Polícia

CPJ: inquéritos concluídos crescem

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Em abril deste ano, a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru completa dois anos de funcionamento. Ainda que apresente algumas deficiências quanto ao atendimento e investigação, a unidade é considerada pelo alto escalão da Polícia Civil de Bauru como um projeto de sucesso e que tornou mais eficiente os serviços da polícia realizados na cidade.

Dados da Delegacia Seccional apontam que, após a centralização no prédio da avenida Rodrigues Alves, o número de inquéritos policiais concluídos e remetidos ao Poder Judiciário em 2014 – ano em que a CPJ teve funcionamento pleno, segundo considera a corporação – cresceu até 20% se comparado aos números de 2012, época em que os quatro distritos policiais e as cinco delegacias especializadas do município funcionavam “a todo vapor” em prédios espalhados pelos bairros.

Além deste, outros números também subiram com a nova unidade, como os de inquéritos instaurados, flagrantes elaborados e registros de termos circunstanciados, para os crimes de menor potencial ofensivo (veja mais no quadro).

Queda

Em contrapartida, o número de casos esclarecidos na cidade caiu 20%, após a implantação da CPJ.

Fato que reforça a tese reconhecida pela própria Seccional, de que a unidade precisa evoluir mais quando o assunto é investigação.

“Melhorar a investigação e o atendimento são nossos grandes desafios para este e para os próximos anos. Hoje, acabamos trabalhando muitas vezes em cima de prioridades. Não temos pessoal pra tudo a todo o momento. Mas estamos encontrando uma forma de fortalecer mais as investigações”, comenta Ricardo Martines, delegado seccional da cidade.

Conforme o JC noticiou nos últimos dias, a Central de Polícia Judiciária ganhou nova coordenação. Seccional por mais de quatro anos em Lins, o delegado Luiz Roberto Saúd Bertozzo assumiu a unidade no lugar do delegado Roberval Fabro, que seguiu para atuar na corregedoria da corporação.

A mudança na CPJ veio acompanhada da implantação dos chamados pré-atendimentos. Dois estagiários dispostos no saguão da unidade, desde a última semana, tem orientado a população sobre como registrar boletins de ocorrência (BO) online e explicado o que pode ou não ser registrado na delegacia, na tentativa de diminuir a espera pelo atendimento, que em horários de pico chega a registrar espera de até quatro horas.

O próximo passo será o deslocamento de um segundo delegado para o plantão.

E, entre as promessas para este ano também está o fortalecimento e reforço das equipes de investigação.  

Deu certo

Meses antes de sua instalação, a CPJ recebeu diversas críticas tanto de moradores próximos ao local (quadra 23 da avenida Rodrigues Alves, na Vila Cardia) quanto de pessoas que moravam próximas aos antigos distritos policiais, que acreditavam que a saída a saída das unidades dos bairros ampliaria a insegurança.

“Inicialmente houve essa polêmica, mas os números demonstram que o agrupamento deu certo. Até porque os distritos, apesar de estarem localizados nos bairros, davam uma falsa sensação de segurança, pois funcionavam em horário comercial. Já a CPJ está localizada em uma avenida, que é corredor de ônibus, e funciona todos os dias vinte quatro horas”, salienta Ricardo Martines.

Ele destaca ainda que houve benefícios com a proximidade física entre as unidades policiais.

“Numericamente, a produção cresceu muito. A proximidade física entre a da Dise e a DIG foi uma das grandes sacadas. Porque grande parte dos roubos que acontecem em Bauru, hoje, são praticados para abastecer o tráfico de drogas. Com a CPJ, a troca de informações entre essas duas delegacias especializadas ficou muito mais rápida, o que tem colaborado nas investigações”, finaliza o delegado seccional de Bauru.


Demanda

Cada um dos 20 cartórios existentes na CPJ recebe, hoje, cerca de 55 BOs por mês, que viram alvos de investigação.

Por dia, são registrados cerca de 105 BOs na unidade, tanto pela população quanto pela Polícia Militar.

Inaugurada oficialmente em 25 de abril de 2013, a CPJ possui cerca de 150 policiais e 23 delegados e, aglutina os trabalhos antes realizados pelos quatro Distritos Policiais e pelas cinco delegacias especializadas da cidade: Delegacia da Infância e Juventude (Diju) Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) e Núcleo Especial Criminal (Necrim).

O prédio da avenida Rodrigues Alves, que é um espaço alugado pelo Estado, possui 4.300 m2 de área construída, com aproximadamente 100 salas divididas entre os três pisos.

João Rosan/Arquivo

Delegado seccional Ricardo Martines: fortalecimento das investigações é prioridade para 2015

 

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