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Várias ocorrências e um mesmo modo de agir. Na calada da noite, com base em informações privilegiadas, ladrões invadem propriedade rural, afastam de duas ou três cabeças de gado do rebanho, matam e fogem em um caminhão levando as partes do animal que mais interessam para a venda. De 2013 até o início de janeiro deste ano 44 cabeças de gado foram furtadas, a maioria por meio dessa prática, na região de Bauru, que compreende mais 18 cidades. E Arealva (41 quilômetros de Bauru) entra para a lista como o município campeão em ocorrências, segundo o levantamento realizado pela delegacia Seccional (veja mais no quadro). Motivo este que levou cerca de 60 pecuaristas da cidade e de distritos vizinhos, como Santelmo e Jacuba, a se reunirem ontem para cobrar providências do Poder Público.
Durante a reunião, que foi realizada no salão paroquial da Catedral da cidade, anteontem, e reuniu representantes das Polícias Militar, Ambiental, Civil e Conselho Comunitário de Segurança Pública, os pecuaristas decidiram que a implantação do monitoramento na cidade, é uma das medidas primordiais para ajudar a coibir esses tipos de crimes, além de auxiliar a polícia nas investigações. Eles usaram como exemplos cidades como Duartina e Borebi, que já utilizam a tecnologia.
Um abaixo-assinado deve ser entregue, nesta manhã, ao prefeito da cidade pelo grupo.
Contrapartida
Representante dos pecuaristas, o produtor rural, Renato Lenharo, 44 anos, ressalta que o documento que será entregue ao prefeito solicita ao chefe do Executivo apenas a permissão para instalação, além da estrutura e recursos humanos por parte da prefeitura para que o monitoramento funcione. “Sabemos que município está com o orçamento apertado, mas já conversamos com todos e estamos dispostos a pagar do nosso bolso para ter esse sistema”, explica. Os equipamentos, segundo pesquisa feita pelo próprio grupo, custariam cerca de R$ 40 mil e seriam doados à prefeitura.
Além das entradas e saídas da cidade, as câmeras devem contemplar a região da praça de Arealva, que registra movimento intenso aos finais de semana.
“Não dá mais para esperar. Nesses últimos dois meses foram mais de vinte ocorrências. Eu mesmo já tive gado furtado duas vezes”, aponta Lenharo, comentando que, por conta da assiduidade dos bandidos, alguns proprietários já deixaram de registrar boletins de ocorrência.
O prefeito de Arealva, Paulo Padanosque (PSB), disse ontem ao JC entender e apoiar a iniciativa e, adiantou que marcará uma reunião para receber a proposta. “Que fique claro que a segurança Pública é dever do Estado. Não temos condições de comprar equipamento, mas, se conseguirmos a doação, acredito que teríamos condições de colocar alguém para monitorar”, afirma.
Subnotificação e prevenção
Cledson Luiz do Nascimento, delegado que responde pela cidade, também participou da reunião e, assim como o 3º sargento Marcos Pissoloto, da PM Ambiental e o capitão Marcelo Noronha, da PM territorial de Arealva, pontuou que a subnotificação dos casos à polícia tem sido uma das grandes dificuldades. “Os crimes devem ser registrados. Aliás, qualquer informação ou denúncia deve ser levada à Polícia Civil para que haja averiguação”, comenta Cledson. “Nosso planejamento prévio é feito em cima de estatísticas e dados concretos. Sabemos que nosso efetivo hoje é baixo, mas se não houver registro e troca de informações, fica mais complicado ainda solucionar”, completa Pissoloto.
Ele afirma que a Polícia Ambiental tem alterado suas rotas e horários de patrulha para tentar flagrar as supostas quadrilhas e que, junto aos pecuaristas, irá mapear o horário e locais onde os crimes estão ocorrendo para tentar ampliar o patrulhamento.
Como medida preventiva, Nascimento destacou ainda a importância da checagem dos antecedentes de funcionários antes da contratação efetiva nas fazendas da região e colocou a delegacia à disposição para tal verificação.
Aceituno Jr. |
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Reunião de pecuaristas com as Polícias Civil, Militar e Ambiental cobram mais segurança no campo |

