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'Você conhece a cachaça que toma?

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Renan Casal

No encontro, público aprendeu a apreciar uma cachaça de

alta qualidade. Expert em cachaça, sommelier Leandro Batista ensina a fazer a verdadeira caipirinha

Deixar o preconceito de lado, saber apreciar aquela que já foi considerada bebida de má qualidade e hoje está elevada a um patamar até de grife internacional. Esse foi um dos lados da conversa que o sommelier de cachaça Leandro Batista, considerado o “Neymar” da área, teve com apreciadores da bebida e com a imprensa última semana em Bauru.


O encontro foi no Alameda Quality Center, em parceria com o Engenho São Luiz, de Lençóis Paulista. Foram mais de duas horas de ensinamentos, para experts e apreciadores de primeira viagem, da chamada “branquinha”. Batista, lembrou que uma boa cachaca é transparente, brilhante e não possui nenhuma partícula sólida. O aroma tem que ser agradável e suave, não exalar cheiro de álcool e o mais importante: ao contrário do que muita gente pensa, cachaça boa mesmo é agradável de se beber,  é suave, não resseca a boca e nem queima a garganta, apesar de seu alto grau alcoólico.


E já que falamos branquinha, vai aqui um adendo: nem toda cachaça é branca. Ela pode sim ter uma cor amarelada dependendo da madeira onde está armazenada. É a chamada “envelhecida”.


Caipirinha é única


Leandro Batista ainda desmistificou a famosa caipirinha dizendo que não existe caipirinha de maracujá, morango ou outra fruta que seja. Esses são drinques ou batidinhas, mas não caipirinha. A única e legítima caipirinha, segundo ele, é feita de limão, açúcar e cachaça. Os ingredientes devem ser apenas misturados, delicadamente. Bater é uma “heresia”.


Outra ressalva feita por Batista: para a bebida destilada de cana-de-açúcar ser considerada cachaça só pode ser produzida no Brasil. Nenhuma produção internacional pode levar o nome de  cachaçaria. A cachaça, por definição, é uma bebida alcoólica extraída da cana, que deve ser cultivada em solo fértil, descansado e ensolarado e brasileiro, portanto.

Os nomes da ‘marvada’


Em 400 anos de história, a bebida mais conhecida como “pinga” no popular, a cachaça, tem vários outros nomes. Vale lembrar alguns: águardente, cana, cainha, dona branca, água que boi não bebe, água que passarinho não bebe, elixir engasga gato, malvada, maria branca, graspa, teimosa, veneno, pecado, caxiri, goteira, parati, óleo parati, mata-bicho, purinha, branquinha, trago, bagaceira e perversão, entre outros.


13 de setembro: o Dia da Cachaça


Desde 2011 o Brasil tem uma data destinada à bebida. O dia 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça. A escolha da data tem explicação histórica. Em 13 de setembro de 1661, uma revolta popular contra a colônia portuguesa levou à legalização da cachaça, que era proibida até então sob o argumento de que ingeri-la prejudicava o trabalho dos negros e também a produção de açúcar.


Historicamente sabe-se que durante o século 17 alguns fazendeiros e produtores do destilado se uniram para brigar contra a proibição de comercialização e produção da bebida imposta pela coroa portuguesa, resultando na “Revolta da Cachaça”.


O objetivo da coroa portuguesa era substituir a cachaça pela bagaceira, uma bebida típica europeia. Mas finalmente, no dia 13 de setembro de 1661, a fabricação e a venda da cachaça, tal qual eram feitas no Brasil, foram liberadas.


O Brasil tem um órgão dedicado a ela: trata-se do Instituto Brasileiro da Cachaça-IBRAC, fundado em 2006 e localizado em Brasília que divulga a cachaça no Exterior. Para exportação no mercado internacional ela é apresentada como deve ser: bebiba exclusiva e genuinamente brasileira.



 

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