Esportes

Jiu-jítsu para todos em Bauru!

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Bruno Freitas

Michael Reihner (branco) e Celso Correa (azul) realizam projeto social inédito na cidade: “Esse projeto será uma verdadeira universidade para eles”, ressalta Celso

Muitas pessoas acreditam que o jiu-jítsu é só uma modalidade de luta. No entanto, o esporte praticado no mundo todo, mas que surgiu no Brasil desenvolvido pela família Gracie, vai além dos golpes e dos tatames. Em Bauru, uma escola especializada nesta arte marcial resolveu exceder o tradicional envolvimento entre aluno e professor e está promovendo um projeto inédito. A Gracie Barra, com sede no Altos da Cidade, busca em Bauru, mais precisamente nas periferias, uma demanda de mercado que está em falta em países de língua inglesa, como Estados Unidos e Austrália, por exemplo, onde empresários estão procurando “mão de obra” brasileira.


O motivo do desejo por brasileiros é bem simples. O Brasil, além de ser o berço do brazilian jiu-jítsu, na década de 1920, com os irmãos Carlos e Hélio Gracie, domina até hoje todos os mundiais de jiu-jítsu realizados nos quatro cantos do mundo. Se comparado com o futebol, o País carregaria incontáveis estrelas no peito.


A escola bauruense já iniciou a peneira para a sua “Fábrica de Campeões” com o objetivo de selecionar, inicialmente, 20 adolescentes que integram famílias de baixa renda. Todos precisam estar matriculados e frequentando regularmente as aulas em escolas públicas. Inicialmente, seriam 10 jovens de 13 anos e 10 de 14 anos, de ambos os sexos. A partir de 2016, esse número aumentaria gradativamente até somar um total de 60 alunos.


O professor Michael Reihner, faixa preta 2 graus, uniu-se com o aluno e empresário Celso Ricardo Correa, um ex-campeão faixa-preta de judô e hoje faixa azul da arte suave. A dupla realizará o projeto que se assemelharia com uma “faculdade”.


“A Fábrica começa em março e os alunos terão aulas duas vezes na semana. Os selecionados receberão o vale-transporte para virem à academia (Altos da Cidade) e os quimonos, além do valor das mensalidades. Terão aulas de inglês, acompanhamento psicológico e odontológico. Tudo de graça. O tatame se tornará a segunda casa deles”, explicou Reihner.


A rotina dos alunos será a seguinte: receberão aulas de inglês no próprio tatame, já com quimono, em seguida terão as aulas de defesa pessoal e consequentemente o jiu-jítsu esportivo. Posteriormente, no decorrer das graduações, eles aprenderão o método “coach” (treinador, em inglês), que é a vivência de instrutor e de transferir conhecimentos. “Além de levarmos esses jovens a disputarem títulos Sul-Americanos e Mundiais, a maior vitória deles vai ser mesmo esta oportunidade de crescer como profissional e ser humano”, reitera Reihner.


Parceiro no projeto, Celso Correa explicou ainda que para formar futuros professores leva-se anos. “Esse projeto será uma verdadeira universidade para eles, começando dos 13, 14 anos, na faixa branca, e passando pela azul, roxa, marrom e chegando na preta, quando eles atingirem aproximadamente 19 a 20 anos. Ou seja, eles ficarão estudando o inglês e o jiu-jítsu aqui com a gente por, no mínimo, 4 anos”, complementou o discípulo Celso, que batizou a “Fábrica de Campeões de Lorenzo Winckler Mattosinho Correa”, nome dado em homenagem ao neto, falecido ainda criança.

Patrocínio


Michael Reihner e Celso Correa já encaminharam ofício à Secretaria Municipal de Educação pedindo apoio do Poder Público para a realização do projeto, mas ainda é necessário investidores da iniciativa privada para manterem os alunos durante todo este período (4 anos). “A partir do momento que a Fábrica for crescendo em número de alunos, inevitavelmente vamos precisar dos empresários da cidade e da Prefeitura, principalmente com relação ao transporte público e alimentação dos meninos e das meninas participantes. Fica aí o convite para nos procurarem”, frisa Celso Correa.


Cronograma


Outras sedes da Gracie Barra espalhadas pelo País também devem adotar a iniciativa futuramente, mas os bauruenses serão os primeiros a desenvolvê-lo. As aulas acontecerão todas as terças e quintas, das 14h às 15h, com as aulas de inglês, e das 15h às 16h, com os treinos de jiu-jítsu. Tendo em vista uma média de 4 anos de projeto, com duas horas semanais de inglês, os alunos somarão, no final das atividades, quando atingirem 19 anos, aproximadamente 418 horas/aulas da língua estrangeira. Por isso, levando-se em conta todos os números e objetivos, estabeleceu-se o conceito da universidade para o projeto


Mercado


Existem hoje mais de 400 unidades da Gracie Barra Brazilian Jiu-Jítsu pelo mundo. Consequentemente, surgem investidores todos os anos à procura de professores, preferencialmente brasileiros, para abrirem escolas e academias no exterior.

 

Serviço

A Gracie Barra Bauru – Altos da Cidade fica na Rua Antônio Alves, 21-48. Interessados em informações sobre a “Fábrica de Campeões Lorenzo Winckler Mattosinho Correa” devem entrar em contato pessoalmente com a equipe Gracie Barra ou pelo telefone (14) 3018-4353.

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