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O que posso fazer para me realizar?

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Se as máscaras socias - desde que usadas com ressalvas - ajudam na nossa convivência social, como fazer para nos realizarmos por completo quando passamos a questionar tais máscaras? A psicóloga Aline Roveda explica que, desde o útero, apresentamos características que estarão conosco durante toda a vida. Assim, após nascermos, vamos aprendendo com nossos pais e educadores o que podemos ou não fazer, como podemos ou não nos comportar.


É uma escala de aprendizados de convivência que segue a linha do tempo. “Somos, em geral, chamados à atenção por termos feito algo que não é socialmente aceito. E aprendemos a falar o que não queremos também desde cedo. Um exemplo clássico disso é a festa de aniversário: mesmo a criança não tendo gostado do presente que sua madrinha lhe deu, a mãe cutuca a criança e pede que ela agradeça e diga que gostou e vai usar. E, assim, com o exemplo e ensinamento de nossos pais, e vendo a reação das pessoas ao que falamos e como nos comportamos, vamos estabelecendo, sem perceber, em nossa cabeça alguns critérios de convivência”, prossegue.


Roveda lembra que esses critérios são estabelecidos de forma inconsciente. “Entretanto, a partir do momento em que sentimos a necessidade de sermos nós mesmos e não mais o que os pais nos ensinaram e falaram, começamos a testar os nossos próprios pais, educadores e o mundo ao redor para checar se realmente o que nos foi ensinado condiz com o que somos ou queremos nos tornar”.


Na sequência, torna-se comum questionarmos, muitas vezes sem percepção, se a forma como nos comportamos socialmente condiz com os nossos reais desejos e a nossa forma de pensar. “Desde pequenos, aprendemos a disfarçar determinados sentimentos e emoções, assim como formas de falar e de nos comportar. De outro lado, a sociedade de uma forma geral critica quem não anda conforme as regras e os padrões impostos”, acrescenta a psicóloga.


Mas o que é ideal? Para Roveda, a observação é que o “ideal vai depender do seu objetivo de vida, das metas que você estabeleceu para si. Se você tem vontade de participar de um determinado grupo social específico (seja um grupo profissional, ou um grupo familiar ou de amigos), observe quais são as regras sociais vigentes e dance conforme a música. Se no seu coração você sentir que esse não é o seu lugar, tenha coragem e mude”, sugere.


A autorreflexão é fundamental em todo esse processo, diz a psicóloga Aline Roveda. “O que a gente não pode fazer é ficar se reprimindo eternamente com medo do mundo. Sempre faça as seguintes perguntas pra você: ‘Me realizo emocionalmente nessa situação ou grupo específico?’. Se a resposta for ‘não,’ faça-se outra pergunta: ‘O que posso fazer para me realizar?’. Reflita sempre!”.

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