Éder Azevedo |
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Professor José Alfredo Ulson, chefe do Departamento de Engenharia Elétrica, com um dos gatos |
Acostumada a receber “bixos” (calouros) no início dos anos letivos, a Unesp Bauru vem convivendo, de uns tempos para cá, com mais bichos de verdade (cães e gatos, basicamente). Chegam de várias formas: abandonados pelos donos, fugidos das casas nos arredores ou até mesmo das ruas.
De acordo com o professor doutor José Alfredo Ulson, chefe do Departamento de Engenharia Elétrica e um dos mais engajados na causa animal na Unesp, o fluxo de animais circulando na instituição só aumenta.
“Quase todo dia chega um novo aqui. Temos em torno de 30 a 40 gatos e de 20 a 30 cães vivendo na Unesp”, afirmou ao JC em 28 de janeiro. O mês virou a situação fica mais desafiadora.
Ulson, que já tem 15 gatos em casa, contou que recebe a ajuda de alguns funcionários da universidade para cuidados com os animais, como alimentos e visitas ao veterinário, mas que isso não é o suficiente.
“Temos um grupo de ajuda aos animais, mas são poucas pessoas e é muito precário. Nós temos que dar dinheiro do próprio bolso para castrar, ir atrás de veterinário, comida. Até escala para dar comida aos bichos a gente tem”, declara
‘Moradores’
Segundo o professor, o trabalho feito pelo grupo não é para manter os animais na Unesp, mas às vezes, não há outra alternativa.
“A gente tenta achar lar para os bichos. Mas são poucos os que agradam e são adotados. Com o Centro de Zoonoses de Bauru (CCZ) lotado, acabamos devolvendo os animais aqui e eles ficam. Tem gato que vive aqui há mais de 10 anos”, comenta.
Para solucionar a situação, Ulson diz que ele e seu grupo estão procurando parcerias e tendo ideias de projetos.
“Vamos fazer um projeto com a extensão para conseguir dar um lar provisório aqui na Unesp e, depois, uma destinação para os cães e gatos. Também estamos providenciando um trabalho de conscientização dentro da universidade e nos arredores daqui para ver se conseguimos diminuir a incidência de abandono de animais”, afirma.
O chefe do departamento disse, ainda, que espera mais ajuda com a divulgação do problema. “Antes a gente fazia esse trabalho ajudando os animais, mas não divulgávamos. Espero que agora, com esse novo projeto, a gente alcance voluntários, alunos da Unesp. Tem bastante aluno que gosta de cães e gatos e quer ajudar, então vamos dar espaço a eles”, conta.
Martino: ‘Problema’
É assim que o diretor administrativo da Administração Geral, Cláudio De Martino, define a situação dos animais no campus. Segundo ele, existem fatores prejudiciais com o grande número de cães e gatos presentes nas dependências da Unesp.
“Não são todos que gostam de animais. Além disso, eles estão presentes em quantidade aqui e andam entre os alunos. Já aconteceu de gato subir no telhado, arrebentar o forro das salas. É um problema sério”, conta.
De Martino admite que ainda é pouca a ação para resolver o caso. “Fizemos reuniões com o grupo que cuida dos animais na universidade, liderado pelo professor José Alfredo Ulson, e eles até chegaram a elaborar um modelo de placa para a conscientização contra o abandono de animais. Mas outras ações não chegaram e agora estamos convivendo com o problema, esperando outras ideias”.
Mortes de gatos
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Éder Azevedo |
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A direção do câmpus também avalia e apura internamente os casos |
Segundo um funcionário da Unesp, que não quis se identificar, dois gatos foram encontrados mortos na quarta-feira, dia 28, próximos à marcenaria do campus. Mas, ontem, o próprio professor Alfredo Ulson atualizou a conta em oito gatos mortos desde o fim do ano – alguns, com sinais claros de agressão.
Antes, um servidor da Unesp já havia retirado parte dos animais do local e os levado a uma veterinária para uma necropsia, que apontou chutes, pontapés e pauladas como causa da morte. Os bichanos foram encontrados severamente machucados, com fraturas em várias partes do corpo e afundamento de crânio.
Foi feito um boletim de ocorrência denunciando as mortes. Maus-tratos a animais é crime e tem pena prevista pelo Art.32 da lei de crimes ambientais de detenção de 3 meses a um ano e multa. A direção do campus também avalia e apura internamente os casos.
(Colaborou: João Pedro Godoy)

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