Marcos Brindicci/Reuters |
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Nisman teria revelado temer por sua segurança em 14 de janeiro, quatro dias antes de ser encontrado morto |
O promotor argentino Alberto Nisman, cuja morte abalou o governo de Cristina Kirchner, confidenciou a uma congressista de oposição que acreditava que seria demitido pelo caso judicial em que acusava a presidente. A informação foi revelada pela parlamentar na sexta-feira (7).
Nisman teria conversado com Laura Alonso em privado em 14 de janeiro, quatro dias antes de ser encontrado morto com um tiro no banheiro de sua casa. Na conversa, o promotor disse que temia pela sua segurança e pela de suas filhas. O relato de Alonso confirma o que diversos outros amigos e colegas de Nisman afirmaram após a sua morte.
Três dias antes da morte, Nisman enviou uma mensagem de celular à Alonso, em que disse que "iria com tudo", referindo-se ao caso judicial para o qual se dedicava. "O governo sabe que estou levando essa investigação adiante", disse o promotor. Nisman iria comparecer ao Congresso argentino para acusar a presidente Kirchner de ter ajudado a proteger autoridades do Irã ligadas a um atentado à um centro comunitário judeu em 1994. O ataque deixou 85 pessoas mortas.
Alonso defendeu que Nisman não cometeu suicídio, já que estava absolutamente comprometido com a investigação. Em outra mensagem de texto, enviada em 6 de janeiro, Nisman confidenciou à parlamentar que planejava retornar das férias em Londres antes do previsto. Dias depois, Nisman acusou publicamente a presidente de ter agido para proteger os iranianos no caso.
Os investigadores, contudo, rejeitam a ideia de que Nisman mudou seus planos de viagem e afirmam que ele voltou à Argentina no dia 12 de janeiro, de acordo com a data de sua passagem original.
