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Desperdício

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Eis a palavra que rondará 2015 todo, um fantasma camarada a alertar, com cara de susto: "Desliga essa mangueira, menino! Olha o desperdício, moça!". Engraçado como temos a total consciência do que fazemos de errado, mas não atingimos a atitude da mudança.

Desde sempre ouço falar que o Brasil é o país do desperdício. Comentamos isso até com um certo orgulho velado. Do tipo "temos para gastar, e daí?...".

O problema é que, entre admitir que desperdiçamos (água, luz, tempo, amor, etc.) e mudar esse estado de coisas vai uma lonjura e tanto. Mudar hábito é algo que se constrói lentamente. É um processo longo de consolidação mental até virar ato.

Fora que ainda tem a derivação "consciência moral" (aquela íntima e inconfessável convicção do certo e do errado, especialmente quando conscientemente optamos pelo errado, mas fazemos vistas grossas).

Eu, por exemplo, sempre desperdicei água e luz. Pago. E daí? Daí que agora veio o puxão de orelha: vai faltar. E vai faltar pros meus filhos! E o que será dos filhos deles quando nada houver para ser desperdiçado?

Até deu (mas passou logo) a impressão de que problemas com água e luz surgiram da noite para o dia, mas não é verdade. Apenas se agravaram após anos e anos de desperdício e incompetência. E agora? Agora é regular as torneiras, apagar a luz, apertar os cintos e seja o que Deus quiser.

O autor é editor executivo do JC

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