Bairros

Secretaria de Saúde pretende intensificar a fiscalização

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

As visitas de casa em casa priorizam os bairros mais infestados pelos mosquitos. Segundo Daniel Tarcinalli, chefe da seção de ações do meio ambiente do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, a visita é feita a cada dois meses no mesmo imóvel, visando mudar o hábito do proprietário. As autuações vêm crescendo.

“A responsabilidade de manter o imóvel limpo e organizado é do dono da casa. O nosso papel é a orientação, mas, quando não há a adesão do munícipe, partimos para a fiscalização, que faz a autuação, dá um prazo para a limpeza e pode multar se a pessoa não colaborar”, esclarece. 

Ainda de acordo com Daniel, uma parcela significativa dos bauruenses é consciente, mas ainda há uma boa parte da população que não colabora e compromete a saúde dos vizinhos. “Coletamos pneus no fim de semana e encontramos gente jogando lixo nos terrenos baldios e, o pior, em lugares com Ecopontos perto. Esse tipo de ação também recebe autuação”.

Ferros-velhos, pontos de coleta de materiais recicláveis e moradias de pessoas que trabalham com a coleta seletiva também são alvos de fiscalização. A cada 15 dias ou um vez por mês, dependendo das condições do lugar, uma equipe do CCZ visita pontos como os mencionados. Conforme cita Daniel, muitas larvas de Aedes são encontradas e o trabalho está sendo feito há 3 anos.

“Mesmo assim, não conseguimos grandes resultados. Muitos dos locais mencionados fecharam e outros cobriram o depósito, o que é nossa intenção. Alguns cimentam o local, o que diminuiu o risco de leishmaniose. Mas a adesão é pequena, por isso a necessidade do acompanhamento para eliminar as larvas e conter um pouco a infestação”.

Outra forma de controle em uso recente pelo município são as armadilhas. Imóveis de grande circulação e permanência de pessoas, como postos de saúde, universidades e escolas também estão recebendo as visitas.

Paralelo a este trabalho, a Secretaria de Saúde tem equipes que trabalham com casos positivos: bloqueios (eliminação dos criadouros) e bloqueios de nebulização (aplicação do inseticida, usado em último caso, em locais de casos positivos de dengue). Ainda há o trabalho de educação em feiras e locais de grande circulação de pessoas, como o Calçadão da Batista de Carvalho. Contudo, alerta Daniel, a solução para a dengue é não deixar água parada. 

Bauru conta, hoje, com 118 agentes de saúde no combate a dengue (que também atuam contra a leishmaniose) divididos em 11 equipes. Apesar de avançar nas campanhas e resultados, para Daniel, seriam necessários mais uns 100 agentes para cobrir toda a cidade.


Quase toda minha família já teve dengue’

Não é difícil encontrar pessoas que possam falar sobre as dores causadas pela dengue. Andando pelos bairros da cidade, a equipe encontrou, facilmente, uma família que sabe bem o que é ter a doença. Moradores do Parque Primavera, vários integrantes da família Silva tiveram dengue no ano passado.

Lilian Aparecida da Silva é uma delas. “Minha mãe, meu pai e meu irmão também tiveram. Sem citar os outros parentes e demais moradores da rua. O problema é que muitas moradores não respeitam o bairro. Acredito que todo mundo sabe o que o lixo e a sujeira podem provocar, mas, mesmo assim, não se importam”.

Segundo a moradora da rua Nelson Tosoni Decarlis, o terreno ao lado do cemitério Cristo Rei e o terreno que abriga um campinho de futebol na quadra 5 da rua servem de ponto de descarte irregular de lixo para pessoas que vêm, inclusive, de outros bairros. O descarte ocorre à noite, principalmente. “A gente reclama quando vê o problema, mas ninguém se importa e, muitas vezes, somos ofendidos”, aponta.


O que fazer?

Do outro lado da cidade, os moradores do Mary Dota enfrentam o mesmo problema. Diariamente, terrenos baldios são usados como lixão. E a dengue faz parte da rotina de muitos deles.

“Coisa fácil é achar quem já teve dengue. Todo mundo sabe o que é certo e o que é errado, e mesmo assim isso ocorre. Eu, por exemplo, acomodo embalagens recicláveis para a coleta seletiva. Deixo tudo em sacos fechados e coloco na calçada no dia de coleta. Entretanto, nem sempre o caminhão passa. Esta é uma reclamação das pessoas. Acho que muitos jogam por aí por causa disso.  O que fazer?”, indaga a camareira Carmem Lúcia Rocha.

Quem também reclama do descaso da população é o motorista João Manoel Prates. “Enquanto existir esse relaxo, as coisas não melhorarão. Acho que precisamos de mais fiscalização”, aponta.


Denuncie

Em caso de descarte irregular de lixo e criadouros dos mosquitos, a vigilância sanitária pode ser acionada pelo telefone (14) 3103-8050. Um fiscal irá até o local. No caso de lixo depositado com veículo automotor, o ideal é anotar a placa para a aplicação da autuação. Os valores das multas variam de R$122 a R$4.800 .

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