Política

UPAs fazem 36,9 mil consultas a menos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A crise da rede de urgência e emergência da Saúde em Bauru, provocada pela falta de médicos em UPAs ao longo do segundo semestre do ano passado, fez com que despencasse o número de consultas nessas unidades. Os números foram apresentados pelo governo municipal em audiência pública realizada ontem.

Em 2014, 264.188 atendimentos foram feitos pelas UPAs da Bela Vista, do Mary Dota, do Ipiranga e Geisel/Redentor. No ano anterior, foram feitas 301.158 consultas, uma diferença de 36.970 atendimentos.

Em termos percentuais, a redução não parece assustar tanto, por ter girado em torno dos 12%. Contudo, se agrava se considerado que durante o primeiro semestre de 2013 funcionavam apenas três UPAs, pois a unidade Geisel/Redentor só foi inaugurada no mês de agosto.

Os dados da Secretaria de Saúde mostram ainda que a demanda sem retorno por atendimentos de urgência e emergência não foi absorvida pelo Pronto-Socorro Central (PSC) ou pelo Pronto Atendimento Infantil (PAI). A quantidade de consulta nessas unidades cresceu apenas de 224.425 no ano retrasado para 227.167 em 2014.

Ainda assim, o leve aumento é digno de nota, já que o número de consultas no PSC e no PAI havia caído de 2012 (228.536) para 2013. Ou seja, houve uma inversão na tendência de redução de pacientes, que vinha sendo percebida desde a inauguração das UPAs.

Como alternativa para o déficit de médicos na rede de urgência e emergência, o município está contratando profissionais pela Fundação Regional de Saúde, que já atuam na unidade da Bela Vista e, em breve, devem assumir os plantões da Ipiranga.

 

Rede Básica

Uma boa notícia é a de que aumentou a quantidade de consultas médicas na rede básica, que consiste em 17 unidades entre postos de bairros e bases do Programa Saúde da Família (PSF). Após a queda de 218.405 em 2012 para 213.389 em 2013, o número chegou a 234.256.

“Foi muito positiva a vinda dos médicos cubanos [por meio do programa Mais Médicos], mas eles apenas neutralizaram o impacto dos profissionais que saíram da rede ao longo do ano”, observa o diretor do Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle da Saúde em Bauru, Pedro Luiz Pereira.

Ele aponta que, se considerados os atendimentos prestados por nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais e farmacêuticos, o total de consultas – consideradas multiprofissionais – foi de 270.499.

“Muito disso tem a ver com a implantação do sistema de informatização, que vem sendo alocado desde julho do ano passado. Aumentamos a nossa produtividade, mas também melhoramos o controle”, pontua Pedro.

Apesar do bom resultado para o ano, o número de consultas voltou a cair nos meses de novembro e dezembro de 2014. Em outubro, vale lembrar, entrou em vigor a lei que reduziu de 20 para 15 horas semanais a jornada básica de trabalho dos médicos da rede municipal. “Talvez alguns dados ainda precisem ser computados pelo sistema. Além disso, nesse período, aumenta o número de médicos em férias”, justifica o diretor de planejamento da secretaria.


Acolhimento

A partir de julho do ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde passou a contabilizar o número de pacientes que procuram a rede básica e não conseguem ser atendidos, recebendo apenas o “acolhimento” de profissionais das unidades.

No terceiro quadrimestre, foram 64.649, quase três vezes maior do que a quantidade de munícipes que consegue passar por uma consulta sem agendamento prévio: 24.138.

De setembro a dezembro de 2014, as 17 unidades da rede básica ofereceram 78.217 consultas agendadas e 16.631 programas (para pacientes que precisam de acompanhamento médico constante, como diabéticos e hipertensos).


FALA PACIENTE

"Você já ficou sem médico na UPA?"

Mary Dota

"Já precisei ir várias vezes à UPA e nunca fiquei sem médico. Sempre o atendimento foi muito bom e rápido. Não tenho do que me queixar." - Jurandir Antônio Pareleira, 65 anos, aposentado.

"Venho direto à UPA e, graças a Deus, sempre teve médico. O atendimento é bom e rápido. Pessoal atencioso, desde os médicos até os enfermeiros." - Alessandra Alves da Silva, 44 anos, Do lar.

"Vim várias vezes e, em todas, tinha médico. Mas o atendimento não é ótimo e, dependendo do médico, não recebemos atenção. Às vezes, nem olham na nossa cara." - Deisiane da Silva Cavalcante, 19 anos, vendedora.


Bela Vista

"Meu marido é diabético e, aos finais de semana, quando ele passa mal, tenho que trazê-lo na UPA. Na maioria das vezes não tinha médico e, quando tem, o atendimento é demorado e ruim." - Benedita Aparecida da Silva, 41 anos, chefe de cozinha.

"Sempre trago alguém da família. Todas as vezes tinha médico e o atendimento é melhor do que no Pronto-Socorro Central (PSC). Não tenho do que reclamar." - Maria Elvira de Paula Cavalieri, 32 anos, recuperado de créditos.

"Venho constantemente à UPA, inclusive de madrugada. Sempre tinha médico e o atendimento é rápido e supera o que recebemos no PS Central." - Flávio Jesus Galvão, 57 anos, motorista de circular.

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