Fotos: Douglas Reis |
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A Polícia Militar encontrou um feto de, aproximadamente, cinco meses, enterrado em uma rua de terra no Jardim Manchester nesta segunda (23) |
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Mistério: ossada do feto estava no interior de caixa de sapato e enrolada com uma toalha |
A ossada de um feto formado de, no mínimo, cinco meses foi encontrada enterrada no interior de uma caixa de sapato em um terreno baldio existente na quadra 13 da rua Conde Matarazzo, Jardim Manchester, em Bauru. O caso mobilizou policiais militares, civis e a cena chocou os moradores do bairro na manhã de segunda-feira (23).
Uma gerente de 38 anos foi acusada por uma cabeleireira de 36 anos, arrolada como testemunha no boletim de ocorrência (BO), de ter cometido o aborto. A suposta mãe acabou detida em sua residência no Jardim Carolina, na mesma manhã. Ouvida pela Polícia Civil, entretanto, a mulher negou que tenha cometido o crime e, após ser qualificada, foi liberada.
O caso foi registrado como aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. A ossada do feto foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru.
Antes de ser liberada, a suspeita foi levada ao IML, onde teve seu material genético colhido para realização de exame de DNA, que confirmará se ela era ou não a mãe da criança.
Um inquérito sobre o caso deve ser instaurado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) nos próximos dias. Se a maternidade por parte da mulher for confirmada, ela responderá por aborto criminoso e ocultação de cadáver.
Como a suspeita foi ouvida e liberada, seu nome foi preservado pela reportagem.
O encontro
A Polícia Militar (PM) foi acionada por volta das 9h, após a cabeleireira informar sobre a localização do feto e denunciar quem era a acusada. “A mulher que nos acionou contou que mora com A acusada e, durante a madrugada, as duas teriam se envolvido em uma briga, na qual houve a confissão do crime e a indicação de onde o feto teria sido deixado. A mulher, no período da manhã, veio até o local e encontrou a caixa embrulhada por uma toalha. No interior, realmente estava o feto”, contou o cabo da Polícia Militar Deivid Teodoro, que atendeu ao chamado.
Um homem que também estava no local e conhece a acusada conversou com a reportagem do Jornal da Cidade. Segundo ele, a acusada teria enterrado o feto há cerca de um mês.
“Durante a discussão, ela disse que tinha feito a amiga ‘de palhaça’ e contou que o dia que pediu para levá-la até o Jardim Manchester para pegar uma raiz para curar uma dor foi o dia que enterrou o feto”, disse o homem, que pediu para não ser identificado.
Na época, de acordo com ele, a acusada chegou até mesmo a ser atendida na Maternidade Santa Isabel por conta de um aborto. “Ela teve o aborto, mas nunca imaginávamos que poderia ter coragem de fazer isso. É de chocar e estou pasmo até agora. Ela é mãe de dois filhos, de 15 e 4 anos, mas perdeu a guarda recentemente. É muita frieza”, afirmou o homem.
Investigação
A acusada foi encontrada em sua residência e encaminhada para o Plantão Policial da Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde foi ouvida pelo delegado de plantão.
Em conversa com o Jornal da Cidade, ela também negou o crime. “Eu realmente sofri um aborto, mas estava grávida de três meses e abortei apenas coágulo. Estão querendo me incriminar de algo que não sou culpada. Eu nem conheço direito o Jardim Manchester e é um absurdo essa história”, disse.
A Polícia Científica foi acionada para realizar perícia técnica no local. O feto foi recolhido e levado ao IML, onde serão realizados exames que indicarão se o aborto foi espontâneo ou provocado, o tempo de gestação da mãe, quando a morte ocorreu e se o feto tinha má-formação.
O laudo sobre o caso deve ficar pronto em até 30 dias. Enquanto isso, a DDM irá instaurar um inquérito para prosseguir com as investigações.
Crime
De acordo com o Código Penal, provocar aborto em si mesmo ou consentir que o outro provoque é crime com pena de um a três anos de reclusão. Já o aborto sem o consentimento da gestante é crime com pena de três a 10 anos de reclusão.
Segundo o JC apurou com a Polícia Civil, o crime aborto também não prevê prisão temporária, motivo pelo qual a suspeita foi liberada.
