens.
“Apesar da queda de produtividade e o aumento no preço, acredito que o quadro de consumo desses itens de verão não irá modificar e as pessoas continuarão a procurar por esses produtos nesta época do ano.”
Previsão
Até ontem, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp, Bauru havia registrado 111 milímetros de chuva no mês de janeiro, o que demonstra um aumento de sete milímetros em relação ao que foi registrado em 2014 (104mm). Apesar deste ano o mês de janeiro ter chovido mais, como ocorreu à noite, houve o registro da maior temperatura em 27 anos, que foi 38 graus. Para esta semana, de acordo com o IPMet, a previsão é de que áreas de instabilidade sigam se formando em algumas regiões do estado de São Paulo, favorecendo a formação de chuvas com trovoadas isoladas no decorrer do período. Pelo menos até quarta-feira o tempo segue com variação da nebulosidade e com pancadas de chuva e trovoadas isoladas, que ocorrem principalmente a partir do período da tarde.
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