João Rosan |
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Nico Mondelli (ao fundo, à esq.) apresentou um plano ao diretor da Cetesb Alcides Braga (à dir.) |
Reunião de quinta-feira (5) à tarde, na sede da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de Bauru, discutiu o futuro do aterro sanitário do município, instalado nas proximidades das Penitenciárias I e II. Laudo do órgão estadual concluído no mês passado aponta o esgotamento do local, que recebe 300 toneladas de lixo diariamente, e, neste ritmo, sem nenhuma movimentação, pode chegar ao limite nos próximos três meses.
O aterro sanitário bauruense é administrado pela Emdurb. O presidente da empresa municipal, Nico Mondelli, foi quem se reuniu com o gerente regional da Cetesb, Alcides Tadeu Braga. “Apresentamos uma proposta para manter o atual aterro por mais tempo. Para isso, será necessário fazer a reconformação e alteamento do aterro, que pode dar uma sobrevida, ajustando a compactação do lixo”, disse Mondelli. “A Cetesb fala em uma altura máxima de cinco metros para enterrar o lixo. A proposta que estamos fazendo atende a normal atual, e consistiria em mexer nas áreas que não estão nas cotas atuais, aumentado a vida útil de três a seis meses. É um paliativo”, pondera.
O aterro possui área de 200 mil metros quadrados (cerca de 27 quarteirões), e para fazer as alterações e dar um ‘respiro’ ao local a prefeitura precisará de autorização da Cetesb. “A Emdurb nos apresentou um projeto de readequação para dar sobrevida, mas a análise será feita por setores específicos da Cetesb em São Paulo. Em Bauru a gente recebe o projeto, mas quem vai analisar e dar uma resposta é a equipe de São Paulo”, confirma o gerente regional da Cetesb, Alcides Tadeu Braga.
Novo aterro?
Anexo ao atual aterro, uma área de 150 mil metros quadrados é opção para a Prefeitura de Bauru fazer uma ampliação e ganhar novo aterro por cerca de 20 anos. O entrave é que, além da Cetesb, o local precisa ser aprovado pela Aeronáutica, pois fica na rota dos aviões que pousam e decolam do Aeroporto Moussa Tobias (Bauru-Arealva). “Enviamos um pedido à Aeronáutica há cerca de um ano e até agora não obtivemos resposta. O comando da Aeronáutica fica no Rio de Janeiro e estamos esperando um parecer para saber se poderemos operar nesta área ao lado do aterro atual, o que nos garantiria cerca de 20 anos”, aponta o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
O Plano Municipal de Resíduos, finalizado em 2014, prevê que a maior quantidade possível de lixo deve deixar de ser aterrado, para ser reciclado ou passar por compostagem. “O ideal é reduzirmos o volume de material que é aterrado, criando uma central de tratamento de resíduos no aterro, onde haveria uma triagem, com o que vier que pode ser reciclado indo para as centrais de reciclagem, e ainda fazer a compostagem, aterrando apenas a sobra. Isso permitiria uma sobrevida grande para a área que for usada como aterro”, lembra o prefeito.
Tipo exportação?
Se o aterro atual não puder ganhar sobrevida e uma nova área não for liberada, restará ao município ‘exportar’ o lixo produzido em Bauru para aterros privados, em cidades vizinhas. “Existem quatro aterros particulares na região, em uma última hipótese é o que precisaremos fazer. Ainda não temos uma cotação de preço para isso, mas pode chegar a ficar mais barato do que pagamos para a Emdurb hoje”, menciona Rodrigo.
Atualmente, a prefeitura paga R$ 135,00 por tonelada recolhida, e mais R$ 67,00 de operação. Levar os resíduos para fora é algo que pode ocorrer já neste ano. “Um ponto positivo é que não comprometeríamos novas áreas em Bauru, até porque o município é pequeno em extensão territorial, e o local usado como aterro depois não pode ter mais nada, trona-se uma área sem uso, além do fato da cidade depender bastante de mananciais de superfície para o abastecimento de água”, reitera o chefe do Executivo.
Reciclagem
Aumentar o volume de material reciclado na cidade é uma das tarefas do poder público. Antes, eram 2 toneladas mensais com apenas uma central, número que subiu para 15 mil toneladas/mês com três novas centrais. “Mas ainda é pouco. Avançar na reciclagem é um passo importante para melhorar a sobrevida dos aterros”, aponta Rodrigo.
Sobre a quantidade levada diariamente ao aterro, de 300 toneladas, esse número era de 220 toneladas há aproximadamente dois anos, mostrando um aumento considerável. Com medidas como a reciclagem, a prefeitura espera que o volume caia em um terço no futuro – mas sem estipular prazo – passando dos 300 para 200 toneladas/dia aterradas.
O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, confirma ainda que irá na próxima semana a São Paulo para discutir o projeto de ‘sobrevida’ do aterro da cidade com os representantes da Cetesb na Capital Paulista, além de apresentar a alternativa de expansão da área, utilizando o terreno de 150 mil metros quadrados ao lado - que depende também da Aeronáutica.