Carnaval 2015

Bauru encerra Carnaval com show de entusiasmo no Sambódromo

Tisa Moraes, Bruna Dias, Vítor Peruch e Paola Patriarca
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Com chuva, Bauru encerrou seu Carnaval no Sambódromo em 2015 sob a marca do entusiasmo. Foi assim na noite de sábado (14) e madrugada de domingo (15) e a cena se repetiu na passarela, nas arquibancadas e nos camarotes na noite de segunda-feira (16) e madrugada desta terça-feira (17).

Ao todo, nos dois dias de festa, foram oito escolas e oito blocos em busca da consagração do júri e do público. A apuração dos campeões será nesta quarta-feira (18), às 15h, no Centro Cultural da avenida Nações Unidas. Cerca de 15 mil pessoas assistiram o último dia de desfile.

Coroa Imperial da Grande Cidade

Vitor Peruch

A missão era usar o samba para enaltecer e dançar os mais diferentes gingados das danças populares brasileiras

“Balança o corpo, balança”, dizia o refrão do samba-enredo que a Coroa Imperial da Grande Cidade levou para o Sambódromo, entre o final da noite de segunda (16) e início da madrugada desta terça-feira (17). Foi a primeira escola a entrar na avenida, pouco antes do fechamento desta edição.

Ainda sob a chuva fina que caía no Núcleo Geisel, onde fica a passarela do samba e a própria sede da agremiação, a Coroa entregou uma explosão de cores durante o desfile, que cantou o samba-enredo “Quem não dança segura a criança”, de Léo do Rasi.

A missão era usar o samba para enaltecer e dançar os mais diferentes gingados das danças populares brasileiras, “de Norte a Sul”, como dizia a letra da música. E a mistura deu certo logo no início, com a comissão de frente, com traje de gala, dançando não apenas valsa, mas também passos de balé e de quadrilha de festa junina.

Com muitas cores, as fantasias conseguiram explorar e caracterizar, com grande grau de fidelidade, a regionalidade de cada ritmo. Incrivelmente, muitas delas foram recicladas – e todas confeccionadas pela própria comunidade, uma iniciativa da agremiação para valorizar a integração e o talento dos próprios moradores.

Basicamente, cada ala representou uma dança. O carro-abre alas mostrou o encontro entre o balé e o samba, as baianas giraram em homenagem ao maracatu, as passistas sambaram com roupas de rumba, a bateria embalou a escola destacando o afoxé, e o mestre-sala e a porta-bandeira dançaram o minueto (dança característica da nobreza).

Estavam lá, desfilando na avenida, também, o reisado (vinculado à Folia de Reis), o forró, a rumba, o mambo, o fandango, a marchinha de Carnaval, o frevo e o hip hop, entre tantos outros. Com cerca de 450 integrantes, a Coroa prestou homenagem, ainda, às primeiras professoras de balé de Bauru. Em um dos carros alegóricos, estava Dalva Corrêa, do Balé Vitória Régia.

Águia de Ouro

Vitor Peruch

Águia de Ouro lembrou os tempos de infância em desfile nostálgico e animado na passarela do samba

Quem não se lembra dos tempos de infância pôde relembrar e, ao mesmo tempo, sambar na madrugada desta terça-feira (17), no Sambódromo de Bauru, com a Escola Águia de Ouro.

O samba-enredo, que já existia há pelo menos dois anos na cabeça do presidente Edivaldo Simões, fez com que os foliões viajassem no tempo. “Esconde-esconde, pega-pega eu brinquei, Bola de gude um peão eu vou jogar, De geração em geração, uma cantiga a ninar”, cantava o samba de Joãozinho.

A escola entrou na passarela do samba por volta da 1h05, com pouco mais de 45 minutos de atraso, com a comissão de frente “Tempo bom que não volta mais”, que arrancou elogios do público pela interpretação e animação. Antes disso, na concentração, muita emoção por parte dos integrantes. Após um discurso emocionado dos intérpretes.

Até a chuva deu uma trégua para os foliões relembrarem o passado e contagiarem o bom público presente. A escola, fundada em 1975, veio para a avenida com cerca de 800 integrantes, 4 carros alegóricos e 12 alas.

Azulão do Morro

Paola Patriarca

A escola interpretou o enredo “As revoltas conquistaram a abolição"

A história da libertação dos negros, da luta contra o preconceito e a permanência dele na sociedade foi levada para o Sambódromo de Bauru pela Escola Azulão do Morro, na madrugada desta terça-feira (17).

A escola, que foi a terceira a se apresentar, entrou na avenida com 560 integrantes, três carros alegóricos e 12 alas ao som de “Ainda é grande o preconceito racial. Quem tanto fez, tanto faz, vai passando muito mal. Que o negro é livre diz a lei, até onde eu não sei”. O enredo “As revoltas conquistaram a abolição. As revoltas conquistarão a emancipação” foi criado pelo vereador Roque Ferreira, que acompanhou a escola.

A comissão de frente era formada por um grupo de índios que atacava um membro da tribo africana. Logo atrás, o carro abre-alas trazia o Quilombo dos Palmares e mulheres com roupas africanas. Jheyssy Kellen, 21 anos, estava no carro. “Estou feliz com o desfile, mas fiquei nervosa. Primeira vez saio na Escola e estou muito animada. Não choveu muito no nosso desfile, mas se chovesse ia ser a mesma animação”, contou.

Tradição da Bela Vista

Vitor Peruch

Na passarela do samba, a escola contou com cerca de 300 integrantes

O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba (GRCES) Tradição da Bela Vista encerrou o Carnaval 2015 em Bauru, na madrugada desta terça-feira (18), homenageando a própria escola e seus mais de 24 anos de história, debaixo de muita chuva.

Por volta das 4h15, com mais de 1h15 de atraso, a Escola de Samba, fundada em 1988, entrou na passarela do samba contando com cerca de 300 integrantes, divididos em nove alas e três carros alegóricos.

A Tradição da Bela Vista tem como presidente Francisco Carlos Saes, o Chiquinho, e ficou fora dos desfiles por alguns anos, mas neste ano retornou para alegria dos seus foliões.

 

BLOCOS LEVAM PROTESTO, MEMÓRIAS E ANIMAÇÃO PARA O SAMBÓDROMO

Paola Patriarca

O samba-enredo conta parte da história de Bauru, falando da ferrovia

Sob ameaça de chuva, o bloco Unidos do Jardim Petrópolis foi o primeiro a desfilar no Sambódromo, na noite de ontem, trazendo, coincidentemente, um protesto contra o “poeirão” que sobe das ruas de terra em razão das estiagens prolongadas que se intensificaram desde o ano passado. Mas o grupo, formado por cerca de 150 integrantes, também celebrou símbolos que fazem parte da história cidade, como a antiga ferrovia e o sanduíche bauru.

O samba-enredo “Bauru com muito orgulho, eu sou mais um”, de José Roberto (Juquinha) e Laércio, lembrou ainda do nome da cidade na língua tupi, que significa “cesto de frutas”. As alas, quase todas usando abadás, com exceção das passistas, fizeram referência aos temas, assim como à importância que o esporte tem para o município, em especial o vôlei, o Bauru Basket e o Noroeste.

A Associação Atlética Oriente, time de futebol amador do Jardim Petrópolis, também foi lembrada nas camisetas dos integrantes, que demonstraram grande animação, envolvendo o público que começava a se aglomerar no Sambódromo. O bloco, que desfila na categoria originalidade, entrou na passarela do samba às 20h10, com 25 minutos de atraso devido a problemas no carro de som.

Vitor Peruch

O bloco veio com a intenção de homenagear os 50 anos da equipe de futebol amador Independência Futebol Clube

Às 21h05, foi a vez do bloco Esquadra da Indepa invadir a avenida com seu mascote gigante, o Incrível Hulk. Com o samba-enredo “Família Independência, 50 anos de história”, composto por Celso Chermont, a agremiação estreou no Carnaval bauruense com uma homenagem às cinco décadas do Independência Futebol Clube. 

O bloco, que desfila como convidado, foi criado no final do ano passado pela Torcida Esquadra da Indepa e mostrou que veio para ficar. Vestindo abadás, os cerca de 200 integrantes, empolgadíssimos, sambaram do começo ao fim do desfile.

Eram notáveis, na avenida, os anos de entrosamento dos integrantes da bateria do time amador da zona oeste, que, agora, se tornaram ritmistas do bloco. Com direito a paradinhas, eles foram um dos principais destaques da apresentação.

Marchinhas sob chuva

Paola Patriarca

Com 800 integrantes, Bloco Pé de Varsa tem oito alas e 3 carros alegóricos

Bloco campeão do ano passado, o Pé de Varsa entrou na passarela do samba por volta de 22h10, debaixo de chuva, para resgatar a memória e a história das antigas marchinhas e dos bailes de Carnaval que ocorriam nos tradicionais salões da cidade. Com inúmeras citações de versos das canções desta “época de ouro”, o samba-enredo “Oh, abre alas que eu quero passar. Sou Pé de Varsa não posso negar!”, de André Odria e Miche Mammocio, estabeleceu identificação imediata com o público.

Bloco com maior número de integrantes (cerca de 800), o Pé de Varsa, que compete na categoria especial, levou muito luxo, cor e brilho para o Sambódromo. As alegorias, inclusive, poderiam ser comparadas às de algumas escolas de samba da cidade.

Os maiores clubes locais, composições e grandes intérpretes foram lembrados no enredo. Mas, apesar do belo espetáculo, o bloco enfrentou dois pequenos problemas na avenida: ficou cerca de quatro minutos sem som durante o desfile e o último carro alegórico, o “Transatlântico de Luxo”, que fazia menção ao Bauru Tênis Clube, apresentou defeitos em uma das rodas, dando trabalho para os condutores da alegoria, organizadores e Corpo de Bombeiros.

Distrito do samba

Vitor Peruch

O bloco contou com 280 integrantes e dois carros alegóricos

Neste Carnaval, o Estrela do Samba de Tibiriçá quis contar a história do Distrito de onde o bloco se origina. O samba-enredo “Tibiriçá está no mapa! Venha conhecer suas histórias, mitos e lendas”, composto por Guilherme Cosmo de Almeida, Sílvio Balbino e Laércio, foi interpretado por três mulheres, algo pouco comum no mundo carnavalesco.

A apresentação, que contou com 280 integrantes, celebrou, com fantasias lúdicas e alas coreografadas, o orgulho que os moradores do Distrito têm de sua origem caipira, destacada, inclusive, nas fantasias da bateria da agremiação.

As raízes históricas indígenas também foram exaltadas pela comissão de frente, conduzida pelo índio Tibiriçá, que ensinou a população a “lutar e semear”. Uma das alas e o último carro alegórico contaram a lenda da noiva que morreu em uma conhecida fazenda do Distrito.

A história, transmitida de geração para geração, até hoje assusta os moradores do Distrito. A chuva, que havia dado uma trégua, voltou a cair fina durante o desfile do bloco, que não perdeu o pique e, mesmo debaixo d’água, levantou a arquibancada.

CHUVA NÃO ESPANTA FOLIÕES NO 2.º DIA

Nem a chuva que caiu por volta das 22h da noite de segunda (16) e madrugada de terça-feira (17) espantou as cerca de 18 mil pessoas que curtiram o segundo dia de desfiles do Carnaval do Sambódromo de Bauru. Este foi o maior evento desde a inauguração da passarela do samba, em 1991, de acordo com a Secretaria Municipal de Cultura. Muita arte, colorido e samba no pé levantaram os foliões que acompanharam a passagem das últimas quatro escolas e quatro blocos carnavalescos.

Quem abriu os desfiles foi, novamente, o “bloco da realeza”: a Rainha do Carnaval, Sandra Souza Pereira (Bloco Império da Lagoa do Sapo); o Rei Momo, Carlos Frederico da Silva Caetano (Mocidade Unida da Vila Falcão); a Rainha da Melhor Idade, Maria Inês da Silveira (Cartola); o Rei da Melhor Idade, Carlos José da Silva (Mocidade Independente), o Cacá; a Rainha da Diversidade, Cristiane Ludgério da Silva (Azulão do Morro).

Logo depois da abertura real, o bloco Unidos do Jardim Petrópolis trouxe o seu samba-enredo de protesto e, ao mesmo tempo, de exaltação a Bauru.

Na sequência, vieram os blocos: Esquadra da Indepa, Pé de Varsa e Estrela do Samba de Tibiriçá, que abriram passagem para as escolas de samba.

2.º grupo

De acordo com o regulamento da Cultura, Bauru terá, neste ano, dois grupos para as escolas de samba, o primeiro e o segundo. Elson Reis, titular da pasta, explica que é a primeira vez que isso acontece na história do Carnaval em Bauru.

“O regulamento foi modificado há dois anos e prevê que, a partir do momento em que nós temos oito escolas, sete ficam no primeiro grupo, o especial, e a que receber menor nota vai cair para o segundo bloco. As escolas novas também vão entrando já neste segundo grupo para o próximo Carnaval”, disse.

Este ano, na realidade, Bauru teve mais uma escola criada juridicamente. No entanto, ela não se inscreveu para o desfile.

Qualidade

Elson Reis avalia o evento deste ano como “mais maduro e competitivo”, principalmente pelo número de escolas e blocos que desfilaram. “Os desfiles ficaram muito bonitos e como temos mais escolas e blocos aumenta a competição. Isso é muito bom porque cada um quer estar melhor a cada ano, e isso nós vemos na qualidade dos desfiles”, finalizou.

Melhorias

Apesar de o Carnaval nem ter terminado e tudo ter ocorrido dentro de sua normalidade, a Secretaria Municipal de Cultura ainda almeja um Sambódromo com melhorias. “Pensamos no recuo da bateria, mas é algo que as escolas disseram que não iam usar, então resolvemos não mexer neste ano. Pode ser que, no meio do ano, elas resolvam que precisam do recuo. Então vamos avaliar”, salientou Elson Reis.

No próximo ano, a pasta estuda ainda fazer um isolamento temporário com barreiras nas ruas atrás da concentração. “Isso ajuda as próprias agremiações a movimentarem os carros alegóricos, por exemplo”, complementou o titular da Cultura.

EM 2016, UM DIA PODE SER SÓ PARA OS BLOCOS

Algo que surpreendeu o público neste ano foi a qualidade dos blocos. Justamente por conta disso, o município pensa em dar mais destaque a eles no próximo ano.

Esta é uma expectativa da Secretaria da Cultura para 2016. Criar, talvez, um dia apenas para o desfile dos blocos.

Quem faz a revelação é o próprio Elson Reis, tendo em vista que a megafolia só aumenta a cada ano. “É algo que iremos avaliar.”

Tranquilo

O supervisor da Polícia Militar (PM) No evento, capitão Gustavo Xavier, definiu a festança, como “tranquilo”.

“Neste ano, tivemos um efetivo maior, com a participação dos alunos da Escola de Soldados, o que não aconteceu no ano passado. Mas o evento foi bem tranquilo, sem brigas e ocorrências”.

 

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