Tribuna do Leitor

Borebi, uma mãe...


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Na edição do dia 10/02/15, do Jornal da Cidade, foi publicada uma nota do Sr. Fabricio Rodrigues com o título acima. Permita-me chamá-lo apenas de Fabrício, pois fica bem mais informal. Quero parabenizá-lo, pois, sendo você um jovem, difere da grande maioria da juventude brasileira, que é sempre adepta da síndrome "Zecapagodiana" do "deixa a vida me levar, vida leva eu", e demonstra estar em sintonia com o cotidiano e a realidade de sua cidade. É bem verdade que o município de Borebi tem benefícios que são concedidos à população e certamente não todos os que ela merece e precisa, porém, o sistema precisa, como tudo na vida, passar por adequações, reformulações, em conformidade com o momento histórico.

Há um ditado popular que diz: "Devemos ensinar a pescar, em vez, de dar o peixe. É claro que, num primeiro momento, dar o peixe pode ser indispensável, porém, não se pode tornar alguém dependente, para sempre, pensando em benefícios políticos. É o caso da mãe Borebi, pois, hoje, ninguém quer aprender a pescar, e quando se propõe a ensinar, logo vem a resposta, que nem se quer é pensada, mais decorada: "O outro fazia". "O outro dava".

Veja um exemplo claro: o governo federal oferece bolsas de estudo em universidades particulares, através do Prouni, mas para concorrer é preciso alcançar média no Enem, aí, é muito sacrifício, é preciso estudar. Tenho que fazer a minha parte, tenho que renunciar alguma coisa, logo, pra quê? A mãe dá.

Caro Fabrício, a mãe Borebi até 2012 entregava à população cerca de 350 cestas básicas, atualmente são aproximadamente 150: é pouco?
Para uma cidade com pouco mais de 2.400 habitantes. Significa: eram 14,5% da população que viviam na "zona" da pobreza, da miserabilidade, hoje, 6,2%. Com certeza, boa parte, na "zona" de conforto, pois, quais critérios eram utilizados para a concessão do benefício que segundo as regras do FNAS tem caráter eventual e não permanente, que se perpetua no tempo, como sempre ocorreu. Agora, acha que reduzir isso é fácil? É justo, porém, fácil jamais! É preciso coragem, vontade política.

Eu já ouvi dizer que na casa em que come um, comem dez. É bem provável que sim, mas todos vão comer mal. A mãe acaba passando fome, para dividir, e fica desnutrida, culminando com a morte.

Quando a mãe morre, todos perecem e ficam como cachorro em dia de mudança, isto é, não sabem para onde ir e nem o que fazer. Veja bem, a atual administração já pagou uma indenização trabalhista de mais de R$ 600,000,00 herdada da administração anterior, fechou um acordo com o Ministério Público Federal do Trabalho para extinção de uma multa de R$ 4.300.000,0 decorrente de negligência da administração anterior, o acordo vai custar R$ 150.000,00 aproximadamente em 2015.

Quando se espera que não haverá novas surpresas, chega autuação da Receita Federal no valor de mais de R$ 700.000,00 entre INSS não recolhido, acrescido de multa, juros e correção monetária, que se parcelados demandarão mais R$ 12.000,00 mensais durante pelo menos 5 (cinco) anos. Nessa brincadeira, lá se vão, R$ 1.450.000,00 (hum milhão, quatrocentos e cinquenta mil reais), que representariam 16.100 cestas básicas, ou 4.830 bolsas de estudo ou ainda, 371.800 passes para o trabalhador no trajeto Borebi x Agudos e vice versa.

Amigo Fabrício, a mãe está sofrendo, pois gostaria de oferecer mais aos seus filhos, mais com tantas surpresas, já está tirando da própria boca para continuar dividindo. Por isso espera que haja compreensão, porque, reagir com "o outro fazia, o outro dava", tem um preço, e a conta vence. E a fatura está chegando. Vamos, sim, priorizar aqueles que realmente precisam porque, se a mãe morrer, os filhos perecerão.

Carlos R. P. Lima

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