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A barra do bolso

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Alguém aí conhece profissional de psicologia especializado em atendimento a bolsos? Se pudessem ganhar vida e se descolar das calças, teríamos uma multidão de bolsos a vagar nos inícios da manhã, cabisbaixos, mãos no bolso... Com a estima rebaixada, sofrem os bolsos, quase todos, de certa depressão. Raramente foram tão atacados, coitados, tão seguidamente, fortemente e tão recentemente. Ataques vieram de todos os lados, inclusive de bombas - dos postos de combustíveis. Sem ter para onde correr, bolsos afundam na tristeza - e sentem no tecido sua frágil condição de bolso furado. Mesmo enciclopédias e "barsas" estão se sentindo meio assim: livros de bolso. Bate aquele vazio (bem lá no fundo do bolso sem nada).

Se vale de consolo, pelo menos é uma percepção coletiva, não solitária: a maior parte dos bolsos está combalida, afetada, insegura, sem brim (digo, brio). Esses bolsos todos não estão descolados da realidade. Pelo contrário, surgem costurados a uma dura e verdadeira situação: em meio ao "aperto Brasil", viraram bolsos que não seguram a barra. Leio por aí que bolsos traseiros apareceram pela primeira vez em 1910, ano de fundação do Corinthians e do Noroeste. Quanta mudança traz o tempo: o Corinthians virou potência com dinheiro, o Norusca, com poucos recursos, caiu, e bolsos esvaziados são os mais frequentes em qualquer estádio.

Agora, um tal site Buzfeed aparece com invenções que até poderiam ser úteis, entre elas, a do bolso transparente - para quem quer conferir o celular sem ter o trabalho de tirá-lo. Na atual conjuntura, pode ser mesmo transparente porque, dinheiro que é bom, não será ali no bolso revelado para atrair ladrões.

Mas há de chegar um novo tempo, repleto de bolsos de rasgada felicidade. Nossa profissão é acreditar. Não devemos desbotar os sonhos que, um dia, poderão ganhar vida em forma de verdinhas em folha. Se houvesse uma bolsa de apostas, eu arriscaria um palpite para não perder a crença: venceremos. Mas, se tudo der errado, restará o direito de cobrar o reembolso de tudo o que foi sendo embolsado da gente. E de forma tão descarada que nem sempre é por debaixo dos panos.

O autor é editor executivo do JC

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