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Explosão de dengue em Bauru gera preocupação

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

O grande número de casos de dengue na região e o aumento repentino da doença em Bauru já neste começo de ano lançaram o sinal de alerta na Secretaria Municipal de Saúde. Até a véspera do Carnaval, a cidade totalizava 112 casos de dengue, sendo 87 autóctones (contraídos na própria cidade) e outros 25 importados. Para se ter uma noção do problema, 41 foram confirmados de uma vez apenas em um dia (na última quinta-feira).


Para efeito de comparação, em 2014 inteiro foram 432 casos (380 autóctones e 52 importados). Ou seja, em apenas 45 dias, o município já tem 25% do número de casos de todo o ano passado. A cidade viveu até hoje três epidemias de dengue, em 2007, 2011 e 2013.


Na primeira vez, o sorotipo predominante era o 3 e os casos começaram na região sul de Bauru (Vila Universitária) até se espalharem por toda a área urbana, totalizando 2.206 infectados. Em 2011, o foco inicial foi a região noroeste (Nova Esperança, Jaraguá e Bela Vista), com total de 4.366 registros no ano, com predominância do sorotipo 1, o mesmo de 2013, quando a epidemia teve início no Jardim Ouro Verde e Vila Independência (região sudeste), com índice significativo também nos bairros próximos ao Núcleo Mary Dota, chegando a 7.500 casos.


Sudeste e leste


Em 2015, a Secretaria Municipal de Saúde ainda não divulgou quais os locais mais atingidos, mas as regiões sudeste e leste da cidade aparecem como as mais propensas a liderar as estatísticas.


“Pelo que vimos até o momento, a maior parte da procura de atendimento em casos suspeitos de dengue foi na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Geisel/Redentor, o que sugere que é naquela região da cidade que estão ocorrendo mais casos. Porém, ainda não dá para detalhar em quais locais específicos isso vem ocorrendo”, aponta o secretário de Saúde, Fernando Monti.


“No Estado de São Paulo, o sorotipo que circula mais ativamente no momento é o 1. E essa região de nossa cidade (sudeste) foi menos atingida em epidemias anteriores”, lembra o titular da pasta.


Em 2015, a administtação ainda vai pedir exames detalhados para identificar qual o sorotipo que predomina. “Mas tudo indica que seja o 1. E isso já nos traz preocupação. Mas é importante ressaltar que, se fosse o 4, seria ainda pior, pois toda a população está suscetível”, acrescenta.


A preocupação de Monti é justamente porque o sorotipo 4 nunca circulou em Bauru. Quando uma pessoa é infectada com dengue, ela fica imune a aquele sorotipo.


Outros fatores


O interior paulista tem vários municípios em epidemia de dengue, como Limeira, Sorocaba, Catanduva, Penápolis e Guararapes. Na região de Bauru, a cidade de Marília decretou estado de emergência e Ubirajara, Avaí e Pirajuí vivem surtos da doença.


Outra preocupação da Secretaria de Saúde de Bauru é com o vírus da febre chikungunya, transmitido pelo mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti. “Temos um clima que favorece o desenvolvimento do Aedes, e nunca tivemos registros do chikungunya em Bauru, ou seja, toda a população está suscetível. Em termos clínicos, ele dura mais que a dengue e pode ser mais grave em pessoas debilitadas, como os idosos”, reitera.


Evitar casos graves e tratar adequadamente manifestações da dengue hemorrágica são considerados o principais objetivos hoje. “Nossa rede de saúde está treinada para ter um atendimento rápido a dengue, identificando casos graves. Felizmente, temos uma boa resposta a isso e um número de mortes baixo”, salienta.


Homeopatia


Fernando Monti diz ainda que usar métodos como a homeopatia (que já foi testado em Cuba e cidades brasileiras como Macaé e São José do Rio Preto) está fora de cogitação. “Até hoje não há um estudo científico conclusivo que mostre a eficácia (da homeopatia). No caso da dengue, o importante é treinar as equipes e controlar a doença antes que fuja do controle, porque aí fica muito complicado”, conclui o secretário.

 

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