Política

Viaduto: Centro melhor; já Nuno...

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

Éder Azevedo

Se nada der errado, a alça do viaduto estará concluída em três meses após ter virado novela

A partir de abril deste ano, se não houver “novidade” jurídica ou operacional, a primeira alça do Complexo Viário, no Centro de Bauru será entregue com a característica de aliviar o trânsito de veículos leves nas vias logo abaixo e acima da avenida Rodrigues Alves. Por outro lado, a opção deve “inflar” o tráfego na avenida Nuno de Assis, inclusive de caminhões.

Contratada coincidentemente no mesmo mês em que estará pronta para ser liberada (20 de abril de 1995), quando o então prefeito Antonio Tidei de Lima se comprometeu com o Complexo Viário junto à empreiteira Camargo Correa, a primeira alça elimina uma pendência viária que completa duas décadas.

A alça encerra a primeira parte do histórico que rotulou a obra como “Viaduto inacabado”. Faltará a segunda alça, que permanece com as fundações expostas ao tempo.

Para ser entregue, enfim, ao uso dos cidadãos, o viaduto Falcão-Bela Vista vai permitir a interligação dessas duas regiões da cidade sobre os trilhos do parque ferroviário, no Centro, mas com adaptações. Não há condições de utilizar a alça com trânsito em dois sentidos sem modificar o uso de uma parte da avenida Nuno de Assis. Será necessário implantar sentido duplo em um único lado, a partir da quadra 1 da Nuno (veja matéria).

Uma ponte sobre o rio Bauru seria a saída mencionada pelo governo. Mas não há recursos, neste momento, para essa transposição, segundo a Secretaria Municipal de Obras. Uma sondagem da estrutura em concreto que existe nas margens do rio Bauru será realizada para determinar qual a intervenção de engenharia mais adequada.

Rota

Do jeito que está, a primeira alça do Viaduto Falcão-Bela Vista vai ter reflexos relevantes no trânsito das avenidas Rodrigues Alves e Nuno de Assis.

“Quem hoje precisa cortar o Centro da cidade para sair do Gasparini e de bairros daquele lado, mesmo do Mary Dota, para acessar a região da Falcão e de seus bairros vizinhos, não vai precisar mais cair na Rodrigues Alves, cujo trânsito já é bastante significativo por causa das linhas de ônibus do transporte coletivo”, avalia o engenho de planejamento e sinalização do sistema viário da Emdurb, Aníbal Ramalho.

Além disso, ele aposta na mudança de rota para veículos de passeio que hoje circundam por ruas como a Cussy Júnior e 7 de Setembro, de um lado, e Primeiro de Agosto e Presidente Kennedy, de outro.

“Esse contingente vai poder pegar a Nuno de Assis e a maioria desse tráfego virá da alça da Rondon. Uma parte não vai precisar mais cortar as ruas do Centro, paralelas à Rodrigues”, acrescenta.

Assim, fundamentalmente, “a Rodrigues ganha alívio de tráfego e a Nuno de Assis terá trânsito mais intenso. Em particular, de veículo pesado, o que hoje é proibido pela Rodrigues, também vai ser deslocado para a Nuno de Assis”, reforça.

Em relação às necessidades de adaptação para a primeira alça, elas vieram acompanhadas da falta de planejamento.

O atual governo se esforçou na busca de recursos federais para concluir a primeira alça. Porém, o projeto não contemplou iluminação, acessos e transposição do rio Bauru para garantir uso em dois sentidos sem remendos.    

A utilização do novo viaduto depende da homologação de laudo sobre as condições estruturais, conforme solicitado pelo Ministério Público Estadual (MPE).


Intervenção fora do projeto original

Para garantir a utilização da alça do Viaduto Falcão–Bela Vista com trânsito em duas direções, a Secretaria Municipal de Obras está realizando intervenções viárias que não estavam previstas no projeto original. É que a alça foi concebida para ter mão única com duas faixas.

Uma segunda alça teria de ser construída, paralela a atual, para receber o trânsito no sentido inverso (Bela Vista-Falcão). A segunda fundação foi iniciada em 1997, por Izzo Filho, mas sem que a primeira alça tivesse sido concluída. Não há recursos para esta fase.

Com isso, a alça que está sendo finalizada vai permitir o deslocamento de quem vem da região da Vila Falcão e adjacências para o outro lado, assim como o inverso, mas com adaptações.

Trecho

Para acomodar o volume de veículos para quem vem de mais de uma direção dos diferentes bairros vizinhos ao outro lado da Marechal Rondon, a partir do encontro da avenida Nuno de Assis com a rodovia, a administração vai interferir em um trecho da avenida.

A Nuno terá de ter sentido duplo para quem vai da Falcão à Rondon, logo na quadra 1. “A alça única não comporta os dois sentidos. E entregar o viaduto só com uma mão o torna muito subutilizado. Para contornar isso, vamos instalar baia para quem vem pela Nuno da Rondon para a Falcão. Nesse trecho, a Nuno passa a ter duas mãos de direção até sua quadra 1, na entrada do Viaduto”, conta o secretário Sidnei Rodrigues.

O secretário reconhece que o ajuste não é a melhora saída, mas é a alternativa possível neste momento. “Vamos interromper o retorno ao final da quadra 1 da Nuno, para quem vem no sentido Rondon-Falcão. Impedindo o motorista de atravessar para o outro lado da avenida neste ponto, vamos desviar os veículos que vêm da Falcão pela Daniel Pacífico, com a abertura de entrada por baixo do Viaduto. Mas quem vem da Rondon terá de ir em faixa na pista contrária da Nuno, desde a altura da rua Inconfidência. Sem recurso para a ponte, essa é a saída para esta fase”, argumenta.


Alça receberá caminhões e 300 veículos/h

Os transportadores de carga, que hoje não podem cortar o Centro da cidade por proibição imposta para a utilização da Rodrigues Alves, devem acessar o novo Viaduto para se deslocar para demandas de idas e vindas tanto do lado da Falcão quanto dos bairros após a rodovia Marechal Rondon.

Esta é a previsão do engenheiro da Emdurb, Aníbal Ramalho. Sobre tráfego no trecho, o profissional aponta, a princípio, um volume de 150 veículos por hora, na média, por sentido de direção. “A estimativa inicial pode atrair outras demandas posteriomente. Mas, no início, cada sentido deve receber em torno de 150 veículos em média para contagem de oito horas diárias”, cita.

Fluxo maior

Na altura da Praça Espanha, entretanto, o tráfego deve ser ainda mais intenso. Além dos 150 veículos/hora que passarão a vir da Nuno, o trecho deve continuar comportando mais de 900 veículos/hora saindo do Viaduto Mauá.

“Na contagem de média de tráfego para 12 horas no sistema dos viadutos Mauá-9 de Julho, o volume vindo sobretudo da avenida Pedro de Toledo já ultrapassava 900 veículos no ano passado”.

Aníbal lembra que esse é o referencial apontado pelo Departamento Nacional de Trânsito para a exigência de semáforos. “E com este volume será necessário ter semáforo após o Viaduto Mauá-9 Julho e também na transversal, para a saída do novo viaduto”, menciona o secretário Sidnei Rodrigues.

Portanto, além das adaptações para acessos, a primeira alça terá de receber iluminação em todo o percurso de 1.200 metros, sinalizações de solo e semáforos.


Engenharia de tráfego

Consultado a respeito da formação de dois sentidos na Nuno de Assis, a partir da quadra 1, para permitir o acesso ao viaduto de quem vem da região da Rondon por esta via, o engenheiro de tráfego da Emdurb, Aníbal Ramalho, vê com restrições a medida.  

“Concordo que abrir o Viaduto novo ao uso sem duas faixas é torná-lo inoperante. Mas a saída segura para o acesso à alça nos dois sentidos é a transposição do rio Bauru próximo da quadra 1 da Nuno de Assis. Instalar uma faixa em sentido contrário na própria avenida gera preocupações”, aborda.

A questão, referenda Ramalho, é que a alça foi projetada para ter sentido único. “Isso cria uma terceira faixa em sentido inverso à Nuno de Assis desde a quadra 1 da avenida. A transposição é a saída natural, com maior segurança”, reforça.

O secretário Sidnei Rodrigues minimiza que a adaptação vai contar com tachões e sinalização, além da obstrução do retorno para quem está no outro lado da avenida.

Ele admite uma questão em aberto nessa proposta: “Quem errar a entrada na Rua Inconfidência não vai conseguir acessar o Viaduto pela Nuno. Nesse caso, com o fechamento do acesso sobre o rio Bauru quase na entrada do Viaduto, esse usuário terá de ir para a Falcão pelo antigo trajeto, acessando a avenida Daniel Pacífico”.        

 

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