Tribuna do Leitor

O uso de tênis e de Overall


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A vestimenta que os americanos chamam de Overall tem a finalidade de proteção. Traduzidas as palavras,  seu significado etmológico é por cima de tudo. É usada por cima das roupas normais e protegem contra o pó ou outras agressões.  É possível que nos hieróglifos egípcios se ache algo a respeito pois a humanidade se defende das agressões naturais desde muito tempo. Em documentos oficiais consta que em 1776 a Marinha Britânica já fazia menção a um Overall militar.

Antigamente era mais comum o uso de um Overall chamado  guarda pó, útil principalmente nas viagens,  mais especificamente nas ferroviárias.
Nos Estados Unidos, como relata o English Language Institute, impresso em 1995, já havia oposição ao uso indiscriminado dos Overalls, principalmente nas reuniões sociais. Os críticos achavam que seu uso só devia se dar quando alguém ia lavar o carro, fazer faxinas no quintal, usar alguma ferramenta, ou fazer algum serviço pesado e sujo.

Ninguém o usava numa partida de golfe, ao pronunciar uma conferência, ou nas reuniões sociais. Talvez numa espécie de luta para se libertar das regras sociais temos visto varias utilizações, não só de macacões mas também de tênis nos pés.


Livrando-nos do acatamento das regras torna-nos menos cheios de trabalho, talvez acompanhado de uma sensação interior de liberdade. A nosso ver, isso corresponde também a uma falsa sensação de democracia, como querendo dar a ideia que qualquer um pode usar um par de tênis em vez de um custoso par de sapatos. Se bem que a indústria de tênis trabalhou tão bem que hoje os encontramos a um preço maior  que os de  um par de sapatos.

Muitos de nós se lembra da  formatura escolar pela qual passou em meio a flores, cânticos patrióticos e o duo "tristeza e alegria", envolvidos pelo rigor dos trajes dos convidados. Lembro-me que precisei de uma beca alugada para participar da efeméride. Não tenho nada contra o uso de tênis. Afinal eles também participam da ocasião. Acho que o que mais influi na sua aceitação ou não é a nossa psicologia íntima ou modo de sentir de cada um de nós.

Rui  Bertoti

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