Considerada pela atual administração do Noroeste como imprescindível para a saúde financeira do clube, a transferência da administração do Complexo Damião Garcia para a Prefeitura de Bauru causa polêmica entre
noroestinos e enfrenta forte oposição até mesmo internamente no clube. A mudança esbarra na resistência à ideia, que esvazia a montagem da comissão de estudos, cuja formação foi definida em reunião do Conselho Deliberativo, para analisar a viabilidade e apontar o caminho para o processo.
A divisão interna faz a atual administração adiar o assunto. “A gente tem um pessoal fazendo um lobby contrário e não consegue montar uma comissão. Não temos nenhum conselheiro ou diretor que se coloque à disposição para montá-la. Estamos tendo esta dificuldade e colocamos um pouquinho na ‘geladeira’ este processo”, declara Toninho Gimenez, gestor do clube.
Gimenez entende que a transferência da administração e manutenção do Complexo seria fundamental para as contas do Noroeste, uma vez que desoneraria o clube, que tem orçamento limitado, de gastos com a grande estrutura que existe no local. Além disso, acredita que a Prefeitura teria melhores condições de cuidar
de todas as instalações. “Seria importante para o clube e para o próprio patrimônio”, considera. Um dos principais opositores da iniciativa é o conselheiro e ex-presidente Cláudio Amantini, que conta com o
respaldo de parte da torcida.
QUASE METADE
A iniciativa de transferir o Complexo Damião Garcia para a Prefeitura para viabilizar economicamente o Norusca surgiu há quase um ano, logo após o rebaixamento do clube à Série B. Estimativas da atual diretoria alvirrubra apontam que a cessão economizaria aos cofres do clube R$ 40 mil mensais, quase a metade do atual orçamento mensal do Noroeste, que é de R$ 90 mil.
Porém, para se concretizar a transferência, é necessário alterar o estatuto do clube. Somente se aprovada pelos conselheiros, a iniciativa chegaria à Prefeitura, que teria de analisar as implicações legais
e jurídicas.
Enxugamento
Paralelamente à questão da transferência do Complexo Damião Garcia para a Prefeitura de Bauru, a diretoria do Noroeste deve colocar em prática em breve um enxugamento no quadro de funcionários do clube também
para economizar. “A gente tem que fazer, não tem jeito”, declara o gestor Toninho Gimenez, ressaltado que a atual administração estuda a melhor forma de conduzir o processo e o momento oportuno de colocá-lo em prática.
Gimenez acredita que o corte no quadro de funcionários atinja por volta de 30% do total. “Temos um compromisso de planejamento financeiro e estamos adequando o clube a isso para poder começar a mexer”, conclui o gestor.