Política

Cargos na Semel devem ser aprovados

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Alex Mita

Coordenadora do handebol de Bauru, Maria Amélia Theodoro

Audiência pública realizada na quinta-feira (12), na Câmara Municipal, sinaliza que o projeto que cria oito cargos comissionados (livre nomeação) em modalidades específicas na Secretaria Municipal de Esportes (Semel) deverá agora enfrentar menos resistência dos vereadores quando voltar ao plenário, no dia 23 de fevereiro.


Membros de sete modalidades participaram da audiência, além dos secretários municipais de Esportes, Roger Barude Camargo, e de Economia e Finanças, Marcos Roberto Garcia. O presidente da Comissão de Cultura e Esporte, Fabiano Mariano (PDT), foi o responsável por conduzir os trabalhos, juntamente com Artemio Caetano Filho e Markinho da Diversidade, ambos do PMDB, que são os outros membros da comissão.


A Semel tinha dez cargos de assistente esportivo, mas em 2013 o Ministério Público Estadual (MPE) pediu a substituição dessas vagas por outras preenchidas via concurso público. No ano passado, a prefeitura voltou a dialogar com o MPE, explicando que em algumas modalidades a pasta teria dificuldade em achar profissionais gabaritados através de concurso, tese que foi reiterada na quinta (12).

“Não é um troca de cargos, nós temos hoje dez cargos de assistente esportiva, com oito na verdade ocupados, e o projeto de lei visa criar oito cargos. E dessas dez, permanecerão quatro, sendo que em outras quatro modalidades estamos criando vagas, no sentido de ter uma política esportiva, tendo o coordenador de modalidade específica”, pontua Barude. “É muito complicado fazer concurso nessas áreas, diferente de futebol, vôlei ou basquete. São modalidades em que o próprio curso de Educação Física ensina pouco, depende de quem vive na prática”, completa. A própria formação de banca para um eventual concurso com essas modalidades acabaria usando os melhores que Bauru tem em cada uma, que não poderiam concorrer, argumentaram também os atletas.


Do ponto de vista orçamentário, não há restrições ao projeto, afirma o secretário de Economia e Finanças do Município, Marcos Garcia. “Como já pagamos oito pessoas nesses cargos, há previsão no Orçamento. É um custo de pouco mais de R$ 10 mil por mês para a prefeitura”, detalha.


Modalidades


O cargo de coordenador de modalidade esportiva vai pagar R$ 1.320,00 mensais, valor que é menos da metade de cargos concursados na Semel, com carga horária menor (oito horas para coordenador, contra quatro de técnicos em outras modalidades). São 24 modalidades atendidas, com 18 profissionais contratados, e mais estes oito cargos que podem ser preenchidos agora.


Das oito modalidades que serão beneficiadas caso o projeto vire lei, sete estavam representadas ontem, exceto o judô. Marcos Pantaleão (boxe), Mauro Ridek (taekwondo), Cláudio Massad (tênis de mesa), Deborah Lanzzetti (ginástica artística), Maria Amélia Theodoro (handebol), Fabiano Teixeira (caratê) e Richard Leutz (kung fu) representaram suas modalidades. “Nosso trabalho sempre foi com muita dificuldade. A Academia Municipal de Artes Marciais, no Geisel, agora está em um prédio maior, mas ainda assim temos fila de espera, e são centenas de pessoas atendidas, gratuitamente, em três modalidades, no caso kung fu, caratê e judô”, detalhou Richard Leutz.


Cláudio Massad falou da importância em segurar atletas campeões na cidade. “Temos três mesatenistas já convocados para o Parapan de Toronto neste ano, e inúmeros resultados positivos em âmbito estadual, nacional e internacional, com atletas na seleção inclusive, em apenas três anos de trabalho”, justificou.


O vereador Carlão do Gás (PR), manifestou apoio aos esportistas, dizendo ser favorável ao projeto. “É uma humilhação pessoas como vocês (representantes das modalidades), que tem resultados incontestáveis, terem de vir tantas vezes à Câmara pedindo para ter o mínimo para tocar o trabalho, que com o perdão da palavra, é uma merreca o salário oferecido. As crianças e jovens buscam um espelho, e vocês são esse espelho para elas, pelo que já conquistaram e seguem conquistando”, disse o parlamentar.

Maria Amélia, do handebol, pediu a palavra e se emocionou ao falar da trajetória de sua equipe e do projeto ‘Gol de Mão’. Para ela, ainda falta reconhecimento. “A gente começou um trabalho há mais de dez anos. A gente não quer ser absoluto no cargo, queremos é que tenha continuidade, e para isso precisa ser gente da modalidade”, lembrou.

Política para o esporte


Todos os vereadores presentes se colocaram favoráveis à aprovação do projeto, mas fizeram ponderações. Roque Ferreira (PT) cobrou uma política esportiva mais eficiente. “Quais as metas que cada modalidade tem, seja no esporte de resultado ou de caráter social? Isso é algo que sempre cobramos da Semel. Vou votar a favor do projeto, mas a política esportiva precisa ter mais clareza em Bauru, e não a prefeitura empurrar para entidades o trabalho com o esporte, acaba terceirizando sua obrigação”, argumenta.


Fábio Manfrinato (PR) mostrou preocupação com o uso político dos cargos, e ainda o fato de nem todas as modalidades serem contempladas. “Hoje (ontem) ninguém se manifestou, mas posteriormente outras modalidades podem querer o mesmo direito”, afirma.

“A audiência cumpriu seu objetivo de esclarecer os vereadores e demais interessados. Vou votar a favor do projeto, mas com a ressalva de que a médio prazo a Semel tem condições de fazer um concurso bem elaborado e com provas práticas nessas áreas. Este projeto agora entendo que precisamos aprovar, é uma necessidade, mas acaba indo na contramão de outro projeto de lei, que corta cargos comissionados no Executivo”, finaliza Fabiano Mariano, presidente da Comissão de Cultura e Esporte do Legislativo.


Números da Semel


- 24 modalidades esportivas

- Mais de 10 mil pessoas atendidas atualmente, a maioria crianças e jovens (eram 3 mil em 2009)


Por modalidade

- 3 mil no judô

- 2,5 mil no polo aquático

- 2 mil no futebol de campo

- 1,5 no handebol

- 400 no caratê

- 200 no futsal

- 120 no kung fu

- 120 no basquete (Projeto Telefônica)

- 100 no tênis de mesa

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