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Entrevista da semana: Sandra Souza Pereira

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Renan Casal

Sandra Souza Pereira vai sacudir o Sambódromo

Ela faz de tudo: foi produtora de eventos, é cuidadora, controladora de acesso em casa noturna, trabalha como monitora em festa infantil e, se precisar fazer faxina, ela faz. Mas, hoje, Sandra Souza Pereira, 36 anos, ganhou a coroa e já brilha como a Rainha do Carnaval 2015 de Bauru. Estreante no Sambódromo pelo Bloco Império da Lagoa do Sapo, a majestade narra sua trajetória no samba e conta suas principais histórias pessoais ao JC.

Guerreira, Sandra luta pela vida da filha há 7 anos. E vê na mãe um exemplo de determinação: “Minha mãe é uma história de vida que eu sigo sem ponto ou vírgula. Ela é o meu espelho. Minha filha também é guerreira. Ela é um milagre da vida. Nasceu de cinco meses e meio, teve paralisia cerebral e várias sequelas. Os médicos acharam que ela não sobreviveria. Mas Deus colocou as mãos e mostrou que ela veio para fazer a diferença”. 

Sobre o desfile no Sambódromo, a rainha é só adrenalina.  “Não estou me cabendo. Quero fazer o meu melhor, até porque minha filha estará do meu lado e minha mãe estará na arquibancada. O bloco também merece isso”. Leia mais. 


Jornal da Cidade – Este é o seu primeiro desfile. Como o Carnaval entrou em sua vida?

Sandra Souza Pereira – Sempre gostei de Carnaval e sempre fui ousada. Na verdade, sempre gostei de me aparecer (risos). Eu via as moças sambando e achava lindo. Um dia eu disse para minha mãe que apareceria na TV, mas não em notícias policiais, e sim no Carnaval (risos). Sempre acompanhei da arquibancada. E o Bloco Império da Lagoa do Sapo, quando eu morava na Vila Falcão, ensaiava na rua da minha casa. Eu adorava ver todo aquele movimento.

JC – E este ano veio o convite para participar do Carnaval?

Sandra – No ano passado eles me convidaram para ser a rainha de bateria. Mas não pude aceitar porque minha filha estava com uma cirurgia de risco marcada para março. Minha filha ama o Carnaval. Ela acabou não fazendo a cirurgia, então a levei para o Sambódromo. Este ano vou desfilar e ela vai junto.

JC – Você esperava ganhar a coroa?

Sandra – Não. Mas eu sou determinada. Entreguei-me de corpo e alma. Aprendi a sambar direitinho. Fiz um intensivão de 20 dias. O pessoal do bloco me ajudou muito. Eles acreditaram em mim. Eu ensaiava em casa. Gravava vídeos e assistia depois. Muitas vezes, eu estava sambando em casa e os vizinhos me olhavam rindo (risos). Eu decidi que mostraria que sou capaz para aqueles que disseram que já estou velha e que faria feio por nunca ter desfilado. Eu não acreditei quando anunciaram o meu nome, porque as meninas são todas lindas, estavam com fantasias lindas e já são do samba e do Carnaval. Foi uma surpresa muito grande mesmo.

JC – Quais são as expectativas para o desfile?

Sandra – Adrenalina pura. Não estou me cabendo. Quero fazer o meu melhor, até porque minha filha estará do meu lado e minha mãe estará na arquibancada. O bloco também merece isso. 

JC – O que você quer dizer com “mães como a minha” no nota 10 do perfil?

Sandra – Minha mãe é um exemplo. Ela é uma história de vida que eu sigo sem ponto ou vírgula. É uma mulher guerreira que cresceu no interior do Paraná, em um lugar com qualidade de vida mínima. Minha avó se ausentou quando ela tinha 7 anos de idade e a deixou sozinha, com os sete irmãos. Ela era a filha do meio e praticamente criou os mais novos. Desde os 7 anos, ela aprendeu a lidar com o bom e o ruim. Minha avó voltou depois de um tempo, mas minha mãe precisou aprender a ser mulher e guerreira desde muito nova. Ela é o meu espelho. 

JC – Mas você também é uma mãe guerreira...

Sandra – Eu aprendi com ela. Com o exemplo dela. Minha filha também é guerreira. Ela é um milagre da vida. Ela nasceu de cinco meses e meio, teve paralisia cerebral e várias sequelas. Os médicos acharam que ela não sobreviveria. Mas Deus colocou as mãos. Ela já passou por várias cirurgias e mostrou, desde o primeiro dia, que é diferente. Que veio para fazer a diferença. 

JC – Hoje sua dedicação é exclusiva a ela?

Sandra – Minha vida sempre foi corrida. Não tenho tempo para nada. Era só o trabalho. Eu me esquecia da família e de mim. Quando minha filha veio ao mundo, eu precisei mudar. Nos dois primeiros anos, minha mãe tomava conta dela para eu trabalhar. Eu era promotora de vendas e viajava muito. Até que um médico me abriu os olhos e disse para eu aproveitar a minha filha porque ela não teria muito tempo de vida. Abri mão do trabalho, dos amigos... de tudo para me dedicar a ela. E foi a minha melhor escolha. Hoje sou mil e uma utilidades. Não posso “bater cartão” em uma empresa, então faço trabalhos esporádicos: sou cuidadora, controladora de acesso em casa noturna, trabalho como monitora em festa infantil, se precisar fazer faxina eu faço...

JC – Você deve ter encontrado muitas histórias especiais nessa jornada.

Sandra – Sim. As pessoas que estão fora não fazem ideia do tamanho que é a vida de uma família com uma criança especial. Conheci mães que perderam seus filhos e hoje lutam pelos filhos de outras mães. Mães sem respaldo da Justiça, do Governo... Eu criei um vínculo de amizade muito grande no hospital. As pessoas que olham no espelho e dizem que não são felizes precisam tirar uma hora para ir até um hospital e ver o que é tristeza e que, no entanto, eles não desanimam. Eu conheço muitas mães para as quais eu tiro o chapéu.

JC – Você se considera uma pessoa de fé?

Sandra – Sou uma pessoa de muita fé. Tudo o que já pedi Deus me deu. Só tenho a agradecer. Minha filha passou por  um momento muito crítico. Ficou entre a vida e a morte. Conversei muito com Deus. Orei muito. E ela melhorou da noite para o dia.

JC – Qual é o sonho da Rainha do Carnaval 2015?

Sandra – O meu sonho pode parecer impossível, mas para Deus não é. Meu sonho é ouvir minha filha me chamar de mãe e um dia andar comigo. Procuro ser feliz, porque acredito que uma pessoa feliz consegue tudo. Quem é feliz não fica doente. Sendo feliz, você respeita as pessoas e tudo ao seu lado vale a pena. Hoje as pessoas são infelizes, por isso tanta agressão, falta de educação. Muitos acreditam que eu tenho tudo para ser infeliz, mas eu não sou. Quando estou triste, corro para o colo da minha mãe ou converso com o meu travesseiro. O mundo está aí e as pessoas não têm culpa dos meus problemas. E não vai ser saindo lá fora para reclamar que as coisas vão se resolver. Então eu coloco um sorriso no rosto e bola para frente.

Perfil

Nome: Sandra Souza Pereira

Idade: 36 anos

Local de Nascimento: Loanda-PR

Signo: Libra 

Filhos: Yasmin

Livro de cabeceira: Bíblia

Filme preferido: Gosto de romances

Time de futebol: São Paulo  

Estilo musical predileto: Eclético

Para quem dá nota 10: Para mães como a minha

Para quem dá nota 0: Para o preconceito   

E-mail: ss-pereira1978@bol.com.br

 

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