Thaís Pegoraro/Álbum pessoal |
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Recorde: Thaís pode ser a 1ª mulher do Brasil ao concluir as expedições em menos de dois anos |
Quem nunca ouviu alguém dizer: já que é para sonhar, sonhe alto. A bauruense Thaís Amadei Pegoraro, 36 anos, levou tão a sério a expressão que traçou uma meta literalmente elevada. Ela pretende escalar os sete cumes mais altos do mundo. O projeto deve ser colocado em prática em junho deste ano e, entre os desafios, está o temido e enigmático Monte Everest, com 8.850 metros de altitude.
No Brasil, somente uma mulher conseguiu a façanha. A médica Ana Boscarioli concluiu o desafio em 2013, após seis anos de tentativas. Já Thaís pretende cumprir a expedição em 15 meses, o que seria um novo recorde feminino no País.
Em janeiro, a aventureira de Bauru esteve no Monte Aconcágua, cujo significado é “Sentinela de Pedra” na língua quechua. A montanha, que fica na Argentina, é considerada a maior do mundo fora dos Himalaias. Dos 6.962 metros de altitude, ela cumpriu 6.650m, em 21 dias.
“Foi uma viagem experimental para se adaptar à altitude e reforçar o treinamento, além de ter sido fundamental para questões de planejamento e preparação”, contou Thaís. Na expedição, simples detalhes como uma pomada usada para lubrificar a narina e evitar sangramento e lenço umedecido, já que não é possível tomar banho, fazem toda diferença.
“Foi uma expedição de sucesso e reuniu muitos brasileiros. Apenas uma pessoa teve problema de saúde e precisou ser retirada do local de helicóptero”, lembrou. A prática do montanhismo é recente na vida de Thaís. Até dezembro de 2013, ela nunca havia praticado o esporte. Porém, a paixão e espírito aventureiro a acompanham desde criança.
“Era uma coisa que eu olhava e achava tão inusitado e ao mesmo tempo tão distante”, definiu. Depois que fez um curso de Coaching (que ajuda a pessoa a superar desafios) no Rio de Janeiro, onde mora atualmente, o interesse pela prática do montanhismo tomou proporções reais.
“Percebi que não se tratava somente de um sonho e que poderia ser algo concreto. Inclusive, transformador e que levasse uma mensagem às pessoas de que tudo é possível”. Thaís fez curso de escalada em rocha no Rio e, em junho do ano passado, de escalada em gelo na Bolívia. “Depois disso, tracei o projeto dos sete cumes mais altos do mundo”.
Altitude e frio extremo
A montanha mais alta que Thaís irá encarar é o Monte Everest, onde muitos já perderam a vida tentando chegar ao cume, que está acima de 8 mil metros. A bauruense explica que demora em torno de 60 dias para concluir a expedição.
“É o trajeto mais longo de todos. O trabalho de aclimatação é lento e é preciso subir e descer a montanha várias vezes para o corpo se adaptar”, explicou. Para ela, os dois mais difíceis depois do Everest são o William Mckinley, no Alasca, com 6.194 metros de altitude, e o Aconcágua.
“O primeiro pelo desafio logístico porque é complicado chegar no cume devido à região que é muito desértica. Sem contar que é a montanha mais fria do mundo. Já o outro (Aconcágua), pela mudança de clima. É preciso ter um emocional muito bem preparado para aguentar chuva, neve, calor, frio extremo”.
A palavra desistir, contudo, está fora do dicionário da aventureira bauruense. “Vou até o fim. Você precisa lidar com a dificuldade de forma consciente. Cerca de 70% do sucesso na escalada depende do trabalho mental”.
Patrocínio
Thaís está em busca de patrocínio para concluir o seu sonho e fazer história. Por enquanto, o que ela conseguiu foi auxílio médico, nutricional e de treinamento físico. Quem se interessar em patrocinar a aventura de Bauru pode entrar em contato com ela através do e-mail tpegoraro@hotmail.com ou acessar o site www.projetosete.com.br.
Medo de altura?
Por mais incrível que pareça, Thaís Pegoraro tem medo de altura. “Tenho muito medo. Mas vejo como um sentimento que ajuda a impor limites. O meu maior medo mesmo é não conseguir recursos para o meu projeto”, observou.
Se ainda falta apoio financeiro, sobra incentivo da família e dos amigos. “No Brasil, como o esporte não é muito praticado, existem muitos mitos. Mas por parte da minha família, em geral, sempre teve apoio e, claro, um pedido de cautela”, brincou.
Equipamento
O equipamento utilizado para escalar montanhas não é dos mais simples. Toda parafernália - que vai desde oxigênio engarrafado (usado no Everest, acima dos 7.500 metros, ponto conhecido como zona da morte), bota dupla, pluma (jaqueta com pluma de ganso para manter a temperatura do corpo), capacete, luvas -, custa em torno de R$ 18 mil a R$ 20 mil.
O desafio para levar tudo durante a expedição é ainda maior. “São em torno de 20 quilos nas costas. No Alasca, além disso, tem que carregar um trenó, ou seja, mais 20 quilos que você arrasta pelo gelo”, explicou Thaís.
