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Contra ocupações, ruralistas instituem "gabinete de crise"

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

 Quioshi Goto/Arquivo

O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde: expectativa por adesões

Dez sindicatos rurais em aproximadamente 25 municípios decidiram criar um “gabinete de crise” para tentar evitar novas ocupações de terras em propriedades de Bauru e região. A decisão, tomada em reunião realizada na última sexta-feira, tem o apoio da Polícia Militar, incluindo a Polícia Ambiental e Patrulha Rural, segundo informou o presidente do Sindicato Rural do Estado de São Paulo em Bauru, Maurício Lima Verde. 

“Também temos a expectativa de contar com a participação da Polícia Civil e do Poder Judiciário. Trata-se de uma iniciativa inédita no Estado que poderá servir de modelo para muitas outras cidades”, acrescenta.

De acordo com ele, novas reuniões serão agendadas para as próximas semanas para começar a definir como estas ações de prevenção poderão ser desencadeadas. Líderes de movimentos, contudo, garantem que as ocupações não irão cessar.

Lima Verde afirma que as invasões que preocupam os ruralistas vêm sendo efetivadas por cerca de dez grupos dissidentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que atuam de maneira independente uns dos outros e com quem, segundo o presidente do sindicato, é difícil estabelecer diálogo. “Eles são profissionais de invasão muito bem articulados, que nada têm a ver com trabalhadores rurais ou mesmo com assentamentos já consolidados”, frisa.

Os principais alvos dos movimentos, além de Bauru, são as cidades de Avaí, Borebi, Duartina, Pederneiras e Piratininga.

Esta última, inclusive, foi onde ocorreu a ocupação mais recente na região, em meados de janeiro deste ano. Na ocasião, o acampamento Bandeirantes tomou a Fazenda Recreio.

“De tão audaciosos, mesmo com ordem judicial para a reintegração de posse, eles demoraram quatro, cinco dias para sair. E ainda colocaram fogo em parte de uma plantação de eucaliptos”, reclama. O líder do grupo, Antonio Carlos Lorca, nega a informação, garantindo que não houve qualquer incêndio no local.

Cronograma

Lima Verde diz, ainda, ter conhecimento de que estes grupos possuem um cronograma pré-estabelecido de ocupações ao longo de todo o ano. Com base nestas informações e a partir da experiência e da influência de órgãos como as polícias e o Judiciário, ele afirma que será possível estabelecer estratégias de trabalho que consigam evitar a entrada dos sem terra nas propriedades.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, a medida será adotada como resposta às sequentes ocupações que vêm sendo registradas na região, intensificando as tensões entre proprietários de terras e integrantes dos movimentos.  “Todos os produtores estão apavorados, sem saber o que fazer. Muitos têm armas e a gente fica preocupado com o que pode acontecer”, sustenta.

De acordo com Lorca, líder do acampamento Bandeirantes, as ocupações continuarão ocorrendo por serem um importante mecanismo de pressão para que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) agilize a desapropriação de terras que não estejam cumprindo sua função social. “Depois do Horto Aimorés, não assentaram mais ninguém. E isso já faz sete anos. Há um monte de fazendas irregulares na região e o Incra tem recursos. Agora, exatamente porque estamos nos mobilizando, disseram que vão voltar a vistoriar as áreas para fazer reforma agrária”, observa.

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