Política

Nascentes estão na mira de secretaria

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Samantha Ciuffa

Jardim se licenciou da Câmara Federal para assumir pasta

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, visitou a região na sexta-feira (6). Após passar por Jaú, no período da manhã, esteve à tarde em Bauru, onde visitou a CATI e a APTA, concedendo entrevista em seguida ao Jornal da Cidade, no Espaço Café com Política.


Jardim foi reeleito deputado federal pelo Partido Popular Socialista (PPS), em outubro, e é secretário-geral da sigla no Estado e membro da Executiva do PPS Nacional. Em 8 de janeiro, tomou posse como secretário Estadual de Agricultura, convidado pelo governador Geraldo Alckmin, completando amanhã, portanto, um mês no cargo. Com sua ida para o primeiro escalão estadual, a vaga no Congresso ficou com Mendes Thame (PSDB), que era o primeiro suplente da coligação. Abaixo, os principais trechos da entrevista ao JC:


JC - Neste fim de semana o senhor completa um mês à frente da Secretaria. O que já foi possível fazer neste tempo e quais os próximos desafios?


Arnaldo Jardim - Entrei muito animado na Secretaria, e estou ainda mais agora. Reconheço que a Secretaria de Agricultura já teve um papel mais destacado no âmbito político e junto aos setores da agropecuário. Por outro lado, pude identificar bons funcionários e um grau de conhecimento acumulado nos nossos institutos. Fui à Estação de Citrus e há uma laranja que é totalmente avermelhada por dentro, por ter betacoroteno, que combate radicais livres e é anticancerígena. Isso pode significar uma revolução. Tem a tangerina sem caroço. Já em Ribeirão Preto e Jaú, vimos novas formas de plantio da cana de açúcar, que podem dar grande ganho de produtividade. Hoje (ontem), estive na APTA, em Bauru, e vi importantes pesquisas em vários segmentos, como combate à anemia de equinos, e novos laboratórios prontos para serem certificados. Neste começo de mês, tivemos uma situação na Secretaria, junto ao governador, para sancionar o Plano de Regularização Ambiental, que é o desdobramento do Código Florestal em nível de estado. O governador acatou os pedidos e sancionou, o que nos levará a um trabalho intensivo para implantar o Plano de Regularização Rural, significando melhoria nas matas ciliares, equilibrando produção e preservação.


JC - O senhor falou do setor da cana, que vive momento de grande dificuldade. Qual a perspectiva que a Secretaria tem neste segmento?


Jardim - Nós estamos começando a ver sinais de reversibilidade. Realmente é uma crise profunda, mas que não foi criada pelo setor. Não surgiu um novo combustível melhor que o etanol, nem uma praga que dizimasse os canaviais, e nem outra atividade que levasse o produtor a substituir a cana por outras atividades. Se não houve um fator ligado à produção, e nem em alternativa de combustível, o problema foi que o governo federal manipulou artificialmente os preços, levando a sequelas. Primeiro na Petrobras, que enfrenta vergonhosos casos de corrupção, que vem sendo revelados, e por um problema de gestão. Esse artificialismo nos preços trouxe um furo de caixa à Petrobras que prejudicou o etanol também. Recentemente, quando estava na Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, conseguimos a redução do PIS/Cofins, incluir o motor flex no ‘Inovar Auto’, e melhorar as regras de conexão para gerar energia através da biomassa, e aumentar ainda a mistura de 25% para 27% do etanol na gasolina. Agora, em um período mais recente, o governo reestabeleceu a Cide, após um grande apelo nosso. A Cide incide apenas na gasolina, e isso dá vantagem ao etanol, que tem que ter essa vantagem por não ser poluente, gerar muito mais emprego e de ser produzido totalmente no Brasil, podendo até exportar no futuro. Mas o aumento da mistura, o governo demorou, e só vai começar após o Carnaval. Em âmbito estadual, o governador Alckmin estabeleceu novas normas tributárias que vão facilitar a cogeração de energia a partir da biomassa. O decreto ampliou ainda, porque além do bagaço da cana, poderão ser usados materiais como lenha e restos de serraria, ou palha de arroz.


JC - Em Bauru, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário municipal de Agricultura, Chico Maia, estiveram em sua posse, e a principal reivindicação é para o Programa Melhor Caminho. O que está previsto de investimento na região central do estado?


Jardim - Eu recebi uma delicadeza e um apoio muito grande de Bauru, com a presença do prefeito Rodrigo Agostinho na minha posse. Vamos fazer reformulações no Programa Melhor Caminho, e assim que elas ocorrerem, incluiremos Bauru dentre esses pedidos. Na mesma medida, quero fazer propostas ao prefeito. Quero que Bauru me auxilie em um outro programa, que diz respeito à crise hídrica, e Bauru entraria como um piloto de recuperação de nascentes, envolvendo toda a região, começando pelo Rio Batalha e depois na bacia do Rio do Peixe (que nasce em Garça e passa por Marília). O prefeito de Bauru sempre foi bastante sensível a esta causa ambiental e com certeza a cidade será pioneira neste aspecto. Outro projeto é que Bauru possa fornecer hortaliças para a Grande São Paulo. A Região Metropolitana da Capital tem seu cinturão verde afetado pela situação do Alto Tietê, e a região de Bauru pode voltar a ser um grande fornecedor de hortaliças, como já foi no passado.


JC - Outro pedido de Bauru foi o fomento da Grand Expo.


Jardim - A Secretaria Estadual não pode financiar atividades como shows. Mas conceitos como ‘agrishow’ sim podemos incentivar, são atividades que ocorrem no período de segunda a sexta dentro da feira, e aí podemos colocar a estrutura da Secretaria à disposição, fomentando a parte tecnológica e a formação do produtor rural.


Brasília


O PPS faz parte do bloco oposicionista em âmbito federal, ao lado de siglas como PSB, Solidariedade e PSDB. “Neste momento, há um misto de dever cumprido e razão. Dever cumprido porque fazer parte da oposição na campanha de 2014 era remar contra a maré, aderindo ao Eduardo Campos e depois à Marina Silva, e no segundo turno somando com o Aécio Neves, mas o sentimento é de que estávamos corretos por tudop que ocorreu no pós-eleição”, afirma Arnaldo Jardim.


“A gente dizia que haveria um alta no preço da energia, problemas nas contas públicas, com o governo tendo que mudar o superávit, e agora chamou um novo ministro da Fazenda. A saída do Guido Mantega e a entrada do Joaquim Levy não foi uma troca de ministro apenas, mas de forma de fazer política econômica. Vemos uma deterioração da economia, e os métodos de controle da inflação são ineficientes. Essa aventura da presidente Dilma Rousseff em segurar o preço da energia custou R$ 62 bilhões, e agora temos o ajuste dos combustíveis e outras tarifas públicas represadas vão se apresentar agora, e vão impactar na inflação”, argumenta.


Sobre a escolha de Levy, o ex-deputado e agora secretário estadual faz ponderações. “Ele é bom, mas não é a opção mais eficiente. Em um momento difícil, escolheu-se o modelo mais ortodoxo, e estou convencido que isso é insuficiente em um momento de reajuste nos preços. Podemos entrar em uma recessão mais acentuada”, finaliza.

Comentários

Comentários