João Rosan |
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"A cidade parece um chafariz, de tanto vazamento", disse Fabiano Mariano, vereador do PDT |
O vereador Fabiano Mariano (PDT) sugeriu ao promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para reduzir o tempo de conserto de vazamentos de água e esgoto em Bauru. A conversa com o representante do Ministério Público (MP) Estadual ainda não gerou representação, mas pode evoluir para uma isso.
“A cidade parece um chafariz, de tanto vazamento. E não é em um único bairro, é Bauru inteira que sofre com o problema. A resposta aos vazamentos é muito lenta, demora de 15 a 20 dias em média. E depois que o vazamento é consertado, surge outro problema, que são os buracos”, relata o parlamentar.
Mariano lembra que o diálogo direto com o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não tem sido eficiente. “O tempo de resposta aos problemas é lento, e os vazamentos se acumulam pela cidade. Desperdiçamos quase metade da água em Bauru, é um índice muito alto, e o DAE precisa se mexer rapidamente. Foi aprovada uma lei para que as pessoas não desperdicem água, porém o Município é quem mais desperdiça. Do jeito que está, precisaremos mesmo acionar o MP para que haja um TAC”, argumenta. O JC procurou o Ministério Público ontem, mas não obteve um posicionamento do promotor Fernando Masseli Helene até o fechamento desta edição.
Limitações
O presidente do DAE, Giasone Candia, admite que está aberto a tratar o tema. “Se for necessário, assinaríamos um TAC. Estamos tentando reduzir o desperdício de água, que é de 48%, conforme apurou o Plano Diretor de Águas, mas isso não é só vazamento. De qualquer forma, queremos reduzir esse índice, mas não posso dizer exatamente o quanto e quando reduziremos isso.
Além do mais, estamos investindo na autarquia, mas ainda sofremos com falta de encanadores, motoristas e ajudantes gerais, porque abrimos concurso, as pessoas passam, mas alguns nem assumem”, lamenta. Atualmente, são 5 equipes de manutenção, com 8 servidores cada. A autarquia lembra que o critério para definir a ordem dos consertos prioriza o volume de água no vazamento, se há buraco ou afundamento de solo ou se a via é de grande movimento.
A estrutura do DAE sofre limitações, segundo Giasone. “No ano passado, propusemos um reajuste na tarifa de 30%, e foi de 9%. Neste ano, não sei o índice que vamos sugerir, mas se não houver um mínimo de reposição fica difícil trabalhar, ainda mais agora que a energia elétrica subiu e o DAE é quem mais consome energia em Bauru”, afirma.
Sem prazo
A exemplo de Giasone, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) também prefere não dar prazo nem estimativa de quantidade de redução do índice de perda de água a curto prazo. “O que podemos fazer são algumas ações como a setorização, ajudando a ter um melhor controle sobre perdas e pressão de água. Só que isso levará um tempo, são mais de 50 km de tubulação, que começaremos a fazer neste mandato, mas só será concluído pelo meu sucessor”, informa.
Rodrigo diz ainda que o tempo de resposta entre a reclamação de um vazamento e o conserto diminuiu. “Chegamos a ter três meses de espera, hoje está em 20 dias. O nosso maior problema é ter equipe, mão de obra. Com o ‘boom’ da construção civil, o DAE perdeu muitos funcionários para este setor, e agora que a construção civil deu uma desacelerada, é que conseguimos ter mais gente interessada nos concursos”, salienta.
Além da setorização, o prefeito acredita que poderá diminuir as perdas trocando hidrômetros. “Essa é outra medida que pretendemos fazer, ainda dentro do meu mandato. O DAE comprará os hidrômetros, que serão instalados pela autarquia nos imóveis, começando pelos bairros onde temos mais problemas”, afirma. Os projetos de setorização, reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA) e novo ponto de captação no Rio Batalha são outros tópicos previstos no Plano Diretor, mas que dependem de estudos técnicos que estão em fase de contratação.
Nas casas
Além dos vazamentos em vias públicas, que geram inúmeras queixas ao DAE diariamente, os vazamentos dentro dos imóveis, após a água passar pelo hidrômetro, foram alvo de representação de Mariano no MPE na semana passada. “As pessoas estão pagando tarifa de esgoto sobre uma água que não foi consumida”, cita. Ele pede a revogação do artigo terceiro da resolução 01/2014 do DAE, que trata do tema. “Já pedi ao DAE para revermos isso, por realmente as pessoas estão pagando por uma taxa de esgoto que não deveria”, admite o prefeito Rodrigo Agostinho.