Carnaval 2015

Tradição da Zona Leste: sorte e azar cantados na passarela do samba

Tisa Moraes e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

A Tradição da Zona Leste foi a primeira escola de samba a desfilar no Sambódromo, levando para a avenida o samba-enredo “Sorte tem quem acredita nela”, sobre superstições que trazem sorte ou azar, sedimentadas ao longo do tempo na cultura popular. Objetos, plantas, animais, atitudes, nada passou despercebido pela agremiação, que entrou na avenida por volta das 23h30 com cerca de 400 integrantes.


Dinâmica, a comissão de frente representou as festas ciganas, com o uso de leques e pandeiros. Lenços usados pelas dançarinas, quando unidos, compunham um pentagrama, forma a que são atribuídos inúmeros significados, incluindo a proteção contra o mal.


A Tradição teve problemas, no início, com seu carro abre-alas, que, felizmente, acabaram sendo contornados.


O segundo carro, marcante, trazia uma enorme e assustadora bruxa má, cercada de velas e espelhos quebrados.


As demais alegorias e alas, assim como o samba-enredo composto por Gisele Baroni Saes, também fizeram menção a um sem-número de crendices, como o gato preto, coruja, borboletas, arruda, guiné, trevo de quatro folhas, pimenta, olho grego, fonte dos desejos e banho de ervas, apenas para enumerar alguns exemplos.


Apesar do tema lúdico e de toda a empolgação demonstrada por seus integrantes, a agremiação poderá perder pontos, já que dois carros desfilaram sem seus principais destaques, por falta de condições de segurança, conforme avaliação do Corpo de Bombeiros.

Malavolta Jr.

Porta-bandeira Denise dos Santos e mestre-sala Luiz Ricardo Dias encantaram o público

Palavra do presidente


“Fizemos um desfile muito bom, com um enredo chamativo e alegorias muito bem feitas. Um trabalho de dedicação e percebemos que o público cantou e abraçou nosso samba. Apesar de, ainda na concentração, em cima da hora, os Bombeiros terem vetado dois destaques, pela altura dos carros, cumprimos nosso objetivo. A avaliação é muito positiva.”


Francisco Carlos Saes,

Presidente da comissão de eventos

Voz do analista

De acordo com Valmir Negrão, a Tradição se superou em relação ao desenvolvimento do enredo e à colocação. “Fiquei preocupado com o desempenho, porque muitos diretores saíram e novas pessoas os substituíram. Porém, a escola me surpreendeu”.


O analista explica que o grupo veio com uma comissão de frente muito boa, carros alegóricos em sintonia com o enredo e um samba que empolgou. No entanto, Negrão acrescenta que a Tradição pecou nos quesitos harmonia e evolução. “Deu a entender que eles se esqueceram da última ala. Se uma escola, independentemente do tamanho, for boa em bateria, samba-enredo, harmonia e evolução, é uma forte candidata a ganhar o Carnaval”, finaliza. 

 

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