Quioshi Goto |
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Atleta bauruense ainda busca apoio para disputar competições no Exterior |
Os mesatenistas Cláudio Massad e Paulo Salmin, da Associação Nova Era de Tênis de Mesa, vão representar o Brasil nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, que ocorrem em agosto. Massad migrou, no final do ano passado, do esporte olímpico para o paralímpico e vem conseguindo em pouco tempo resultados expressivos.
Em outubro de 2014, Massad passou pela classificação funcional em evento realizado na França e entrou na classe 10 andante paralímpica. “Dentre os andantes, é a que tem o menor grau de deficiência”, explica o mesatenista. Já Paulo Salmin vai competir na classe 7 andante paraolímpica e há dois anos integra a seleção permanente.
A partir daí, Massad passou a disputar o Circuito Mundial paralímpico. “Em dezembro fui para a Costa Rica, onde por duas vezes ganhei de um chinês, número 10 do mundo na minha classe. Acabei perdendo para o campeão mundial na semifinal”, relata Massad.
Com as vitórias na etapa do Circuito Mundial, Massad assumiu a 18ª colocação no ranking mundial de sua classe e o primeiro posto nas Américas, assegurando a vaga no Parapan. “Passei o Carlos Carbinatti, que é da seleção brasileira permanente. Ele é o 20º e eu, o 18º. E fui convocado em janeiro”, explica.
Os bons resultados credenciam o bauruense a sonhar com a participação nos Jogos Paralímpicos em casa, na Rio-2016. Para isso, Massad aponta dois caminhos e foca seus esforços para trilhá-los. “Eu tenho dois objetivos neste ano, que são classificar pelo Pan ou pelo ranking mundial”, destaca o mesatenista. “O primeiro é ser campeão individual do Parapan, o que classifica automaticamente para o individual das Paralimpíadas do Rio. Ou também ficar entre os 12 melhores do ranking mundial, o que também classifica”, observa.
Apoio
Porém, além da parte técnica e física para desempenhar bem seu papel com a raquete, Massad busca viabilizar financeiramente a participação em torneios que são pré-requisitos para ter a pontuação mínima e garantir o direito de jogar na Rio-2016. “É uma exigência que a Federação Internacional de Tênis de Mesa impõe”, ressalta.
Massad precisa jogar torneios que serão realizados na Itália, no próximo mês, Eslovênia e Eslováquia, em maio, e Alemanha, em junho. “São torneios importantes, que vão ter um gasto alto. Estou correndo atrás de recursos”, comenta.
Mesmo sendo número 1 do Brasil em sua categoria e liderando o ranking das Américas, o bauruense não integra a seleção brasileira permanente e, consequentemente, não conta com o apoio da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM). “Não fui convidado pela confederação para fazer parte da seleção brasileira. Na colocação em que estou hoje, eu mereceria pelo menos um respaldo, seja salarial, como estão tendo os atletas da confederação, e em viagens. E não tenho”, lamenta.
O apoio esbarra em uma determinação da entidade para seus atletas. “Existe uma política da confederação de que, entre os convocados, quem é cadeirante tem que morar em Brasília e quem é andante tem que morar em Piracicaba”, conta. Mas Massad não vê necessidade de deixar a associação em Bauru para se desenvolver. “O projeto lá (Piracicaba) é muito bom, mas para quem não tem estrutura. O que não é o nosso caso. Aqui em Bauru, hoje, a gente é referência”, ressalta.
Negativa
Em contato com o presidente da CBTM, Alaor Azevedo, Massad recebeu uma prévia negativa de apoio por parte da entidade. “O objetivo não é bater de frente, é somar. Mas fiquei muito tempo jogando fora de Bauru por falta de incentivo. Agora que a gente tem uma estrutura muito boa quero chegar nas Paralimpíadas jogando pela minha cidade. Se não tivesse condição de me desenvolver aqui, seria o primeiro a entender que precisaria ir embora.
Mas Bauru, hoje, tem esta possibilidade. Não tive nenhum convite da confederação, mas isso me serve de motivação para conquistar os resultados, que serão bons para mim, para a associação e para Bauru”, argumenta. Ainda sem o apoio financeiro da confederação, Massad vem buscando junto ao poder público municipal e em contatos com empresários o dinheiro necessário para custear as viagens para a disputa dos torneios exigidos pela Federação Internacional de Tênis de Mesa. “Preciso destes torneios para poder classificar para as Paralimpíadas”, conclui.
