João Rosan |
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Telma Gobbi e Roberval Sakai conversam com Carlão do Gás sobre suas reclamações da saúde |
Diversos vereadores criticaram a saúde pública de Bauru na sessão desta segunda-feira (23) da Câmara Municipal. A falta de medicamentos foi o tema mais enfatizado, e ainda na segunda, no período da noite, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, esclareceu ao JC a situação do setor na cidade.
Telma Gobbi (PMDB) questionou a falta de materiais, que já estava ocorrendo no ano passado. A vereadora citou inclusive uma declaração de Rodrigo Agostinho (PMDB) à coluna ‘Entrelinhas’, do Jornal da Cidade, em 16 de novembro, quando o prefeito citou que não havia falta de insumos, e que se isso ocorreria era em função da falta de pedidos por parte dos responsáveis de unidades.
Outro parlamentar que questionou a Saúde foi Roberval Sakai (PP), relatando falta de medicamentos em Unidades Básicas, como no Nova Esperança e Beija Flor. “Estive percorrendo unidades de Bauru e constatei que no Nova Esperança faltavam 15 tipos de remédios. Entrei em contato com a prefeitura e fui informado que a falta era decorrente do período de férias coletivas dos laboratórios, em dezembro e janeiro”, afirmou, chegando a mostrar uma lista durante a sessão.
O secretário de Saúde, Fernando Monti, foi informado da situação e rebateu as críticas. “Realmente tivemos problemas em janeiro. Sempre fizemos compra de um grande volume de medicamentos no fim do ano, justamente pelas férias coletivas dos laboratórios farmacêuticos, porém desta vez tivemos um aperto orçamentário muito grande, e não foi possível fazer esse estoque. Mas já estamos em uma situação de normalidade praticamente”, justificou.
Sakai disse que foi a seis núcleos de saúde. “Fomos ao Beija Flor, Gasparini, Nova Esperança, entre outros. No Gasparini, fui informado que há dois anos não vem pomada para queimadura há dois anos. No Ipiranga, faltavam 25 medicamentos. Não é localizado, e sim em todos que fui”, apontou.
Monti reitera que 92% dos medicamentos estão à disposição. “Em lugar nenhum você tem tudo o tempo todo. Claro que isso não é desculpa, a intenção é estar sempre 100%. O que tivemos foi a falta pontual de alguns remédios, como um anti-hipertensivo, que realmente compromete quem faz uso contínuo, mas que poderia ser substituído por outro alternativo, e alguns dos que estavam lá são de uso da rede hospitalar, como um antibiótico do Pronto-Socorro, mas que também pode ser substituído por outro. Hoje, nosso índice de falta de medicamento é de 8% do total, um percentual que ocorre até em farmácias convencionais, ou em qualquer produto em um mercado, por exemplo. Na rede privada acontece isso”, completou.
Insumos
Sakai e Telma também comentaram a possível falta de insumos. “Hoje não há um recipiente apropriado para o descarte de materiais, com funcionários correndo o risco até de pegar uma doença. Nas UPAs faltam remédios como amoxilina, e medicamentos injetáveis. Não se tomou nenhuma providência até agora. Tem lugar em que faltava até papel higiênico”, mencionou Sakai. “As pessoas também estão tendo que ir às farmácias municipais para pegar remédios, e não mais em postos de saúde. Isso é um absurdo”, disse.
Para o titular da Saúde, a abertura das farmácias tem como objetivo justamente melhorar a logística. “É simplesmente impossível em uma cidade como Bauru ter 40 pontos de distribuição. Exatamente por isso que aos poucos a entrega será nas farmácias da prefeitura, já existem duas, no Centro e Bela Vista, estamos implantando no Geisel, e futuramente teremos no Mary Dota e Ipiranga. Nas regiões que ainda não contam com as farmácias, as unidades, seguem entregando os remédios, mas conforme elas forem sendo implantadas, ficará concentrado lá. Isso é normal em qualquer lugar, inclusive na rede privada”, defendeu Monti. “Sobre a questão dos insumos, até sexta-feira não havia nenhuma reclamação de unidade nenhuma, seja UPA, UBS, ou qualquer outro setor”, esclareceu.
Cohab
A dívida da Cohab foi questionada por Paulo Eduardo de Souza (PSB). “Além do reparcelamento realizado no ano passado, agora temos a possibilidade de mais R$ 123 milhões entrarem na dívida por conta da fase final de resolução no Supremo Tribunal Federal (STF) da LR Construtora, estando em aberto se a Caixa Econômica entra como solidária à dívida, sendo uma preocupação porque pode abrir um precedente com outras dez construtoras, chegando a R$ 5 bilhões, valor de quase seis orçamentos inteiros de Bauru”, disse. “Esperamos que haja uma reversão, porque isso pode inviabilizar a cidade. Eu e o vereador Raul Gonçalves Paula (PV) queremos ir a Brasília. Estou ainda fazendo um questionamento a Cohab, sobre os últimso 30 anos, para se detalhar como se chegou a esta situação atual”, ponderou.
Cargos em secretaria: projeto adiado de novo
Projeto mais aguardado na pauta de segunda (23), pois está há quase oito meses no Legislativo, a criação de oito cargos comissionados de coordenador em modalidades esportivas específicas na Semel não foi votado. Raul Gonçalves Paula (PV) apresentou emenda exigindo que os nomeados sejam ligados à área ou formados em Educação Física, o que dispensava apreciação nas comissões. Porém, outra emenda, de autoria de Fábio Manfrinato (PR), que impõe a necessidade de recurso futuro para estes cargos, foi retirada, sendo recolocada logo em seguida por Fabiano Mariano (PDT).
O impasse ficou por conta da necessidade de a emenda passar ou não pelas comissões temáticas, uma vez que já havia sido apreciada pelas mesmas, somente com outro autor. Roberval Sakai (PP) pediu a apreciação nas comissões e foi atendido. O projeto não tem prazo para voltar ao plenário. Foram sobrestados ainda o projeto que cria a Política Municipal de Cooperativismo (por três semanas) e o que altera a redação de lei sobre plantões extras na Saúde (duas semanas). Os demais projetos foram aprovados.
