Quioshi Goto/Arquivo |
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Prefeita de Pirajuí, Juliana Nagano, nega que houve negligência |
O Ministério Público (MP) instaurou inquérito civil para apurar suposta omissão da Prefeitura de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) em relação à prevenção e combate à proliferação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A cidade vive uma epidemia da doença.
Conforme o Jornal da Cidade noticiou com exclusividade na semana passada, a investigação se deve a irregularidades no armazenamento de pneus inservíveis sem nenhuma proteção contra a chuva, que estavam sendo mantidos espalhados pelo chão da garagem municipal, a céu aberto. Um vídeo circulou nas redes sociais mostrando a situação. Porém, dois dias depois da denúncia, após vários acessos na Internet, o material teria sido retirado do local.
Outro fato que será apurado pelo MP é a manutenção de ao menos três caixas d’água pertencentes ao município e instaladas no terminal rodoviário de Pirajuí, que permaneciam destampadas na última quinta-feira. Os recipientes, segundo funcionários do local, já apresentavam grande quantidade de lodo.
Há denúncia, inclusive, de que a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) da cidade não está funcionando, bem como possui quatro lagoas sem qualquer cobertura, podendo armazenar água parada, tornando-se foco de proliferação do Aedes aegypti.
Aumento de caso
Com 166 casos confirmados de dengue somente neste ano, Pirajuí vive uma epidemia da doença, uma vez que o município registrou apenas cinco pessoas infectadas em 2014. No entanto, já foram notificados 307 casos. Deste total, segundo informou ontem o Centro de Saúde Municipal, 166 apresentaram resultado positivo, 24 negativo e 190 ainda aguardam análise laboratorial (pacientes que apresentaram o sintoma da dengue).
O surto da doença somado às denúncias de irregularidades por parte da prefeitura apontadas pelo Ministério Público fizeram com que a 2.ª Promotoria de Justiça do município cobrasse um posicionamento do Poder Executivo, bem como providências a serem tomadas pela Vigilância Sanitária.
Inspeção
De acordo com promotor de Justiça Rafael Augusto Pressuto, o inquérito civil deve chegar ao Executivo ainda nesta quarta-feira (11). “Requisitamos uma inspeção bem detalhada da Vigilância Sanitária nos locais que foram apontadas as irregularidades, o que será muito importante para auxiliar na apuração do MP, pois será apresentado um relatório contendo, inclusive, fotografias”, explicou Pressuto.
Combate
O controle de vetores, realizado em Pirajuí pela empresa terceirizada Gestão de Projetos da Noroeste Paulista (Gepron), foi intensificado na última semana. De acordo com o Centro de Saúde Municipal, além de visitas constantes às residências e trabalho de orientação e conscientização junto aos moradores, agentes de fiscalização sanitária realizam pulverização todos os dias tanto na região central da cidade quanto nos bairros.
Prefeita diz que pneus encontrados em garagem estavam sendo transportados para o descarte
Questionada sobre a quantidade de pneus sem proteção contra a chuva, flagrados espalhados pelo chão da garagem municipal na semana passada, a prefeita de Pirajuí, Juliana Nagano (PR), explicou que o material estava descoberto porque seria transportado para descarte em Bauru.
“A prefeitura recolhe os pneus nas borracharias da cidade, mas os cobre com lona. Fizeram o vídeo no momento em que estavam sendo colocados em veículos para o transporte. Por isso não havia proteção”, disse.
Sobre as caixas d’ água destampadas, ela alega que uma chuva acompanhada de rajadas de vento que atingiu a cidade na quinta-feira (5) teria causado estragos nos recipientes. “Acabou danificando as tampas, mas o conserto foi realizado no mesmo dia”, garantiu.
“Já a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) é uma obra do governo estadual, que ainda não foi entregue ao município”, ressaltou a prefeita.
Manutenção
A manutenção da ETE em Pirajuí é mantida pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade. Diretor da autarquia, Luis Fernando Genovez da Rocha explicou que é comum as lagoas ficarem descobertas.
“Tem que ficar exposta ao sol para funcionar corretamente. A menos que o Estado dê um documento para nós, dizendo que a lagoa de tratamento de esgoto de Pirajuí é diferente e precisa ser coberta. Então iremos cobrir”, pontuou.
Alerta
Em Marília, conforme o JC noticiou, duas pessoas morreram com suspeita de dengue: uma professora aposentada no dia 26 de janeiro e a dona de casa Rosa da Silva, 61 anos, na última sexta-feira. Esta última foi encontrada morta caída sobre calçada, a cerca de 50 metros de sua residência.
Já em Lins, no dia 27 de janeiro, um homem de 44 anos veio a óbito na Santa Casa da cidade com suspeita da doença do tipo hemorrágica. A vítima deu entrada no hospital com quadro febril, dor no corpo e abdômen. Um laudo que irá apontar as causas da morte deve ficar pronto nos próximos dias.
