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Passarelas sem samba

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Acoluna "Entrelinhas" do JC informou que o vereador Roberval Sakai (PP) visitou a passarela que liga a Vila Santista à região dos Altos da Cidade (conhecida "pinguela do Sanbra"). "Encontra-se em condições precárias de manutenção e é usada diariamente por alunos de escolas próximas e população em geral", dizia a nota. Isso saiu ontem, 14 de fevereiro de 2015.

Em 27 de setembro de 2007, o mesmo JC informava que "só com muito equilíbrio e sem medo de altura" era possível fazer a travessia por cima do córrego das imediações.

Em 20 de julho de 2014, a carta "Eterna Pinguela" trazia o tema para os dias atuais, mas com uma recordação. "Há 6 anos escrevi uma redação de escola. Era para ser sobre a fauna e a flora, mas achei que seria mais útil escrever sobre a pinguela, contando o medo que eu e outras pessoas tínhamos de passar naquele local. Sem iluminação, com o mato crescendo desenfreado, casos de estupros eram cotidianos, todos circulavam quase que correndo", pontuava a autora, Lê Persi.

Em 24 de janeiro de 2012, o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, tentava explicar como pinguelas perigosas ainda persistiam na cidade, cravadas em meio ao cenário de desenvolvimento urbano.

"Os próprios moradores acabam colaborando com a deterioração das estruturas dessas pontes. As pessoas jogam entulhos, retiram as vigas, arames e até parafusos para uso próprio", enfatizou Brito à época.

Jardim Europa, Santa Clara, ponte de madeira entre Jardim Flórida e Bauru 2000... Sempre estiveram por aí essas passagens precárias, porém, úteis na "função" de encurtar distâncias. E, no fim das contas, são elas (as pinguelas) dignas representantes de um problema de mão dupla: ineficiência da gestão pública aliada a hábitos errados da população.

A ponte de madeira na montanha Daedunsan, Coreia do Sul, fica "balangando" a uma altura equivalente a prédio de 15 andares e com pouquíssima proteção aparente. E a Pinguela Carrick-a-Rede, na Irlanda do Norte, tem 20 metros de extensão de 30m de altura, também sem segurança.

Pelo menos, nesse dois casos, a vista é extraordinária. Diferentemente das passagens improvisadas de muitas cidades brasileiras, como Bauru, e seus entornos recheados de mato alto, mau cheiro, lixo "exuberante", entulho e dengue. Pendendo mais para tragédia do que para o turismo radical. Mais para a dramaticidade do tango do que para a euforia do samba.

O autor é editor executivo do JC

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