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Impeachment?

Anderson Prado de Lima
| Tempo de leitura: 4 min

Muita gente tem falado sobre impeachment, liderados, talvez, pela revoada dos tucanos revoltados com o resultado da última eleição presidencial, que garantiu ao reino da estrela vermelha mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto. Certamente que qualquer pensamento que advém do coletivo é legítimo, e é legitimado tão somente pela própria vontade do povo. Muito diferente do interesse de grupos que pretendem transformar pessoas e instituições em massa de manobra para tornar mais tragável o amargor da própria frustração. Na vida pública, é necessário ter sobriedade para lidar com a derrota, que é momentânea, pois a ciclagem de governos e governantes é inevitável.

Ouço muita gente afirmando que o ex-presidente e atual senador Fernando Collor, por muito menos, foi destituído do mais alto cargo da Federação. Quem rouba um botão, rouba um milhão, dizia a vovó. Porém, o contexto político do Brasil naquele momento era absolutamente diferente do que é hoje. Na atual conjuntura, como pilares colossais na representação partidária, o PT e o PSDB duelam por uma liderança de segundo e terceiro lugar ? o que não quer dizer que sejam frágeis ? com o PMDB; este sim o partido mais dominante do país.


Sua influência está muito além da ?vice-cadeira? que tem assento no Governo Federal. O papel reservado ao sucessor do MDB está no entrincheiramento do seu poder às fileiras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. E se o Congresso Nacional é a instituição detentora da prerrogativa constitucional de cassar os direitos políticos vigentes e futuros de um chefe do Poder Executivo, como esperar que a presidenta Dilma Rousseff seja deposta por quem a apóia? A rachadura entre PT e PMDB, por um interesse maior, pode ser selada em um minuto de tréguas e acordos.

Aliado a isso, há a somatória da linha de sucessão no caso do impedimento de um presidente da República governar. Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente, vice-presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados e presidente do Senado Federal. Em comum? Colegiado legislativo de peemedebistas poderosos. No caso dos dois últimos, darão manutenção ao Poder Executivo até a convocação de novas eleições. O poder de fogo concentrado não é dos tucanos, tampouco dos petistas. Por isso, no limite do meu parco conhecimento científico-político, incentivar a insurgência da população pelo impeachment não passa de tentativa de violação à inteligência do mais suscetível à órbita do manipulador. De uma sórdida manobra populista, que visa não mais do que desestabilizar a própria sociedade em benefício de grupos e líderes que confundem o fundamento da oposição com o palanque do oportunismo.

Para efeito de salvaguarda da minha opinião, antes que a querida leitora e o estimado leitor me imputem o rótulo de incrédulo ? o que me tornaria um político às avessas do sistema ao qual estou inserido ?, validei os meus sufrágios à Marina Silva, a Aécio Neves e a Paulo Skaf. A primeira pela relação nacionalista endêmica, o segundo e o terceiro pela iminente necessidade de oxigenação dos organismos virais que têm transformado governos em oligarquias. O que também pode soar contraditório, se analisado sob a ótica do aspecto político dominante. Por isso, a informação precisa de lentes que corrijam a distorção dos fatos. Enquanto isso, a energia despendida à luta que já nasceu perdida, deveria ser consumida por questões iminentes que estão decretando a falência do status quo. Aécio Neves precisa recolher a mágoa, engolir o soluço de criança mimada e se tornar o líder que quer ser, mas que ainda não é. Se fosse, teria convencido a maioria de que era a melhor aposta, pois culpar Minas Gerais e o Bolsa Família é um subterfúgio para quem falhou na estratégia e no marketing.

Apesar do que se vê na região ?tucaníssima? em que vivemos, há empresários e formadores de opinião que optaram pelo PT por razões claras, mas que não bastaram para que conferisse o meu voto. Por outro lado, a um senador que almeja à Presidência, é preciso ter norte no que sangra o seu povo, por exemplo, os milhares de desempregos gerados pelas ações da Operação Lava-Jato, dos impostos que já avolumam 250 bilhões de reais só em 2015, a crise hídrica que assombra a nação, entre tantas iminências que devem estar à frente de um impeachment natimorto. Pensamento da semana: Quanto à Petrobrás, a investida contra a corrupção é fundamental. Porém, as paralisações geradas pela Operação Lava-Jato acarretaram em milhares de desempregos. Quem está preocupado com a dignidade desses trabalhadores que não têm culpa nenhuma? A corda, senhores, como sempre, arrebenta do lado mais fraco, que é também quem sempre paga a conta.

O autor é empresário, presidente da Câmara de Vereadores de Lençóis Paulista e presidente da Acilpa (Associação Comercial e Industrial de Lençóis Paulista)

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