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'Artesão transforma os papéis usados em "joias"

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma apostila de três folhas com a técnica de enrolar papéis transformou a vida de Antônio Celso Santos Dias, 50 anos, morador de Jaú. Hoje, ele é um artesão que faz uso de papéis para produzir verdadeiras joias. Ele conta que o enrolar de papéis apareceu na vida dele através de uma terapia ocupacional.


“Eu fiz uma cirurgia de coração e não pude mais exercer minha profissão. Eu era calheiro. Vivia em cima de prédios, casa, colocava rufos e condutores. Vivia no sol. Minha pressão era alta. Após o procedimento, veio uma pessoa em casa e me ensinou parte da técnica como terapia ocupacional. Essa técnica existe há mais de 50 anos. Eu gostei e comecei a fazer.”  


A matéria prima são capas de revistas, jornais, caixinhas de embalagens, papéis de vários tipos. “Faço bijuterias de forma sustentável. 90% do material é papel, especialmente aqueles que podem ser transformados em pontas bonitas para um colar, brinco ou pulseira. Pessoal começou a gostar aqui em Jaú. Depois, eu recebi convite para ir para a Feira em Bauru que tem uma rotatividade maior de pessoas. Eu faço em casa, minha mulher, Helena Maria Cesário Dias me ajuda.”


Ela diz que procura acompanhar as tendências da moda. “Observo as tendências de cada estação do ano para escolher as cores dos papéis. Eu corto o papel que dá certo. Minha mulher enrola. Eu dou o banho e faço as montagens. Tenho colar de todo tipo e modelo, curtinho, comprido, médio, chic ou popular.”


Depois de enrolado com cola branca, a peça ganha banho de resina. “Deixo secando por uma semana, num varalzinho. Essa conta de papel não abre mais porque vira uma pedra, incolor e com brilho. Já testei colocando as contas em um vidro cheio de água e não abriu. Por isso posso afirmar que pode tomar chuva. As contas de papéis têm resistência.” 

O trabalho de confecção pode receber outros materiais. “Além das contas de papéis misturo miçangas, outras pedras para adornar. Algumas peças ficam chics e podem ser usadas em bailes de gala, jantares.”  O artesão não vive disso, é um complemento de renda. “Cada reposição que faço, daquele modelo que tenho, nunca sai igual ao que foi vendido. É artesanal mesmo e cada peça é praticamente exclusiva. É uma biojoia, porque uso papéis que iriam para o lixo. As bijuterias custam de R$ 10 a R$ 25. A peça mais cara custa R$ 40.” No Facebook é Helena Celso Dias.

Ocupação é benéfica em qualquer idade


Para o aposentado ter uma ocupação prazerosa é algo indescritível. “Mexendo com o bambu eu tenho paz, tranquilidade. É diferente do  trabalho profissional. Eu faço amigos e o contato com as pessoas é muito importante,” conta Luiz Carlos Rocha Santos.


Ele acredita que sem a atividade diária estaria em depressão. “Se não tivesse uma ocupação estaria doente. Sem atividade, eu ia acordar e não ter o que fazer. Eu indico para todo mundo. Tem gente fazendo coisas bonitas e com receio de expor. Somos uma família de artesãos. Nós recebemos crítica construtiva que impulsiona o nosso aprimoramento. Exercito várias partes da minha mente. Tenho que fazer contas, medir, multiplicar, usar técnicas e isso é qualidade de vida.”

 

 

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