Esportes

Diretoria do Noroeste destaca trabalho de saneamento de dívidas

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.

“Nossa previsão é que o sócio-torcedor vai voltar a acreditar no clube”, destaca o presidente Emilio Brumati, confiante no trabalho de equilíbrio orçamentário

Um clube mergulhado em dívidas e com a imagem comprometida perante investidores, fornecedores e torcida. Este é o quadro que a atual diretoria do Noroeste ressalta ter encontrado em outubro de 2013, quando assumiu a administração alvirrubra. A afirmação é do presidente Emílio Brumati, que destaca que, nos 16 meses que se passaram, o quadro já se alterou acentuadamente de maneira positiva.


A diretoria investiu esforços no saneamento financeiro, saldando e renegociando dívidas, pagando ações trabalhistas, em um trabalho de resgate da imagem e prestígio do clube perante possíveis patrocinadores e também frente aos torcedores. Os diretores comemoram os resultados e consideram que casa foi colocada em ordem e as contas atualmente estão no “azul”, mas sem possibilidade de aumentar o aporte no futebol profissional com os atuais valores orçamentários. Por isso, contam com o apoio dos bauruenses para o clube se reerguer.


“Há sete meses o clube tem controle geral do entra e sai. Hoje, o Noroeste tem uma receita ‘X’ e uma despesa ‘Y’”, aponta o presidente Emílio Brumati. O trabalho regulou gastos dentro de arrecadação e vem adequando o clube ao tamanho de sua receita para poder investir mais no futebol, destaca o dirigente. Segundo a diretoria, a folha de pagamento esportivo responde por 14% do total de despesas que o clube tem mensalmente. O empenho é abrir espaço no orçamento para aumentar este percentual, traduzindo-se em mais dinheiro e um time mais qualificado.


O esforço hercúleo dos diretores é para equilibrar o clube com a receita limitada, arcando com despesas de manutenção e conservação do Complexo Damião Garcia, folha salarial e se desdobrando para equacionar as 86 ações trabalhistas das quais o Noroeste é alvo. Além disso, reclama de obstáculos colocados pelo Poder Público municipal e da falta de apoio do Executivo (leia mais em texto abaixo). De acordo com o presidente alvirrubro, os gastos do Norusca com ações trabalhistas em fevereiro somam R$37.305,25. “Contando os R$ 20 mil penhorados da Panela de Pressão, que não entra para nós e abatem em 20 processos, ações trabalhistas”, explica Brumati.


O trabalho vem sendo bem sucedido e, segundo a diretoria, o número de processos trabalhistas foi reduzido a quase à metade. “Quando nós pegamos eram praticamente 150. Há um ano estamos pagando ações. Acordos novos serão feitos e a intenção é que em um prazo de um ano e meio consigamos liquidar todas”, projeta Brumati. Todo o esforço é voltado a mostrar que o clube está retomando sua vitalidade e para reaproximar o torcedor, que é visto como o principal “parceiro” para o Noroeste voltar a brilhar. “A nossa previsão é de que o sócio-torcedor vai voltar a acreditar no clube, voltar a ter sua cadeira cativa lá. Os números que estamos apresentando são 100%”, comenta Brumati.


A mais recente ação e motivo de maior preocupação da diretoria noroestina é o processo movido pelo atacante Diego, que deixou o clube em 2013. A ação também entrou na penhora da Panela de Pressão e gira em torno de R$ 300 mil. “Esta é uma das ações mais altas que o Noroeste tem e já foi para a penhora da Panela. A ação que for para a Panela vai ficar até que a gente consiga levantar um dinheiro maior para quitar e liquidar isso aí”, admite Brumati.


Convicção


O presidente se mostra convicto de que o trabalho vai surtir efeito e que os torcedores vão retornar a apoiar o clube como parte decisiva no renascimento esportivo do Noroeste. “Caímos para a Série B? Sim. Foi horrível e ruim para a marca Noroeste. Mas judicialmente e financeiramente estamos pondo a casa em dia. Vamos montar um time para subir? Este é nosso principal objetivo. Se vamos subir, não sabemos. Vai depender das contratações que teremos caixa para fazer. Mas hoje temos a parceria com a Ferroviária e isso está nos ajudando muito. Nossa intenção é colocar o time na Série A3, A2 e disputar o Paulistão novamente”, declara.

Brumati cobra apoio da Prefeitura e critica multa em calçada

Emílio Brumati cobra apoio da prefeitura ao Noroeste e reclama da indiferença do poder público à crise que quase fechou as portas do clube. “A Prefeitura não nos ajuda em nada, nem se manifestaram em querer pegar o estádio para enxugar esta despesa que temos. Nem do IPTU a prefeitura não isenta o Noroeste, que deve muito imposto”, desabafa. “Se o Toninho Gimenez e eu abandonarmos amanhã, o Noroeste fecha as portas. Se eu não assumo o Noroeste há um ano e meio, o clube já tinha fechado as portas. Vão esperar chegar neste ponto para o prefeito tomar uma atitude?”, questiona.

O gasto do Noroeste com o IPTU é R$ 11.526,56 por mês, percentual responsável por 11% das despesas de fevereiro. Já o custo de manutenção e conservação do Complexo responde por R$ 6.250,00, 6% do total de despesas mensais. “Estamos esperando o prefeito nos ajudar. Não conseguimos apoio da Prefeitura e temos que buscar no sócio-torcedor. Nosso trabalho está sendo 100%”, reitera Emílio.

O prefeito Rodrigo Agostinho afirma que a prefeitura já ajuda, mas está presa a limitações legais que restringem o apoio. “A prefeitura não pode apoiar time de futebol profissional. Temos feito o que podemos, ajudado os times de base no Noroeste, alugado a Panela de Pressão, acabamos de pagar as contas da Copa São Paulo de Juniores e nos dispomos a cuidar do patrimônio se houver interesse do clube em passar o Complexo Damião Garcia para a prefeitura”, comenta.

Em relação ao IPTU, Rodrigo explica que não tem autonomia para isentar o clube. “Tenho paixão especial pelo Noroeste, mas não posso ajudar. Não tenho como abrir mão, está fora da minha decisão”, ressalta. O prefeito explica que a área só não pagaria IPTU se o Complexo passasse à prefeitura.

Multa por calçada

A diretoria do Noroeste reclama ainda que a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) autuou o clube por irregularidades na calçada do Complexo Damião Garcia. Paulo Godoy, responsável pela administração do Complexo, detalha que a Seplan exige o reparo do passeio público, impermeabilizando a pequena área de terra entre o muro do Complexo e o início da calçada cimentada. “A Seplan afirma que, como aqui é usado para caminhada, deveríamos calçar isso”, comenta. “Eles nos disseram que, como temos árvores, temos que ter 1,50m de passeio, descontando as árvores. Não tem nenhum lugar em Bauru que é assim. Eles são muito intransigentes”, reclama Godoy.

Por isso, o clube foi multado pela Seplan, afirma Brumatti. “A prefeitura está atrapalhando. Você anda na calçada do estádio inteira e ela está em boas condições. Está cheio de calçada destruída pela cidade. Por que pegar no pé do Noroeste?”, indaga Brumati.

Em nota pela assessoria de imprensa da prefeitura, a Seplan limitou-se a informar que “existe um processo em andamento referente ao imóvel citado para reparo e construção de passeio público ao redor do imóvel, bem como a limpeza do local, em cumprimento ao previsto em lei. As condições do local são objeto de denúncias de terceiros.”

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