Dele, José, 80 anos, enfermo e acamado há muitos anos, porém lúcido. Dela, Cecília, em cadeira de rodas, mas ativíssima nos afazeres domésticos. São queridos amigos e colegas que, quando na ativa, muito ensinaram aos seus alunos que certamente até hoje se lembram dos mesmos, hoje, de dentro do lar, continuam transmitindo-nos mensagens e dando lições sobre a vida. A minha vida, vida do leitor, vida de todos. Quando? Segunda-feira de carnaval. Local: rua Guaicurus, Bauru. Testemunhas presentes: Verônica, a dedicada filha, e Juli, a amorosa cachorra. E aí nesse ambiente de ternura, Cecília, humildemente, pediu-me. "Professor Joaquim, eu sei que o senhor conhece bem João Jabbour e quero pedir-lhe um grande favor".
Muito embora me tenha colocado à disposição da mesma para atender sua solicitação, confesso, fiquei um tanto atordoado, pois pensei que algo difícil eu teria que pedir ao citado cronista do JC. Foi quando, ela, repito, humildemente, pediu-me que encontrasse um jeito de mandar agradecimentos pela maravilhosa crônica que ele publicou há alguns dias. Então, constatei que não era um pedido, mas sim a transmissão de um recado. Compromisso muito mais leve e extraordinariamente agradável.
E qual foi o recado? Nada mais do que agradecimentos por aquela crônica que escreveu recentemente sobre o seu retiro, sua passagem pela região sul do Estado, Cananéia, Iguape, Registro, por aqueles lugares lindos, encantadores e inesquecíveis que enlevam a todos que por lá passam assim como aconteceu com ele, o cronista. E principalmente por suas menções ao barqueiro, um verdadeiro rei em seu domínio, o rio. E por que agradecimentos? Porque aquela crônica transportou-a e à família há quarenta anos passados, tempo em que lá viveram momentos felizes e inesquecíveis. Reafirmou, como ficaram felizes ao lerem a crônica! Foi um grande presente para todos eles que puderam, saboreando a leitura, regredir aos tempos maravilhosos que por lá também estiveram e viveram.
Sem pretender diretamente, o cronista proporcionou felicidade àquela exemplar família. Caríssimo amigo cronista, não sei se acertei, acrescentando ou omitindo algum fato de sua crônica que não a procurei no respectivo jornal Segunda-Feira, que a publicou a fim de checar detalhes, razão pela qual não me referi ao seu título.
Confesso que também a li, não porém com a emoção da família de José e Cecília. Pois, ante à felicidade proporcionada a esses dois queridos colegas e seus familiares, tais detalhes nada significariam. O que importa é você saber que, sem o pretender ou esperar, semeou felicidade! Eles agradecem e, de minha parte, cumprimento-o. Cecília, José e Verônica: não sei se dei o recado certo como vocês queriam. Se não era isso, desculpem-me. Mas obrigado por sair revitalizado do vosso santo lar naquela segunda-feira de carnaval.
Professor Joaquim Eliseo Mendes