Geral

Entrevista da Semana: Agora é a vez do Rei Momo

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

Sorrisos, braços abertos para o samba e toda a simpatia do mundo. É com esta receita que Carlos Frederico da Silva Caetano, o Tuta, garante ter conquistado a coroa e o cetro do Carnaval bauruense 2015.

“Esta foi minha primeira indicação. Fui convidado há alguns anos, na verdade, mas não pude concorrer por questões pessoais. Desde o início, eu só pensei em colaborar com a escola, não importando o resultado. O segredo é sorrir, sambar e interagir com o público. Eu fiz tudo isso. Acredito ter me esforçado muito para conquistar o título”, destaca o Rei Momo.

Apesar de ter concorrido pela primeira vez à realeza do Carnaval, Tuta convive com a maior festa popular brasileira desde a infância. Nascido e crescido na Vila Falcão, o Carnaval é herança de família. O Rei Momo foi apresentado à folia ainda bem menino, aos 6 anos de idade, por uma tia, a “Tia Maria”, uma das fundadoras da escola Mocidade Independente da Vila Falcão.

Pertencente à Escola Mocidade Unida da Vila Falcão, o entrevistado de hoje tem três filhos e atua como vendedor. “Vivo na estrada por causa do meu ofício. Considero esta uma área profissional magnífica. Meus dias são cheios de novidades”. Leia mais, a seguir:

Jornal da Cidade – Quem apresentou o Carnaval ao Rei de 2015?

Carlos Frederico da Silva Caetano (Tuta) – O Carnaval entrou na minha em 1976, no primeiro ano da escola Mocidade Independente da Vila Falcão. Minha tia Maria foi uma das fundadoras da escola. Ela levou a família para o samba. Não parei mais, desde então.

JC – Lembra-se da sua primeira fantasia?

Tuta – Não, mas lembro-me de personagens como o saci, palhaço... Eu morava na Vila Falcão e tinha 6 anos de idade quando desfilei pela primeira vez. Saí na ala das crianças. 

JC – O que o Carnaval simboliza para o Rei Momo 2015?

Tuta – Simboliza a alegria. Aquele momento de descontração. Pisar na avenida é esquecer por um tempo os problemas e ser feliz. Eu sou do tipo que espera o ano inteiro pelo Carnaval. Pretendo sair em todas as escolas que me convidarem. 

JC – Você nasceu e cresceu na Vila Falcão, onde surgiu a sua escola do coração. Como foram os seus dias de infância?

Tuta – Contam-me que nasci nas mãos de uma parteira, o que era bem comum naquela época. Lembro-me do futebol (risos). Jogava bastante. As brincadeiras de rua eram constantes. Mas o futebol era dia e noite. Apanhei muito por isso (risos). Eu vivia na rua. Chegava todo sujo em casa, meu pai me mandava direto para o banho e já aproveitava e me dava uns tapas no chuveiro mesmo (risos). Foi uma época boa.

JC – O título de Rei Momo foi uma surpresa?

Tuta – Esta foi minha primeira indicação. Fui convidado há alguns anos, na verdade, mas não pude concorrer por questões pessoais. Desde o início, eu só pensei em colaborar com a escola, não importando o resultado. Eu tinha em mente que, se perdesse, iria parabenizar o vencedor com alegria. O Carnaval é assim: você pode perder hoje, mas no próximo ano estará lá lutando novamente de coração. Eu desejei sorte aos colegas, porque todos mereciam ganhar.    

JC – O que você acha que realmente pesou na escolha?

Tuta – Eu senti uma emoção muito grande, porque não esperava mesmo receber a coroa. Senti um grande orgulho ao ver a comunidade toda comemorar a conquista comigo. Só tenho a agradecer a escola que fez a festa comigo e me apoiou muito. Foi uma emoção enorme mesmo. Aqui é Vila Falcão (risos). O segredo é sorrir, sambar e interagir com o público. Eu fiz tudo isso. Acredito ter me esforçado muito para conquistar o título. Fiquei muito feliz.

JC – Qual é a expectativa para o desfile?

Tuta – A expectativa é a melhor possível. Todas as escolas e blocos estão preparados. Há novas agremiações chegando... este será um Carnaval histórico. Nossa cidade perdeu muito com os anos de Carnaval ausente. Agora é reconstruir a festa e trazer de volta aquela que já foi uma das maiores do Brasil.     

JC – Quais foram os seus caminhos profissionais?

Tuta – Meu primeiro emprego foi como office-boy em um escritório. Depois virei escriturário em um ferro-velho. Já trabalhei com serviços gerais, segurança... até que descobri o ofício de vendedor. 

JC – Esta é a sua área de atuação, hoje?

Tuta – Sim. Considero esta uma área profissional magnífica. Gosto muito do trabalho que faço. Já trabalhei para várias empresas. Viajo muito e um dia nunca é igual ao outro. Meus dias são cheios de novidades. Conheço muitas cidades, gente bacana. Já vivi muitas aventuras e muitas pessoas viraram amigas. Conheci clientes que me trataram como filho. Eu era visita na casa dessas pessoas, que até pouso me ofereciam. Muito bacana mesmo.

JC – Qual é o sonho do Rei Momo de Bauru? 

Tuta – Eu gostaria muito que o Carnaval também trabalhasse, cuidasse e servisse ao social. Acho que meu sonho é ver essa grande festa servindo para o trabalho social. 

JC – Uma dificuldade.

Tuta – Quando a gente perde alguém de quem a gente gosta muito é um grande sofrimento. Perdi minha avó dona Camila aos 14 anos. Ela foi uma grande guerreira. Lutou por toda a família. Perdê-la foi um grande sofrimento.

JC – Uma grande alegria.

Tuta – Acredito que a maior alegria de um homem é ser pai. E isso aconteceu comigo três vezes. É uma emoção muito grande. Não consigo enxergar algo maior na minha vida. Dizem que somente ser avô se compara a esse sentimento. Estou aguardando por isso (risos).

Perfil


Nome: Carlos Frederico da Silva Caetano (Tuta)

Idade: 45 anos 

Local de nascimento: Bauru

Signo: Virgem

Filhos: Juliane, Bruna e João  

Livro de cabeceira: Bíblia

Filme preferido: Gosto de comédia e ação

Time de futebol: Corinthians

Estilo musical predileto: Samba de raiz (carioca) 

Para quem dá nota 10: Para os que foram para as ruas nas Diretas Já  

Para quem dá nota 0: Para o preconceito

E-mail: carolos_fredericsilvestergaetano@hotmail.com

Comentários

Comentários