Na edição do JC datada de 8 último, o jornalista Zarcillo Barbosa abre seu artigo dominical falando do apelido a um dos envolvidos na roubalheira contra a Petrobrás atribuído por outro companheiro da mesma paraestatal, ambos integrantes da quadrilha denominada operação Lava Jato, pela atuante Polícia Federal. Nos últimos anos, todo ataque desfechado contra o patrimônio público engendrado por políticos e sequazes cujo deslinde exige multiplicidade de ações por regiões ou Estados, permitindo a identificação de vários participantes de crimes, a Polícia Federal passou a dar nomes às suas investigações. Paciência, indiscreta escuta telefônica, diligências e prisões autorizadas pelo Judiciário, cenário que parece não se esgotar na imprensa diária, são os ingredientes mobilizadores da Polícia Federal para fechar o cerco dos corruptos. Mercê da complexidade de algumas operações policiais demandando tempo para serem concluídas, as vezes, os inquéritos são desmembrados em vários, segundo a situação processual dos indiciados, incluindo os que detém a abominável prerrogativa de foro, mas conhecida por foro privilegiado.
Em que se pese a vigilância dos órgãos de controle do patrimônio público, as incursões contra o dinheiro público não cessam e os delinquentes não se atemorizam do risco dessa empreitada, provavelmente, animados com a fragilidade da punição e seguros de que o dinheiro roubado não voltará à origem. Paira a consciência entre os corruptos de que o crime cometido em grande escala é uma atividade de baixo risco porque confiam na generosidade da lei penal e na impunidade, e se garantem que o dinheiro escondido aguardará em lugar seguro a breve estada na prisão de seu ilegítimo dono, pronto para ser esbanjado. Essa visão espelha a triste realidade do país, e acaba invertendo o provérbio dizendo que o crime não compensa.
A ganância pelo enriquecimento fácil não tem limites. Pedro Barusco, engenheiro aposentado da Petrobrás, recebe mensalmente aposentadoria de R$ 60.000,00. Comparando seu salário com o de qualquer colega da profissão que durante décadas trabalhou em empresa privada, receberá o prêmio de R$ 4.390,24, pagos pelo INSS como teto de aposentadoria. É o tratamento de iguais, vistos como desiguais. O salário pago pela Petrobrás aos funcionários do segundo escalão mostra os diretores recebendo R$ 60.000,00 mensais. Pedro Barusco, o engenheiro aposentado, ofereceu US$ 100.000,00 para conseguir a delação premiada e ficar livre da prisão em regime fechado, desde que apresente provas do que diz, dedurando seus comparsas no esquema da propina.
Nem tudo está perdido, eis que diretor da Petrobrás era chamado de Pedro Barusco de My Way, nome de uma das mais lindas melodias internacionais. Gravada inicialmente por Paul Anka, canadense naturalizado americano, esse cantor ao sair da adolescência encantou os jovens de todo mundo com a música chamada Diana. My Way teve vários intérpretes, mas o destaque saiu na voz de Frank Sinatra, o qual, nas suas apresentações pelos palcos do mundo, também cantava New York New York, consolidando sua preciosa garganta como a mais venerada dos Estados Unidos. Essa música encontra seus acordes afinados na orquestra de espetáculos de James Last, maestro alemão radicado nos Estados Unidos, pondo em relevo o magnífico solo de trompete do músico Derel Watkins, falecido em março de 2013.
Os cantores jovens também capricham na interpretação de My Way. Assim o faz Robim Williams, mostrado na Internet, e conferida seguidas vezes por Maria Silvério, associando a música a um amigo entusiasmado pela melodia.
Aqui na terrinha, Cido saxofonista, da banda de Luiz Ornelas, esbanja habilidade e talento na execução do instrumento musical, arrebatando aplausos do público nas suas apresentações.
Os brasileiros de bem esperam que os larápios da União nesse desdobramento da operação Lava-Jato não decepcionem o nome da pomposa melodia My Way, e sejam condenados peolo rigoroso magistrado à testa dos processos, em Curitiba, cuja severidade penal já deu mostras, lembrando com saudades o rigor do ministro Joaquim Barbosa.
Deseja-se que permaneçam reclusos por muitos anos ouvindo em CD a música My Way para o conforto dos corpos e almas penadas.
O autor é professor universitário aposentado